• Giovane Brito

Voto Verde: Consciência Ambiental para as Eleições

Em tempos de celebrar a Amazônia, é urgente conhecer as propostas de candidaturas que conhecem e cuidam do Meio Ambiente e das populações em vulnerabilidade às mudanças climáticas

Protesto “Movimentos estudantis em prol da educação”, dia 11/08 na Unifap./ Foto: Gabriela de Matos.


No dia 3 de outubro, acontecerão as eleições para definir as representações políticas na Câmara dos Deputados, no Governo Estadual e na Presidência da República. Portanto, entender como as figuras políticas se posicionam sobre as questões ambientais e conhecer os impactos nas nossas vidas e no meio ambiente é votar com consciência ambiental. Este é o voto verde.

Primeiramente, devemos compreender o que está acontecendo com o clima e qual nossa participação nesse processo.


Modernização


Com o processo de maquinização dos meios de produções, que ocorreu na Inglaterra, da Revolução Industrial, durante a metade do século XVIII, as grandes fábricas adotaram uma nova forma de produção e impacta até os dias atuais. O uso de máquinas gera um aumento considerável na liberação do composto químico dióxido de carbono, na atmosfera. Como resultado, o aquecimento da Terra afeta nossa fauna, flora, as produções rurais, as zonas urbanas e criam eventos extremos do clima.


Rodrigo em uma ação no palácio da Guanabara, pedindo Justiça pelas vítimas do desastre de Petrópolis RJ/ foto: Greenpeace Brasil


O ambientalista e ativista de Clima e Justiça do Greenpeace, Rodrigo Jesus, enumera fatores de como esse aquecimento afeta nossas vidas, “os principais riscos que já trazem a assinatura da crise climática para o Brasil e a América Latina incluem segurança hídrica, saúde devido a epidemias crescentes, degradação dos ecossistemas dos recifes de coral, risco para a segurança alimentar devido a secas frequentes ou extremas, e danos à vida e infraestrutura em consequência de inundações, deslizamentos de terra. Estima-se que o aquecimento de apenas 1,5°C resulte em um aumento de 100% a 200% no número de populações afetadas por inundações na Colômbia, Brasil e Argentina, 300% no Equador e 400% no Peru”.


Os dados mostram os números de alertas de desmatamentos nas áreas da Amazônia Legal, no primeiro trimestre de 2022. O maior número registrado desde 2016, quando os dados começaram a serem coletados.

Fonte: Terra Brasilis, monitoramento feito pelo instituto nacional de pesquisa espacial (INPE)


“O aumento da taxa de desmatamento que estamos acompanhando é consequência da falta de compromisso que o Governo Federal tem no monitoramento de crimes ambientais e destinações de áreas protegidas na Amazônia Legal”, explica Rodrigo Jesus.


Portanto, de 2010 a 2020, um levantamento realizado pela rede de pesquisadores do projeto MapBiomas, as áreas ocupadas por garimpo cresceram em 495% em terras indígenas e 301% em locais de conservação no Brasil. Moroni Guimarães, um dos membros do Movimento atingido por Barragens (MAB AP), explana a sua visão do cenário atual do Brasil, “vivemos um caos no Brasil, as comunidades tradicionais quilombolas e indígenas estão sendo ameaçadas em seus próprios territórios. Então, o nosso atual governo não está preocupado com o nosso meio ambiente e as pessoas que o defendem, acabam sendo mortas e os culpados saem impunes".


Diante disso, a nossa fauna e flora estão em constante ameaça. Os números de desmatamentos, queimadas e o aumento do garimpo mostra o descompromisso dos nossos representantes com essa pauta. A situação só piora e afeta diversos grupos sociais do nosso país.


Justiça Climática


A justiça climática é um termo usado para denominar um processo recorrente no nosso planeta, as pessoas que menos poluem são os que mais sofrem com os eventos extremos do clima. Existem populações que se tornam vulneráveis às mudanças climáticas por estarem sem proteção das políticas públicas ou das medidas econômicas, assim como o próprio Meio Ambiente.


As grandes potências são as principais responsáveis pela liberação de gás carbono na atmosfera e causa efeitos extremos no clima, mas quem sente de forma mais danosa são os países menos desenvolvidos. Isso inclui principalmente pessoas de baixa renda, moradores de periferias, índios, negros, quilombolas e mulheres.


Uma parceria da ONU com ONGs, Fornecedor Global e Aliança Climática. organizou relatórios publicados de 2005 a 2016, no qual relacionasse problemas de saúdes as mudanças climáticas de acordo com o gênero. 130 relatórios foram a analisados e 89 mostraram que as mulheres sofrem mais com os efeitos dos climas em relação aos homens.

