• Brunna Silva

"Mulheres pretas conseguem cuidar da sociedade como nenhuma outra pessoa" diz Thawanna

Atualizado: 28 de out.


Por Brunna Silva


Thawanna Ferreira candidata ao pleito eleitoral. (Foto: Giovane Brito)


Thawanna Ferreira é uma jovem que sonha com um Amapá melhor e que desde muito tempo se interessou pela política, não é à toa que essa já é a terceira candidatura da jovem negra de apenas 24 anos. Thawanna quer traçar um futuro promissor! E para conhecer um pouco mais sobre a candidata à deputada estadual, batemos um papo com ela.


AGCOM: De onde surgiu a vontade de entrar para a vida política?



Thawanna: "Eu sempre vi minha mãe envolvida na política, então eu queria entender melhor e me sentir mais perto da minha mãe. E quando eu comecei a estudar mais, me apaixonei porque vi que não era só corrupção e que existem bons políticos e que a política é uma forma de solução para nossa sociedade, principalmente para as pessoas marginalizadas. E eu sempre fui periférica e sempre tive essa vontade. E com 18 anos eu surpreendi as pessoas lá em casa, me filiei a um partido e vim candidata. E eu sempre me vi em um espaço de liderança e com 18 anos me candidatei e foi uma experiência magnífica porque entendi espaços que eu ainda não tinha entendido ainda. E quando a gente entende como funciona, vem a frustração decepção porque não era como a gente pensa que é. Na época que eu me candidatei pela primeira vez, eu fui a terceira mulher mais votada. E depois disso, comecei o curso de direito porque sempre quis ser candidata, e porque eu defendo a capacitação para ser uma boa candidata, para ser quem vai entender o que vai fazer. E para legislar não é só criar leis, então fui pro lado do direito para entender isso. O meu TCC foi sobre a representatividade da mulher, porque eu defendo que é importante ter mulheres no espaço de poder e em 2020 eu estava escrevendo o meu TCC e também vim com a candidatura coletiva.

Essa candidatura foi muito importante pra mim, porque comecei a me mostrar como mulher preta, porque só me mostrava como mulher jovem, eu achava que era nítido que sou uma mulher preta. E agora em 2022 eu falei "tenho idade mínima para ser deputada estadual e acho que é importante a gente ser vista, lembrada e ocupar espaços, então porque não tentar novamente?". Estou feliz que tem muitas mulheres pretas vindo comigo e isso dá mais garra, porque tenho muitas outras para me inspirar".


AGCOM: Quais as dificuldades que você enquanto mulher preta encontra nessa candidatura?


Thawanna: "Tem dificuldade na questão de se reafirmar todo tempo, de ter que falar o que é racismo. E para a juventude é mais complicado, porque as pessoas falam que somos jovens demais para estar nessa vida. E como mulher preta é difícil pela valorização da mulher preta, a questão de as pessoas respeitarem que queremos ocupar espaços… E hoje em dia tem a questão que não entra na política quem não tem dinheiro, que é justamente para gente que não tem, não entrar e não dificultar para quem já está lá dentro e não faz nada por nós. Não faz política para periferia, para os jovens, para mulheres, para pessoas pretas, para cultura, para saúde mental. Simplesmente não fazem política, e tentam fazer a gente se afastar. É bem complicado, mas não é por isso que temos que desistir. É por isso que temos que tentar".


Entrevista com a candidata. (Foto: Giovane Brito)


AGCOM: Quais tuas propostas, caso seja eleita?


Thawanna: Eu tenho vários, para as mulheres, para o empreendedorismo, para juventude do primeiro emprego que é tão difícil, para saúde mental, para agricultura familiar, para cultura, para a preservação de memórias coletivas. Mas eu tenho meus xódos, que no caso é a saúde mental, porque conheço várias pessoas que têm depressão, que é difícil tentar se motivar e lutar pela vida. Infelizmente recentemente uma pessoa muito especial para mim se suicidou, e isso foi muito ruim para minha campanha, tive vontade de desistir, mas com certeza meu tio não iria querer isso pra mim, por isso a saúde mental é minha prioridade. E a proposta para a saúde mental é o Bem-Me-Quero, afinal nada melhor do que a gente se querer bem e se priorizar. E porque a periferia é a mais afetada porque não entende o que é saúde mental. E foi criado um tabu de que é frescura, que não é para pobre, que depressão não existe, que terapia é pra louco. E o bem-me-quero é para ajudar essas pessoas que não sabem como fazer. A ideia é juntar as pessoas que estão se formando em psicologia e recém-formados, para através de verba parlamentar e com a ajuda do governo, para ir às comunidades prestar atendimento psicológico de forma gratuita e, quem puder pagar um valor social. E a próxima proposta é a Casa de Apoio Mawê, para ajudar na violência contra a mulher, por isso eu escolhi o número 18180, porque o 180 é o número do disk denúncia. A ideia é fazer uma casa de apoio para a mulher se sentir acolhida, vai ajudar essa mulher denunciar o agressor e prestar toda ajuda para essa mulher".


AGCOM: Por que é tão importante ter mulheres pretas na política?


Thawanna: Porque as mulheres pretas são as mais afetadas, então elas entendem a sociedade de um modo geral e conseguem realizar projetos com mais empatia, de como se colocar no lugar do outro. E a mulher preta é tão insatisfeita com as questões que ela procura se capacitar, ela se coloca no lugar do outro com projeto e se coloca à disposição para fazer com muito mais engajamento e cuidado. Mulheres pretas conseguem cuidar da sociedade como nenhuma outra pessoa pode cuidar porque elas entendem de fato do que a sociedade precisa. A minha base de conhecimento de essência, que eu sinto e vejo nas mulheres que me inspiram é basicamente isso.


"Mulheres pretas conseguem cuidar da sociedade como nenhuma outra pode cuidar porque elas entendem de fato do que a sociedade precisa"



AGCOM: Por que votar na Thawanna?


Thawanna: "Porque é uma mulher que sempre quis se colocar à disposição para ajudar os menos favorecidos e ajudar a sociedade. Mas principalmente porque quer um Amapá melhor, eu tô cansada de ver meus amigos indo embora, porque não tem oportunidade de emprego e cursos aqui. A nossa cidade é pequena então dá pra fazer. A gente precisa acabar com o curral eleitoral, com as famílias oligárquicas, que não querem fazer por nós, e veem a política como forma de enriquecimento e não fazer pelo Amapá. E acho que tem que votar na Thawanna deve ser porque eu não sou dessas famílias, sou jovem, mulher preta, bacharel em direito, empreendedora eu estudei pra isso e quero fazer o Amapá sorrir novamente".




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