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“Vivo disso”: o trabalho informal em Macapá

Atualizado: 8 de abr. de 2023

Com poucas oportunidades na cidade, trabalhadores encontraram na informalidade uma maneira de ter uma renda.


Por Gabriela de Matos

No centro da cidade é comum ver inúmeros vendedores ambulantes que sobrevivem com a renda do trabalho informal. Foto: Gabriela Matos/ Jornalismo Unifap.

O trabalho informal em Macapá tem sido a principal renda de muitas famílias da cidade, como é o caso da vendedora de Chopp Gourmet Cléia Melo e da vendedora de doces Lara Fabian, que há mais de três anos estão atuando na informalidade. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Estado do Amapá possui a taxa de desocupação alta, houve aumento de 13 mil pessoas desocupadas. Uma parcela dessas pessoas, muitas vezes por não conseguir um emprego formal, ingressam no mercado informal.


De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD), realizada pelo IBGE em 2022, a taxa de desocupação no Amapá cresceu no 4º trimestre do ano passado, sendo o único estado que mostrou alta no último trimestre. Enquanto o índice do Brasil registrou queda de 8,7% para 7,9%, o do Amapá subiu de 10,9% para 13,3%.


O gráfico mostra a taxa de desocupação nacional de maneira geral, existe queda no Brasil em 2022. Foto: Agência de notícias/IBGE.

Vale destacar que a desocupação normalmente é utilizada como uma palavra sinônima ao desemprego, entretanto não está correto. Quando falamos em desemprego se refere a um trabalho formal, com vínculo empregatício, enquanto a expressão desocupação representa melhor essa parcela de pessoas que está em busca de um trabalho, ou trabalhando de maneira informal, como é o caso da vendedora de chopp Cléia Melo.


Cléia, natural de Macapá, começou seu próprio negócio há quatro anos e desde então o “Cléia Gourmet” tem sido sua fonte de renda. “Minha renda eu tiro daqui. Vivo disso! Tem o meu marido também, mas depois que eu comecei com o chopp gourmet melhorou bastante”, conta.

Cléia utiliza como objeto de trabalho um carrinho para transportar seu Chopp Gourmet pelas praças da cidade, onde costuma vender. Foto: Gabriela Matos/Jornalismo Unifap.

A vendedora diz que não possui uma especialização, entretanto ela não começou nas vendas porque não conseguiu um trabalho formal. Cléia conta que começar seu próprio negócio a ajudou em momentos difíceis de sua vida. "Depois que a minha mãe faleceu, eu quase entrei em depressão, e isso foi um modo de ocupar minha mente naquele momento, e depois fui continuando”, relata. E completa, revelando que tem como propósito transformar esse trabalho informal em sua empresa. “Ainda esse ano, se Deus quiser, quero deixar meu negócio registrado”, afirma.


Assim como Cléia, a vendedora Lara Fabian, 21 anos, possui seu próprio negócio há cerca de três anos, desde o início da pandemia. Ela conta que com a chegada da pandemia, muitas pessoas foram obrigadas a abrir seu próprio negócio para se sustentar, já que não podiam sair de casa para trabalhar e muitas empresas cortaram o número de funcionários nessa época.

Lara fabrica os doces em sua própria casa. Foto: Arquivo pessoal/ Lara Fabian.

Lara atua na venda de doces e produtos de confeitaria e, atualmente, por conta das datas comemorativas, trabalha fazendo ovos de Páscoa. Ela conta que nunca trabalhou de carteira assinada e, sendo mãe de uma menina de um ano e dez meses, é difícil estar em um emprego fixo. “É complicado trabalhar de carteira assinada com filho pequeno e em tempo integral, com meu próprio negócio consigo conciliar meu tempo de mãe e empreendedora”, destaca.


A vendedora menciona que nos últimos anos Macapá não tem sido um lugar acessível para conseguir um trabalho formal. “Pelo que eu vivi, já tentei várias vezes quando mais jovem, e é sempre muito difícil. O que eu vejo são pessoas que entram em alguma empresa porque conhecem alguém importante no lugar e acabam indo por indicação, e com isso muitas pessoas que até mesmo têm especializações ficam sem conseguir um trabalho formal”, diz.


Além disso, ela relata que aqui muitas empresas exigem experiências e na maioria das vezes querem pessoas jovens e formadas, e para quem está tentando entrar no mercado de trabalho acaba ficando em uma rua sem saída.


Eu prefiro trabalhar em casa, consigo ver um rendimento melhor, consigo notar meu esforço e todas as etapas do meu trabalho. Acho que com um emprego integral de carteira assinada, eu iria trabalhar mais e ganhar menos,pelo que eu vejo com meu marido, que tem um trabalho formal", conclui Lara.


A dificuldade no acesso ao mercado de trabalho tem levado muitas pessoas a abrir seu próprio negócio ou ingressando na informalidade. A divulgação de vagas no estado tem sido feita de modo independente pelas empresas, que utilizam contas em redes sociais para anunciar, entretanto esse mecanismo alcança um pequeno nicho de pessoas.


O Sistema Nacional de Emprego no Amapá (Sine-AP) é uma maneira dessas vagas chegarem a diferentes círculos sociais. O serviço busca organizar o mercado de trabalho, de modo que inclua todos os níveis de escolaridade e experiência.

O CTA e SINE ficam no mesmo prédio da Casa do Trabalhador, no Bairro Santa Rita. Foto: Gabriela Matos/Unifap.

Conforme a representante do Sine, Micaela Fernandes, as vagas são divulgadas no site da Secretaria do Trabalho e Empreendedorismo (Sete) e em veículos de comunicação. A maioria das empresas cadastradas exigem experiência ou especialização, e muitas vezes quando surge uma vaga que não possui essas exigências, são preenchidas muito mais rápido. Isso evidencia a necessidade que as pessoas têm de ingressar no mercado de trabalho e a baixa qualificação desse público.


A Central do Trabalhador Autônomo (CTA) também atua divulgando vagas de trabalho, direcionadas para autônomos realizarem trabalhos informais e temporários. Segundo Advaldo Junior, funcionário da CTA, esses serviços exigem um cadastro que é feito na Casa do Trabalhador e, após isso, o autônomo ou também quem busca um serviço formal ficam cadastrados em um sistema de contatos.


*Reportagem produzida na disciplina de Webjornalismo ministrada pelo professor Alan Milhomem

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