• Léo Nilo

Greenpeace Brasil 29 anos: Conheça o papel da organização no Amapá

Em meio à disputa entre preservação de corais e exploração de petróleo, a ONG chegou ao estado em 2017.

Foto: Arquivo do Greenpeace Macapá

A ONG socioambiental Greenpeace completou 29 anos de atividade no Brasil, na última segunda-feira, 26. Na defesa do meio ambiente e de um mundo mais pacífico, a organização sempre esteve presente na luta pela Amazônia, um dos ecossistemas mais importantes do mundo. No Amapá, atua ativamente desde 2017, hoje contando com um grupo local de quase 20 voluntários.

Em 2012, o Greenpeace organizou a petição “Desmatamento Zero” e o Amapá foi o primeiro estado brasileiro a ter representantes políticos assinando o documento. Porém, a história da célula macapaense começa com a descoberta do recife de corais amazônicos, em abril de 2016, uma área de até 56 mil km² que vai da ponta do Amapá, fronteira com a Guiana Francesa, até o Maranhão. Pela profundidade e escuridão da água em que o recife se encontra, sua própria existência desafia a ciência e instiga maiores pesquisas. O problema, no entanto, é que o mesmo perímetro é visado por empresas petrolíferas como fonte de exploração. Um derramamento de petróleo na área arriscaria todo o ecossistema da Foz do Rio Amazonas, o que provocou reações da sociedade civil organizada e, eventualmente, do Greenpeace Internacional.

A Dra. Ana Euler, pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) e membro do Fórum de Acompanhamento dos Conflitos Agrários e do Desenvolvimento (FACADE), presenciou a estruturação da organização em Macapá, em especial sua interação com o FACADE. “Colegas do Greenpeace vieram para cá e fizeram uma imersão de uma semana com o FACADE para pensar o planejamento estratégico, onde nós compusemos uma agenda de ações”, ela afirma. Dessa relação, surgiu o seminário socioambiental “O Amapá Que Queremos Ver”, realizado em maio de 2017, em que a situação do petróleo compôs um grande eixo temático.

Seminário Sócio-ambiental "O Amapá que Queremos Ver". Foto: Reprodução Facebook

Karen Góes foi uma das coordenadoras do seminário, como cidadã, e viu no Greenpeace uma possibilidade de se organizar politicamente em alguma instituição. Hoje, é voluntária da ONG em Macapá e relembra como a campanha “Defenda os Corais da Amazônia” se tornou mundial: “A gente conseguiu compartilhar [o conhecimento produzido sobre os corais amazônicos] com o mundo todo. A gente teve manifestação dos franceses querendo defender os corais da Amazônia na França, (...) na Inglaterra também”.


Protesto contra exploração de petróleo na costa amapaense. Foto: Ana Euler (Arquivo Pessoal)

COOPERAÇÃO INTERNACIONAL

Cada escritório do Greenpeace possui certa independência para organizar suas pautas de acordo com a prioridade da área, seguindo sempre as missões e valores fundamentais da organização. Em Macapá, o grupo tem como objetivos principais, além da defesa do Recife Amazonas, o combate à grilagem e a demarcação de terras indígenas e quilombolas.

Esta relação entre o local e o exterior, para Ana Euler, é um dos aspectos mais positivos deste modelo de ativismo. “A ciência é universal. Os países têm fronteiras, a ciência não. Hoje a gente não faz ciência se não for em redes de pesquisa, porque o conhecimento não está em um só país ou grupo, ele tem que ser um conhecimento construído e compartilhado”, ela ressalta.

“Os países têm fronteiras, a ciência não” - Dra. Ana Euler

ATIVISMO DIGITAL

Durante seus anos de existência, o Greenpeace viu e acompanhou diversas mudanças na forma de fazer ativismo. No século XXI, a internet e as mídias sociais tomaram o protagonismo da comunicação em quase todas as esferas, tornando-se mais um instrumento possível para a luta política.

Greenpeace Macapá protestando contra derramamento de óleo em 2019. Foto: Arquivo do Greenpeace Macapá

Durante a pandemia do COVID-19, todas as atividades do grupo precisaram ser limitadas ao online, que antes era apenas um suporte. “Foi um processo bastante difícil que testou nossa capacidade de engajamento (...), mas foi uma situação extremamente necessária, porque o contexto brasileiro de tomadas de decisão relacionadas ao meio ambiente estava muito mais grave do que foi em anos anteriores”, relata Karen Góes.

A ação global encabeçada pelo Greenpeace no Amapá, em 2017, funcionou e, por enquanto, as empresas interessadas em explorar o petróleo próximo ao Recife Amazonas tiveram seus planos interrompidos, ainda que isto dificilmente signifique que elas desistiram. Enquanto isso, a ONG e a comunidade de ativistas socioambientais da região permanecem vigilantes e prontas para a rearticulação, caso necessário.

COMO AJUDAR

O Greenpeace é uma organização não governamental e, portanto, sobrevive da ajuda e colaboração dos cidadãos. Você pode fazer uma doação ou tornar-se um voluntário através dos links.


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