• Lylian Rodrigues

Ato na Fortaleza de São José marca data de combate ao racismo

13 de maio é para refletir e agir sobre a exclusão e a violência que sofre o povo negro.

Foto: Lylian Rodrigues

Em frente à Fortaleza São José, que carrega a marca da escravidão no estado do Amapá, o movimento nacional Coalizão Negra articulou um ato para protestar e manifestar a indignação com a violência e a exclusão que marcam as vidas negras. Representantes de diferentes grupos estiveram presentes, assim como a Juventude de Macapá.

Silvanei Rubens representa o coletivo nacional Coalizão Negra e fala sobre o 13 de maio como um ato para “marcar uma reflexão sobre os processos que passam as periferias de grandes centros, o coletivo nos ajuda a organizar atos que articulam nacionalmente com um esmo diálogo e linha de atuação. Em Macapá, assim como nas outras cidades brasileiras, há uma atuação da direita que tenta criminalizar as pautas do movimento negro, mas esta é legítima contra o racismo, contra a desigualdade social e, sobretudo, contra as desigualdades econômicas”.

No Amapá, Silvanei ressalta a importância de lembrar o último dado da ação da polícia efetiva, ou seja, no sentido da letalidade, a política do nosso estado é a que mais mata e não dá mais para aceitar a violência brutal. “Não tem mais a ver com aspectos individuais, mas um conjunto de fatores sociais econômicos que a gente precisa compreender, refletir pra construir uma sociedade que de fato combata a violência”, reflete ele.

Silvanei Rubens e Olendina Nunes. Foto: Lylian Rodrigues.

Olendina Nunes representa o Sindicato das Empregadas Domésticas do Estado do Amapá, “por fome, por vacina e por todos os direitos, as empregadas domésticas também precisam lidar com o racismo todos os dias”, declara a presidente do Sindomésticas-AP.

O Instituto de Mulheres Negras do Amapá (IMENA) recebeu o convite da Coalizão Negra nacional e logo convidou outros movimentos e organizações negras. Durica Almeida representa o IMENA no ato e conta sobre as ações da ONG, que já existe há 22 anos, “atua em oficinas de formação com mulheres, trabalho educativo e de controle social das políticas públicas especialmente para mulheres negras”. Em Macapá, há dificuldades em se obter dados sobre a violência por qual passam o público da ONG. “A gente percebe que as políticas públicas não conseguem abarcar essa questão racial, se você for à Promotoria da Mulher atrás de uma informação da violência com esse recorte, você não vai encontrar. O estado não consegue ter esse olhar”, diz Durica.

Durica Almeida, representante do IMENA. Foto: Lylian Rodrigues.

Suane Brasão e Ivamar dos Santos são artistas e ativistas (Coletivo Amazonizando) de Macapá que circulam nacionalmente e, especialmente, pela Amazônia. “Sempre que a gente marca o 13 de maio com um ato, ele é emblemático. 13 de maio não é uma data em vão. Essa suposta abolição que não nos aboliu e que até hoje a gente sofre as sanções dessa escravidão. Para muitos acabou, mas quando a gente vai ver as estatísticas, a gente percebe que até hoje a gente vive com as consequências”, reflete Suane.

Suane Brasão e Ivamar dos Santos. Foto: Lylian Rodrigues.

O tempo da pandemia é de uma fragilidade na humanidade e o momento para se indignar com um problema social tão evidente de violências estruturais na sociedade. “A importância é de reafirmar essas práticas de exclusão, discriminatórias, que não só no Brasil, mas em toda a América Latina e do Sul está sendo repetida com a exclusão do povo preto e do povo indígena e do povo amazônico”, conclui ela.

Este ato acontece na tarde desta quinta-feira e atrai a juventude, os movimentos, imprensa e curiosos. Que seja mesmo de reafirmar a luta, fortalecer a rede dos movimentos, resgatar a memória do povo negro no nosso país e respeitar a cor de pele e o fio dos seus cabelos.

Ato na Fortaleza de São José. Foto: Lylian Rodrigues

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