• Léo Nilo

CAPS Gentileza funciona mesmo após prédio ser interditado.

Uma área do edifício está em risco de desabamento desde março.

Fachada interditada do prédio CAPS
Foto: Léo Nilo

Nos últimos meses, o Centro de Atendimento Psicossocial (CAPS) do bairro Laguinho, se transformou em fonte de apreensão para seus frequentadores devido às más condições de sua infraestrutura. O trecho perto da entrada foi interditado mês passado. Mesmo assim, os atendimentos à população seguem normalmente, arriscando pacientes e profissionais. Diariamente, a média de 60 pacientes frequentam o Centro. Há mais de 10 profissionais que atendem no prédio.

Localizado na Avenida Mãe Luzia, número 994, o CAPS - Casa Gentileza teve a área próxima a sua entrada interditada pela Defesa Civil devido ao perigo de desabamento do telhado na frente da casa. Todo o jardim e a varanda em sua frente tiveram seu acesso proibido. Estes espaços eram frequentemente usados na realização de atividades, já que a pandemia impede de utilizar as praças públicas.

Apesar de não estar interditado completamente, o prédio inteiro se encontra em más condições, como relatam os funcionários do local. Em um acidente recente, o próprio forro sobre a escada do primeiro andar caiu, expondo o piso acima. Felizmente, não houve feridos.


O forro sobre as escadas despencou devido às más condições do prédio. Foto: Léo Nilo

Segundo Viviane Barbosa, terapeuta ocupacional do CAPS Gentileza, desde sua criação em 2014, o perigo da estrutura é ainda mais acentuado considerando a natureza dos serviços oferecidos pelo centro. “É um perigo em dobro. Para a gente, que precisa trabalhar, e para os pacientes. Como recebemos algumas pessoas com transtornos mentais severos, às vezes não é possível simplesmente dizer que uma área é inacessível”, relatou Viviane. Cerca de 30 pacientes frequentam a Casa Gentileza a cada turno, totalizando 60 pessoas todo dia, sem contar os funcionários.

De acordo com o coordenador de Saúde Mental da Secretaria de Saúde, Mário Dênis Costa, o processo para a mudança do espaço já foi iniciado. “Estamos dando a maior celeridade possível para a mudança. A intenção é ir para um local que compreenda todos os requisitos preconizados para funcionamento adequado do Centro, propiciando um espaço de qualidade tanto para os servidores quanto para os usuários”, ele afirma. Até encontrar novo espaço, no entanto, os serviços permanecem no atual prédio.

O QUE É CAPS

Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) são unidades comprometidas em atender a Saúde Mental da população, recebendo prioritariamente pacientes com transtornos mentais severos e persistentes. Eles existem em várias modalidades: o CAPS i - serviço de atenção às crianças e adolescentes com transtornos mentais; o CAPS ad - para atendimento de pacientes com transtornos decorrentes do uso e dependência de entorpecentes; e o CAPS I, II ou III - com atendimento a indivíduos com transtornos mentais da população geral. Os pacientes são recebidos através do Sistema de Saúde (Hospital Geral e UBS) ou acessando diretamente o centro.

CAPS NA PANDEMIA

Apesar da pandemia, atendimentos permanecem presenciais. Foto: Léo Nilo

Os Centros de Atenção Psicossocial, como todas as outras organizações da sociedade, sofreram profundas mudanças durante a pandemia do COVID-19. Com efeitos do isolamento social e incerteza do futuro, a saúde mental da população foi fragilizada nesse período. Embora sempre com alta demanda, os funcionários relataram ainda maior procura recentemente. A maioria dos atendimentos permanece presencial, mas alguns mudaram para modalidades remotas, como ligações telefônicas.



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