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Moda circular: brechós e a inovação em looks no Amapá

  • Foto do escritor: AGCom
    AGCom
  • 1 de nov. de 2025
  • 4 min de leitura

Mercado de roupas usadas une criatividade, sustentabilidade e economia em um só lugar.


Por Jenifer Martins Schmidt*


No brechó, roupas e acessórios ganham uma segunda vida, aliando estilo e consciência ambiental. Foto: Arquivo pessoal / Alana Miranda.
No brechó, roupas e acessórios ganham uma segunda vida, aliando estilo e consciência ambiental. Foto: Arquivo pessoal / Alana Miranda.

O mercado de brechós no Brasil tem crescido nos últimos anos e, de acordo com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), em 2023 o país contava com mais de 118 mil brechós ativos, um aumento de quase 31% ao longo dos últimos cinco anos. A revista Fast Company aponta que pessoas que costumam comprar roupas de segunda mão têm, pelo menos, 12% do guarda-roupa ocupado por peças que já tiveram outro dono.


Enquanto as marcas de grife e as lojas convencionais praticam preços exorbitantes, o mercado de roupas usadas tem se destacado popularmente como uma alternativa sustentável, tanto pela diminuição do impacto ambiental, com a reutilização de peças têxteis, quanto pela possibilidade de os clientes criarem um estilo de moda próprio.


Paixão por criar a partir de peças reutilizadas


A influencer digital Irlan Paixão aposta em peças de brechó para compor seu estilo pessoal. Foto: Arquivo pessoal.
A influencer digital Irlan Paixão aposta em peças de brechó para compor seu estilo pessoal. Foto: Arquivo pessoal.

No Amapá, blogueiras digitais como Irlan Paixão fazem uso das redes sociais para influenciar a comunidade amapaense a encontrar e criar um estilo com peças reutilizadas que transmitem personalidade.

A influencer Irlan Paixão destaca que, há dez anos, seu guarda-roupa tem sido preenchido com roupas reutilizadas, o que, para ela, possibilita refazer um novo look condizente com seu estilo pessoal.


“Acho que pelo menos 80% do meu guarda-roupa é composto por peças de brechó, onde eu escolhi a peça a partir daquela paixão inicial, mas, em seguida, já começo a repensar e recriar essas peças, dando uma perspectiva muito mais pessoal e recriando o meu visual a partir das minhas próprias roupas”, destaca a influenciadora digital.

Ela ainda ressalta a importância que esses brechós têm na oferta de peças com um bom custo-benefício e na abertura da possibilidade de um novo olhar para as roupas.


“Quando a gente pensa em brechós, imagina um lugar onde vai encontrar uma peça de roupa com um custo-benefício muito bom e já começa a imaginar todo o contexto histórico daquela peça, como ela foi garimpada com tanto amor pela dona, e isso permite que a gente se conecte com algo que, eventualmente, seria descartado” observa.


No cenário do empreendedorismo, Alana Miranda é dona de uma loja on-line chamada “Pequenino Brechó”. Ela conta que sua paixão por vender roupas usadas nasceu pela motivação de expressar a moda como uma forma de arte.

O empreendedorismo de Alana dentro do mercado da moda circular é marcado pela inovação e sustentabilidade. Foto: Arquivo pessoal / Ilana Miranda.
O empreendedorismo de Alana dentro do mercado da moda circular é marcado pela inovação e sustentabilidade. Foto: Arquivo pessoal / Ilana Miranda.

“Ao garimpar uma peça, consigo compor um look com outras também garimpadas. Nesse processo, alguém adquire essa roupa porque ela faz sentido para sua personalidade e eu me sinto realizada. Sinto que essa é uma das minhas formas de existir artisticamente no mundo”, ressalta.


A empreendedora conta que resolveu montar seu brechó com o objetivo de contribuir para a moda de forma acessível e sustentável. “Sempre estive envolvida com a cultura de brechós por ser uma alternativa que, inicialmente, atrai pelo preço acessível das peças. Conforme me tornei adulta, passei a dar um sentido criativo e sustentável a essa cultura”, completa.


Moda circular: Uma nova vida para peças que seriam descartadas


A maior procura por brechós desenvolve, também, maior abertura para discussões ligadas à economia, redução de resíduos e conscientização nas pautas sustentáveis. As influencers brasileiras Gabi Felix (@gabimfelix) e Anna Egreja (@annaegreja), por exemplo, divulgam no Instagram a importância do garimpo e da reutilização das peças de roupa. No modelo de negócios circular, busca-se minimizar o desperdício na indústria da moda, por meio do prolongamento útil das peças, renovando e reduzindo os impactos negativos na natureza.


De acordo com um estudo realizado pelo Boston Consulting Group (BCG) em parceria com o site de compras e vendas Enjoei, atualmente, 70% dos compradores em brechós afirmam gostar do fator sustentável que ronda o consumo. As crises climáticas geradas pelo consumo desenfreado, atrelado à queima de combustíveis fósseis e ao desmatamento, têm levado a população a aderir a alternativas sustentáveis.


A fundadora do BCG, Bruna Vasconi, em entrevista dada ao Correio Brasiliense, ela ressaltou que a indústria têxtil é caracterizada pela quantidade considerável de produtos químicos utilizados em diversos processos, gerando muitos fluxos de resíduos. “Embora o resíduo específico dependa do tipo de instalação têxtil de onde provém, estima-se que, em 2015, a indústria da moda foi responsável por quase 79 bilhões de metros cúbicos de água consumida, 715 milhões de toneladas de emissões de CO2 e 92 milhões de toneladas de resíduos”, destacou a CEO na entrevista.


Os brechós, por ser uma alternativa de manter as roupas em circulação pelo maior tempo possível, possibilita que novos públicos engajem na temática com o objetivo de evitar a geração de resíduos não sustentáveis.


Economia de recursos sustentáveis

A moda circular promove um uso mais inteligente dos recursos naturais ao reduzir o desperdício de peças e incentivar o reaproveitamento de tecidos na criação de novas vestimentas. Busca-se, assim, propor que os produtos não sejam descartados, mas devidamente reutilizados após o uso.


Segundo o economista Charles Chelala, o consumo em brechós tem se tornado crescente, com uma maior demanda. Por ser algo mais acessível ao consumidor, a procura tem aumentado, tornando a comercialização dessas peças cada vez mais organizada.

O economista Charles Chelala aponta que a geração de renda extra e o acesso a vestuários mais baratos são algumas das causas do crescimento de brechós. Foto: Arquivo pessoal / Charles Chelala.
O economista Charles Chelala aponta que a geração de renda extra e o acesso a vestuários mais baratos são algumas das causas do crescimento de brechós. Foto: Arquivo pessoal / Charles Chelala.

“A oferta se movimenta com a demanda e a demanda por moda circular tem crescido cada vez mais e, devido a sua importância social e ambiental, esses movimentos têm se tornado cada vez mais organizado e estruturado, tanto na forma como se comercializam como na apresentação dos produtos”, ressalta.


Na busca por roupas mais baratas e sustentáveis, os brechós possibilitam que a população tenha acesso a vestuários exclusivos e de baixo custo e, para alguns, renda extra. “O que se observa no Brasil, e principalmente no Amapá, é que esse movimento está crescendo por ser uma forma de geração de renda extra e de consumo consciente e acessível para aqueles que desejam adquirir roupas, mas não têm recursos para comprar novas”, completa.


*Matéria produzida na disciplina de Laboratório de Produção Jornalística, ministrada pela professora Ma. Jacqueline Araújo.

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