• Lorena Lima

COMERTEC 2021: O jornalismo diante da pandemia, notícias falsas e desinformação

Congresso de Comunicação e Tecnologia conta com palestras de especialistas nacionais e internacionais para mesas informativas

O Grupo de Pesquisa de Comunicação, Mercado e Tecnologia (COMERTEC) realizará nos dias 8, 9 e 10 de junho o I Congresso Internacional COMERTEC e IV COMERTEC Jr, discutindo as seguintes temáticas:: Desinformação o mal do século, Mercados, cenários e futuros. Além de levantar o debate sobre o “vírus” das fake news, da desinformação na pandemia da covid-19 e a difícil tarefa de informar durante a crise energética que o Amapá enfrentou em novembro de 2020.

O professor da Universidade Federal do Amapá, Daniel Chaves, comenta a respeito da organização da mesa sobre Estudos de Futuros. “É uma busca interdisciplinar e holística de métodos diversos para compreender as tendências e desafios dos cenários futuros” explica o docente.

Para Chaves a expectativa é a melhor possível. Segundo ele, o congresso virtual irá gerar um conteúdo de qualidade, disponível na internet e capaz de corresponder aos melhores padrões científicos da área. “O COMERTEC é um grupo importantíssimo para o debate da comunicação social, não só local e regionalmente, mas projetando cada vez mais resultados em todo o país e suas interações. Assim, acompanhar o evento é não apenas conhecer o resultado empírico e prático destas ações, mas compreender também a visão mais ampla do que é o grupo e seus trabalhos”, conclui.

O evento virtual conta com palestras gravadas de professores e pesquisadores de renome no Brasil como Pollyana Ferrari e pesquisadores internacionais como o professor de Mídia e Comunicação Yahya Kamalipour, do departamento de jornalismo e comunicação de massa da Universidade da Carolina do Norte nos Estados Unidos. Ele responde algumas perguntas sobre o tema do qual palestrou para o Comertec. A seguir entrevista exclusiva.

Yahya Kamalipour, professor de Mídia e Comunicação. Foto: Arquivo Pessoal

AGCOM: Por que você aceitou participar do congresso?

Yahya: Porque o tópico, o tema da conferência é interessante, isso é o que eu disse na minha pesquisa, por isso aceitei. Kamalipour.com Eu pesquiso majoritariamente a área de globalização e impacto das informações na mídia, o jornalismo como serviço público e diversidade cultural, o que seria comunicação intercultural.

AGCOM: Como você vê o cenário do jornalismo em meio à pandemia da covid 19?

Yahya: Depende de cada país, pois a pandemia tem imposto mudanças para todos, especialmente repórteres. Porque o desenvolvimento do vírus se projetou desprotegidamente, então foi difícil garantir informação apurada e porque é algo que você não entende muito, a forma como o vírus age e se comporta, e ter essas informações. Há as novas mutações como a indiana, na África, a Sul Africana, na América do Sul, muda o próprio comportamento. Mas jornalismo, independentemente disso, ele mantém o que são, tenta fazer o que pode e é como a verdade vem a tona para manter as pessoas educadas e informadas.

AGCOM: Aqui no Brasil, por exemplo, o presidente ataca jornalistas que fazem seu trabalho. Qual sua opinião a respeito?

Yahya: Infelizmente alguns governos tentam manter a informação apurada longe das pessoas, e isso é contraproducente, e o Brasil não é o único país que sofre com isso. A censura existe em muitos países, até mesmo nos Estados Unidos no começo, durante a administração do Donald Trump. Ele não levou o vírus a sério, também não promoveu informação precisa para o público, e por isso as situações de milhares de pessoas acabarem hospitalizadas.

AGCOM: O que foi mais difícil para os jornalistas fazerem durante a crise pandêmica?

Yahya: Ter e conseguir acesso a informação, ter acesso as pesquisas científicas, medicamentos e doutores. Acesso é o mais importante, um obstáculo para jornalistas, eles precisam de informação em primeira mão.

AGCOM: Por que o jornalismo é tão importante para a democracia?

Yahya: Você não pode ter uma democracia de fato sem liberdade de imprensa, sem permitir os jornalistas fazerem seus trabalhos, sem terem medo ou serem censurados. Se não há liberdade de imprensa, não pode ter uma democracia funcionando.

AGCOM: Como o acesso a informação melhora a democracia?

Yahya: Há pessoas desatentas sobre onde elas vivem. Elas sabem sobre o meio ambiente, elas aprendem sobre política , economia, essas informações através da mídia. A mídia comunica a informação, e claro não podemos ter a mídia sem os repórteres, com eles temos mais acesso à informação e reportando essa informação através da mídia, do público, e liderar isso quanto mais acontece, mais pessoas sabem e gerenciam suas vidas, efetivamente agir sob um processo democrático e participar em várias áreas como economia, política e educação. Portanto, a mídia é extremamente crucial e inclui a mídia tradicional, as mídias sociais mais modernas e as redes sociais. Todas são importantes como forma de educar a população em uma sociedade concedida.

Outro palestrante é John Vernon Pavlik, autor de livros e pesquisas sobre o impacto da tecnologia no jornalismo, na mídia e na sociedade, além de professor do Departamento de Jornalismo e Estudos de Mídia da Universidade de Rutgers em Nova Jersey. Segue a seguir a entrevista exclusiva.

John Vernon Pavlik, professor do Departamento de Jornalismo e Estudos de Mídia. Foto: Print da chamada/AGCOM

AGCOM: Por que você aceitou palestrar no Congresso Comertec?

