• Giovanna Moramay

Dia do Estudante na Unifap é marcado por Ato do movimento estudantil

No dia 11/08, a mobilização aconteceu em prol da educação e contra o sucateamento da Universidade. Estudantes, servidores públicos e o Senador Randolfe Rodrigues caminharam, levantaram cartazes e se pronunciaram.

Por Giovanna Moramay Lins


(Foto: Giovanna Moramay Lins/AGCOM)

No Dia do Estudante (11/08), ocorreu na UNIFAP uma manifestação dirigida por diversos coletivos e movimentos sociais, com objetivo de protestar contra os cortes de verbas para educação, promovidos pelo Governo Federal, e, em âmbito local, criticaram a gestão da Reitoria para o retorno às aulas presenciais em 2022. Manifestantes caminharam pela universidade e depois seguiram até a Rodovia JK.


(Foto: Gabriela de Matos/AGCOM)


(Foto: Gabriela de Matos/AGCOM)


(Foto: Isadora Carneiro)

Os estudantes presentes no protesto entendem a necessidade de lutar para conquistar direitos, manifestando necessidade e prioridades. Logo, essas movimentações são em prol do coletivo e beneficiam todos os cursos. O movimento estudantil tem lutado pelo funcionamento do RU desde o período semestral anterior, quando houve retorno semipresencial e por melhores condições de segurança e iluminação. As melhorias não vêm sem que se mobilize por elas e sem contestar cenários estruturais da economia e da cidade que promovem mais qualidade à vida estudantil.

O sucateamento do transporte público é uma pauta antiga dos movimentos sociais presentes no protesto, muitos levantando a bandeira “Fora SETAP”, referente ao Sindicato de Empresas de Transporte do Amapá. No microfone, militantes lembraram da dívida de 67 milhões de reais do SETAP perdoada pelo ex-prefeito de Macapá Clécio Luís (Rede), em 2020, além da aplicação de dupla função para motoristas, que devem agir também como cobradores sem direito a acréscimo salarial, que atrasa ainda mais o funcionamento dos ônibus. Dois anos atrás, foi argumentado que as consequências seriam superlotações e aumento do tempo de espera, previsão mais do que confirmada.

(Foto: Gabriela de Matos/AGCOM)

"A manifestação de hoje tem o intuito de colocar a nossa posição, a dos estudantes e da classe trabalhadora, para protestar tanto a situação do transporte público no Amapá, quanto para assumir papel de combate ao modelo econômico neoliberal, responsável pelas mazelas atingindo a nossa sociedade, como sucateamento da saúde, alimentação, educação, colocando tudo como mercadoria. Estamos protestando hoje para falar isso, saúde não é mercadoria, alimentação não é mercadoria, educação não é mercadoria, nós não somos mercadoria, mas cada vez mais nossas vidas e direitos são vistos como mercadoria e nós nos tornamos descartáveis nesse sistema”, declarou o ativista, poeta e estudante de filosofia José Simão (@enpretiadu_).


Militante José Simão concede entrevista à AGCOM (Foto: Gabriela de Matos/AGCOM)

Sofia Corrêa, caloura de teatro, fala que além das dificuldades para chegar ao local das aulas, vários cursos “menores” sofrem com falta de professores, além de condições precárias nas instalações. Os alunos ainda têm que lidar com múltiplos obstáculos proporcionados pela exclusão social, “tenho colegas que moram do outro lado da cidade e precisam do transporte público para chegar aqui e assistir aula, em uma universidade que é pública e eles lutaram muito para entrar e eles não conseguem vir, nem todos nós conseguimos vir. É muito complicado se esforçar para entrar em uma federal e não ter nada, talvez nem a aula".

José Simão, representando o Movimento por uma Universidade Popular, também fala de uma precarização dos serviços públicos fora da universidade responsáveis por fomentar a desigualdade social, entravando o pleno acesso ao ensino superior e lembra as palavras de Darcy Ribeiro, "a crise na educação não é uma crise, é projeto”.

Também foi lembrado que 2022 é o ano da renovação da Lei de Cotas e é essencial a conscientização dos estudantes, para mobilização pelo mantimento desse direito.

Ativista José Simão (Foto: Gabriela de Matos/AGCOM)

Falando pelo Levante Amapá (@levanteap), o militante Matheus Gomes destaca como é importante manter os benefícios já ganhos que ameaçam ser retirados no retorno às aulas presenciais. “Os alunos que voltaram agora encontraram uma UNIFAP extremamente sucateada, sem restaurante universitário aos sábados, sem um DCE presente, onde um reitor indo para sua segunda gestão não responde às demandas dos acadêmicos".

