• Lorena Lima

Primeiro curso de psicologia na Federal desperta expectativa entre comunidade acadêmica

A espera pela aprovação e implantação do curso de psicologia na UNIFAP ressalta alta demanda de atendimentos psicológicos

(Foto: Unifap/Reprodução)

Com a proliferação da pandemia da COVID-19, o isolamento social durante os anos de 2020 e 2021 afetou psicologicamente milhares de pessoas que passaram a buscar acompanhamento psicológico. A sobrecarga na demanda de consultas psicológicas no setor privado e a necessidade de acesso a atendimentos gratuitos para pessoas, sem plano de saúde ou condição de pagar por consulta, reflete a falta que faz um um curso de psicologia na Universidade Federal do Amapá (UNIFAP).

A discussão e concretização do projeto para iniciar o primeiro curso de psicologia na UNIFAP existe desde 2014, entre os psicólogos e professores da universidade. Somente em 2018 o grupo de professores de psicologia começou a montar a proposta e em 2019 a buscar pela resolução das questões burocráticas. Eles foram ao Conselho Municipal de Saúde de Macapá, Conselho Estadual, Conselho Regional de Psicologia para receber sugestões quanto ao projeto da proposta do curso.

Segundo o professor de psicologia da UNIFAP Mario Neto, a proposta de curso diferenciado visa a publicação e uma excelente formação, com intuito de o estudante sair formado com um profissional com boa bagagem para publicação. Para ele, independente do lugar onde a pessoa trabalha, a publicação é muito importante.

Atendimento psicológico. (Foto: Pexels)

“O curso de psicologia, assim como outros, vai justamente de encontro com as necessidades das pessoas, não na forma individual, mas também no coletivo da sociedade. O curso de psicologia em uma universidade federal é essencial, porque lida com várias questões complicadas da sociedade, como por exemplo a questão do suicídio, dos direitos violados, das pessoas que são violentadas fisicamente, sexualmente e moralmente. São situações extremas que podem ocorrer, e isso acontece independentemente de classe social”, explica o professor Mario.

De acordo com o professor Mario Neto, o curso de psicologia vai favorecer nos atendimentos da população, principalmente quem não pode pagar. Todos os alunos da universidade poderão receber esse tipo de atendimento, mas a prioridade será dos que não podem pagar. A expectativa dos colegas da criação do curso é o desenvolvimento de uma especialização e mestrado em psicologia, comenta.

O pró-reitor da UNIFAP, Almiro Alves de Abreu afirma que espera a aprovação do projeto do curso ser aprovado na Câmara de Ensino, e posteriormente no Consul. ”Nós enquanto universidade e administração, junto dos professores que fazem parte da comissão que elaborou, entendemos que é um curso de fundamental importância para o estado do Amapá, mas especialmente para o departamento da saúde. Quando você olha para o departamento de saúde: enfermagem, medicina, fisioterapia, farmácia, biologia; se vê que falta um ‘tronco’ que é o estudo do homem, da personalidade, do ser humano que dá base para todos os outros cursos da área da saúde”, explica.

Estudante tomando notas (Foto: Pexels)

“A gente vai fazer a primeira seleção de estudantes para ingressarem no curso em março de 2022, nesse primeiro ano teremos apenas uma turma iniciando. A partir de 2023 correremos atrás de vagas para melhor o curso, o técnico, a coordenação e a estrutura. Já pensamos enquanto administração que de todas as salas do departamento de ciências biológicas e da saúde, vamos disponibilizar inicialmente uma sala de coordenação e uma sala de aula em um horário apenas”, ressalta suas expectativas o pró-reitor Almiro.

Universitários (Foto: Pexels)

O acadêmico do sexto semestre de psicologia em faculdade particular Renan Côrrea relata estar insatisfeito com o ensino na instituição particular. "O que me incomoda mais é a disparidade entre conteúdo e carga horária. Acho que o tema da aula não dá conta da quantidade de conteúdo que o curso requer. Sobretudo das disciplinas online, onde algumas têm apenas 50 minutos de aula”, explica.

Para o estudante, por mais que no ensino superior o aprendizado parte primeiramente do aluno, não dá para dizer que o ambiente da pública é igual ao da privada. “Pelo menos o curso de psicologia demanda um contato social muito grande, de uma integração entre academia e o contexto social onde a instituição está. E na educação privada é muito mais fácil ter uma distância entre aluno e os que gerem a instituição”, ressalta Renan.

Renan afirma que gostaria muito de estudar psicologia na universidade federal, mas aguardou a instauração do curso, que não ocorreu até hoje.

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