John: O jornalismo na democracia é vital para toda a sociedade e particularmente porque há muitas mudanças se desencadeando na sociedade como a desinformação, e há tantos políticos resistindo a verdade e ao jornalismo. Eu acho que o jornalismo precisa estar a serviço e ajudar a servir a todos. Nos Estados Unidos é como se as instituições governamentais tornassem as conexões mais difíceis, acredito que de muitas formas o jornalismo está apto a fazer conexões. E fazer o que eu faço, tentar está realmente funcionando bem, especialmente internacionalmente. Vivemos em um mundo conectado.

AGCOM: Na sua apresentação você falou sobre desinformação global e fakenews. Fale um pouco mais a respeito.

John: Bom, eu acredito que a internet é muito útil nos dias de hoje nessa comunidade global. E ver nas mídias sociais, especialmente, pessoas se mobilizando e começando mobilização por justiça social, justiça racial e tornando um fenômeno global rapidamente. Porque nossa conexão permite que bilhões de pessoas falem, um comum tipo de determinação. Os suportes são diferentes do que costumavam ser e nos comunicamos atravessa fronteiras e o jornalismo tem envolvido ao redor, e se tornado funcionalmente internacional no sentido de que há políticos criticando e tentando negar a realidade, apresentando “fatos” controversos sem ofertar a comprovação de que as pessoas precisam de movimentos internacionais. Por isso acho que o jornalismo deve continuar avançando para resistir aos tipos de desinformação e notícias falsas. Não podemos negar os fatos que afetam todos, há tantos conflitos agora, as mudanças climáticas, desigualdades sociais e raciais. Por isso o jornalismo ajuda no avanço da verdade e por isso o coronavírus marca essa era do acesso. O jornalismo traz as verdades e como são os avanços dos problemas e o que é falso.

AGCOM: Nesse período de crise pandêmica como você vê o cenário do jornalismo?

John: A COVID-19 tem apresentado muitas mudanças para todos no mundo e temos a ciência que tem apresentado como a doença se comporta e que temos de fazer para se prevenir e resistir, se vacinando, mantendo o distanciamento social, usando máscaras e lavando as mãos. É um cenário largo para muitas pessoas evitarem e não admitirem, especialmente governo, não admitem que a pandemia exista, prejudicando o combate a redução dos efeitos da covid 19. E claro há consequências econômicas. É um tipo de situação que afeta muitas pessoas, o que é terrível. Mas o pior é a morte, ter a economia com problemas é ruim, mas morrer é pior. Acredito que devemos sim nos preocupar com as questões econômicas, porém por causa de alguns líderes políticos querem ignorar a realidade em prol de se preocupar apenas com os efeitos econômicos. E continuar a assegurar o bem estar coletivo e responder a perguntas que podem facilmente ser ignoradas.

AGCOM: Como você analisaria o jornalismo brasileiro?

John: Não sou expert quando se trata da cobertura jornalística brasileira, mas pelo que eu assisti é bem parecido com o que aconteceu nos Estados Unidos, algo que eu fiz sérios estudos e observações da situação. O que vemos é sérios problemas de líderes políticos como Bolsonaro e Trump mais conservadores não apoiam pessoas marginalizadas, em desvantagem econômica que moram em favelas no Brasil ou em comunidades pobres nos EUA. Elas não têm acesso a ajuda e consequentemente a doença piora nessas populações, as consequências são mais severas. O mercado de trabalho mudou também, os jornais impressos costumavam serem bases econômicas muito mais fortes, agora as mídias sociais mudam esse cenário de acesso, as plataformas digitais promovem novas empresas digitais e anúncios tiram vantagem. Então as novas organizações têm trazido recursos do que eram habituadas a trazer , os jornalistas tem que fazer mais com menos.

AGCOM: Por que o jornalismo é tão importante para a democracia?

John: Porque temos grandes sociedades como USA e Brasil , é importante que grandes populações conheçam seus líderes políticos, que estejam aptos a falar com esses líderes e questioná-los. Portanto jornalistas devem servir essas populações, o agora, serem representantes das pessoas e independentemente perguntar aos líderes político o que as pessoas sem poder não podem perguntar, perguntas difíceis. Essas perguntas difíceis que esses líderes não vão responder a verdade, porque a verdade trará consequências, e as consequências vão mudar as reeleições. O jornalismo tem o direito de representar as pessoas.

AGCOM: Como o acesso a informação melhora a democracia?

John: Eu acredito que o acesso a informação é a chave. Há uma famosa frase de uma cena, do filme Questão de Honra (1993) interpretada por Tom Cruise que Jack disse “você não pode lidar com a verdade”.



O público não pode lidar com a verdade e os jornalistas podem lidar com a verdade. Nós podemos lidar porque as pessoas precisam acessar a informação das decisões de impacto público. Eu penso que a democracia existe de fato consolidada quando a população é bem informada e não sofre opressões. Há líderes tentando desmentir cientistas, governos corruptos. Há liberdade de imprensa quando podemos acessar informações verdadeiras e podemos ver as decisões políticas, e o que podemos fazer por justiça social ou as mudanças climáticas, e o porquê de coisas como essas existirem. Nós jornalistas convertemos entrevistas em informações e promovemos o acesso, e se o jornalismo pode contornar ideias para mudar decisões de líderes políticos e trazer mais decisões que afetem positivamente a realidade, nós podemos vencer o medo, promover a igualdade e aumentar as escolhas. O acesso às informações faz com que tenhamos autonomia para tomar boas decisões enquanto sociedade na vida. Garantindo então os direitos das pessoas.


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