Matheus Gomes e demais militantes do Levante Amapá pré-manifestação(Foto: Gabriela de Matos/AGCOM)

Matheus Gomes e demais militantes do Levante Amapá(Foto: Isadora Carneiro)

“É muito importante vincular as nossas pautas nacionais com as locais. Nacionalmente nós temos o atual governo que retira dinheiro da educação, promove desmonte de direitos sociais e ameaça a nossa democracia, enquanto aqui na UNIFAP estamos lidando com uma reitoria omissa que não garante uma série de condições básicas para os estudantes, como segurança, iluminação, restaurante universitário aberto aos sábados e uma série de outros processos que quem está aqui no dia a dia enfrenta” declara Rafael Serra, estudante de geografia e membro do coletivo Juventude Manifesta - Amapá.


Ativista Rafael Serra do Juventude Manifesta - Amapá (Foto: Giovanna Moramay Lins/AGCOM)

Em meio a caminhada em direção a concentração no Bloco de Saúde, o estudante de letras e ex-presidente do DCE (Diretório Central dos Estudantes), Daniel Lima, sintetiza os problemas e demandas levantados pela manifestação, explicando que estão sendo levantadas pautas nacionais como o orçamento insuficiente repassado pelo MEC e a situação geral das federais, como é o caso da UFRJ que ameaça fechar as portas, destacando que na UNIFAP os estudantes não têm um posicionamento da atual gestão sobre o impacto desses cortes na universidade.

“Mas temos as pautas locais também, a universidade vive uma situação muito dramática, temos problemas de iluminação, de abastecimento de água nos blocos, banheiros e bebedouros precários que não funcionam, temos a casa do estudante que está pronta desde 2016 e não há nenhuma previsão de ser inaugurada, a biblioteca funciona em condições precárias mesmo com um novo bloco pronto especialmente para ela, sem previsão de entrega, além da nossa situação com restaurante universitário, que com retorno presencial tivemos o sábado retirado e o horário de funcionamento não contempla os estudantes que estudam de noite. Você percebe que são pautas muito mínimas e básicas que não devíamos nem estar reivindicando” diz Daniel, que ainda destaca que isso tudo é somado a uma perda de recursos da UNIFAP referindo-se a uma devolução ao Governo Federal de 900 mil reais, em 2020, e de 2 milhões, em 2021, fazendo os alunos se perguntarem qual motivo desses recursos não serem utilizados, tendo em vista a falta de tantos serviços básicos.

Daniel Lima fala para os demais manifestantes (Foto: Gabriela de Matos/AGCOM)

A manifestação contou com a presença de Representações da UJC-AP (União da Juventude Comunista no Amapá), o MUP (Movimento por uma Universidade Popular no Amapá) e o PCB-AP (Partido Comunista Brasileiro, que completa seu centenário em 2022), diversos ex-alunos, professores da rede pública e outras organizações, entre elas o MAB - Movimento dos Atingidos por Barragens, que justificou sua presença através do slogan “mulheres, educação e água não são mercadorias”.

O protesto também contou com a presença do Senador da República Randolfe Rodrigues, líder da oposição ao governo Bolsonaro no Senado Federal. Ao ser perguntado o motivo de sua presença, respondeu que "hoje, em mais de 15 capitais pelo país, a juventude está se mobilizando em defesa da educação e os brasileiros estão se mobilizando em defesa da democracia, estão se mobilizando para dizer o fascismo não passará no Brasil. A data de hoje tem múltiplos simbolismos, primeiro é o Dia do Estudante, segundo é o Dia do Advogado e das liberdades jurídicas e, por fim, fazem 45 anos que estudantes se reuniram para lançar a Carta aos Brasileiros, lançada dias depois do governo ditatorial fechar o Congresso Nacional. Naquele momento, em 1977, os jovens se reuniram para dizer estado democrático de direito já!, hoje a declaração que estamos fazendo em todo Brasil é ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO SEMPRE! Hoje é um dia histórico e eu vim aqui participar da movimentação dos estudantes, pois eu tenho que saudar, todos temos que saudar, a coragem do movimento estudantil sempre”, declarou o senador pouco antes da manifestação chegar ao seu destino final na Rodovia Jk em frente a UNIFAP.

Senador Randolfe Rodrigues também compareceu ao protesto (Foto: Gabriela de Matos/AGCOM)

Randolfe concede entrevista à AGCOM (Foto: Gabriela de Matos/AGCOM)

A AGCOM entrou em contato com a assessoria da reitoria em relação às críticas levantadas nessa matéria e fomos informados que, em função de suas férias, o Reitor Júlio César Sá de Oliveira declinou direito de resposta..

(Foto: Giovanna Moramay Lins/AGCOM)

(Foto: Gabriela de Matos/AGCOM)


(Foto: Isadora Carneiro)


(Foto: Isadora Carneiro)


Manifestantes fecham brevemente a Rodovia JK (Foto: Giovanna Moramay Lins/AGCOM)

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