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Abandonado, píer do Santa Inês é usado irregularmente

Atualizado: 8 de abr. de 2023

Apesar de ser usado para carga e descarga, o espaço não está liberado para uso.


Por Cássia Lima


Píer do Santa Inês. Foto: Cássia Lima

Há 11 anos existe uma paisagem já considerada “normal” na orla da capital de Macapá, o píer do Santa Inês. Quem passa pelo local, sendo turista ou morador local, tem a mesma percepção: o espaço está inacabado. O píer que é formado por dois cais, mesmo sem autorização, é usado para embarque e desembarque de mercadorias e pessoas bem na orla de Macapá.


O píer do Santa Inês, como é conhecido popularmente, teve sua obra iniciada em 2011 e, atualmente, tem 60% da estrutura construída. Alguns espaços possuem fiação elétrica exposta e treliças que oferecem riscos para adultos e crianças. Outros locais tem tapumes e são fechados ao público. Entretanto, a estrutura inacabada é usada para embarque e desembarque de passageiros e cargas.


O orçamento inicial da obra foi de R$ 8 milhões. Foto: Cássia Lima

A construção dos espaços começou no dia 21 de junho de 2011. Na época, a meta de conclusão prevista era para agosto de 2012. O orçamento estava estimado em R$ 8 milhões, porém, em 2013, o valor já havia sido repassado com mais dois aditivos, num valor total de R$ 2 milhões. Logo em seguida, a obra foi paralisada.


Os locais possuem serviços inacabados de concreto, fiação elétrica, cobertura, paisagismo, espaço de bilheterias, parque infantil, restaurantes, passarelas, área destinada a Capitania dos Portos, iluminação e mureta, dentre muitos outros.


Segundo o Corpo de Bombeiros do Amapá, o cais não está liberado para uso por toda a insegurança do local e, claro, a falta de estrutura na finalização da obra. “O cais não tem condições e nem está liberado para uso pelo Corpo de Bombeiros, porém realizamos atividades de orientação preventiva para os comerciantes do local junto com a Capitania dos Portos”, disse o comandante-geral do Corpo de Bombeiros do Amapá, coronel Wagner Coelho.


Foto: Cássia Lima

O primeiro píer, que fica mais próximo da Fortaleza de São José, principal ponto turístico de Macapá, é aberto ao público sem nenhuma restrição. Já possui espaço precário e sem sinalização de estacionamento de veículos e pequenas lojas que comercializam bilhetes de viagens em navios para Belém. Além disso, já tem local determinado para embarque e desembarque de cargas e pessoas, sem nenhuma segurança. Também não há mureta de segurança.


Durante o dia, quando a maré está alta, é possível observar homens fazendo carregamento de alimentos para navios, assim como, o vai e vem de passageiros no píer. “Já trabalho aqui há anos. E sempre faço essa carga e descarga. Ali na ponta tem uns arames soltos e a noite a iluminação é precária. A Marinha sempre fiscaliza os barcos aqui e nunca vi acidentes com esses restos de obra”, disse o carregador Marcos Paulo Santos, de 32 anos.


No segundo píer, localizado bem em frente à Escola Santa Inês, tem um tapume na entrada e um portão de madeira, mas que pode ser aberto por qualquer pessoa. Ao entrar no cais existe um vigia que faz o controle na entrada de cargas e mais restos de obras, além de pequenas e grandes embarcações atracadas ao local.


Entrada da obra abandonada. Foto: Cássia Lima

Os donos das embarcações falaram à reportagem que é mais rápido e fácil atracar no píer que ir para o Porto de Santana, município distante 17km da capital. “Os barcos pequenos começaram a atracar aqui e fizemos o mesmo. Uma pena nunca terminarem as obras, mas ainda temos esperança. Por hora, vamos nos ajeitando assim mesmo”, disse um dono de embarcação que preferiu não revelar sua identidade.


Barcos ancorados no píer. Foto: Cássia Lima

A obra, ou pelo menos o que restou dela, está entre vários projetos que são acompanhados pela Secretaria de Estado da Infraestrutura (Seinf). De acordo com a coordenação de obras da Seinf, o projeto da obra do píer está sendo reformulado para que os serviços sejam retomados.


A pasta informou ainda que as obras foram abandonadas na gestão anterior por falhas na indicação do recurso que não foi aprovado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Além disso, a empresa que executava os serviços declarou falência na época. Com a transição de governos, resta saber como a nova gestão vai tratar a situação da obra.


“É uma pena ver a nossa orla assim. Temos um rio lindo e esses cais poderiam ser um charme assim como as Docas de Belém. Quero muito ver nossa cidade com a orla mais bonita e com atrativos turísticos”, disse a nutricionista Michelle Soares, que caminha regularmente na orla da cidade.

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