130 estudos que buscam calcular os mais prejudicados com as mudanças climáticas de acordo com o gênero. Fonte: Carbon Brief


Muito se engana quem acredita que a mudança de temperatura se trata apenas do derretimento das geleiras, essa problemática já afeta a vida urbana e rural cotidianamente. Com o calor ou frio extremo fora de época ou mais prolongado que o comum, trás prejuízos para agricultura do país e cria a dificuldade para o plantio de alimentos e as vezes causando a perda total da produção. Isso reflete diretamente nos preços dos produtos, e aumenta a dificuldade para as pessoas de baixa renda conseguirem se alimentar de forma apropriada. Os povos indígenas, que tiram sua alimentação do plantio e da pesca, também são atingidos com esse mesmo problema.


Outra consequência são outros eventos extremos como Desmoronamentos, alagamentos, ventanias, tornados, furacões, secas e tempestades, são cada vez mais frequentes nas zonas urbanas. E a falta de políticas públicas de saneamento básico torna ainda mais complicada a vida desses moradores, localizados em sua grande maioria em áreas periféricas ou de ressaca. Diante dessa realidade, os alagamentos devido às fortes chuvas é o reflexo de um escoamento de baixa qualidade, que acaba causando danos materiais, e risco à vida e à saúde.


Município de Laranjal do Jari inundado após fortes chuvas no início de 2022 / Vídeo: Arquivos de Vangela


Vangela S. Bastos, moradora do Laranjal do Jari, Amapá, vivenciou o alagamento que atingiu a população do município no início do ano. “Além de prejuízos físicos, como residência danificada, rede elétrica com problema, riscos de acidentes fatais, prejuízo monetário de móveis, (roubos mesmo em cascos e rabetas) fomos acometidos diretamente com o abalo psicológico, por preocupação constante e desconforto em estar em uma situação fragilizada”, fala sobre as dificuldades que enfrentou.


Muitas indústrias, hidrelétricas e outras empresas são responsáveis pela alta mortalidade dos peixes devido a poluição do ecossistema desses animais. O prejuízo é para o meio ambiente e para os pesqueiros ribeirinhos, pois além de se alimentar dos peixes desses rios também trabalha com a pesca como sustento familiar.


Peixes que morreram pela falta de oxigênio nas águas/ Foto: Joceni Oliveira (SindPesca)

Justiça Climática é um valor de extrema importância para o debate ambiental e eleitoral. É uma forma de alertar as grandes potencias para os prejuízos que eles causam para os países menos desenvolvidos e que são os que menos contribuem para o aumento de CO2 na atmosfera. As populações afetadas, que subsistem das florestas e dos rios, que têm menor atenção por parte da política pública e da distribuição de renda está sendo injustiçada por práticas legais e ilegais contra o meio ambiente.


Educação climática e voto verde


Uma pesquisa publicada em abril de 2017, pela Nature Communications, revela que temos menos de 10 anos para mudar nossos hábitos e diminuir a liberação de gases que aumentam os problemas climáticos. A emergência climática merece uma atenção maior dos líderes mundiais, pois é um problema que já está fazendo inúmeras vítimas, não é algo para se preocupar no futuro, pois já está afetando nosso presente. Sendo assim, se não fizermos isso, os danos ao nosso meio ambiente serão irreversíveis.


Porém, a pergunta que muitos se fazem nesse momento é como ajudar a solucionar tal problema. A resposta é muito simples, uma das opções é buscar educação climática e saber selecionar corretamente nossos representantes políticos, pois eles deliberam sobre a legislação que fiscaliza e protege o meio ambiente.


Portanto, em outubro, acontecerão as eleições, no Brasil, e é de suma importância escolher de forma consciente em quem você vai votar. Analisar se seu candidato está alinhado com as pautas ambientais, se ele tem propriedade e realmente entende a importância de levantar propostas para a defesa desses espaços. É um dos primeiros passos para fazer essa escolha corretamente.


Podemos ajudar nessa preservação ambiental de forma ativa, participando de coletivos que buscam alertar e levam a educação para a população leiga sobre o assunto. Se você não tem muito conhecimento sobre a causa, ainda dá tempo para se informar. Acompanhar ONGs ambientais e indígenas (@Midiaindiaoficial, @_Politize,@clima de eleição) assim como consumir conteúdos relacionados ao tema já é um ótimo caminho para conhecer e votar com consciência ambiental.


O Instituto Mapinguari é um exemplo de perfil com conteúdo voltado para a conscientização e incentivo ao voto verde. Uma série de vídeos e posts educativos, é produzida para ressaltar a importância da defesa do meio ambiente.


Yuri Silva, um dos diretores do Instituto Mapinguari, está ativo nesse movimento digital. “No debate eleitoral o tema Amazônia é pouco debatido, então, a ideia é estimular esse voto pela Amazônia e projetar esse debate no senado nacional e eleitoral. Fazer com que os candidatos a governos, deputados, senadores e presidentes debatam o tema ambiental, explica o objetivo. Podemos recuperar nossa natureza através da informação e inteligência na escolha dos nossos futuros representantes.


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