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Canais a céu aberto de Macapá viram depósito de lixo e causam doenças

Atualmente, a capital tem apenas 7% de cobertura de esgoto. Canais são alternativas não sustentáveis para o depósito.


Por David Felipe e Matheus Antônio


Canal em céu aberto no bairro do Beirol. Foto: David Felipe e Matheus Antônio

O esgoto a céu aberto é uma realidade para quase 90% da população de Macapá. O resultado está em uma rede de saneamento básico ultrapassada que deposita o esgoto em canais espalhados pela cidade, afetando, diretamente, a saúde da população. Água parada, contaminação do solo e doenças como hepatite, cólera e dengue, são alguns problemas relatados por moradores do entorno.


Os canais também despertam outro problema ambiental: depósito de lixo. Em períodos chuvosos, a situação agrava com as enchentes. “É um problema bem complicado, principalmente quando chove. Teve um ano, durante as chuvas de dezembro, que a água batia nos joelhos, inundava toda a casa. Muita coisa foi perdida, móveis, geladeira, camas, fogão”, conta Luiz Henrique, que mora próximo do canal do Buritizal.


O arquiteto e urbanista, Renato Luiz, aponta que os canais não atendem a necessidade de uma capital e que, ainda, apresentam falhas. “Não existe um escoamento correto da água acumulada”, ressalta.


Por não ter uma estrutura adequada de saneamento básico, o esgoto é despejado nos canais e, em seguida, no Rio Amazonas. Nesse mesmo rio, grande parte da população retira água para o consumo. O professor de Química, Madson Jonhe da Costa, comenta que a água pode transmitir doenças graves. “A concentração de lixo é um fator propício a infestação de insetos”, afirma.

Políticas públicas

De acordo com a assessoria da Concessionária de Saneamento do Amapá (CSA), o estado possui, atualmente, 7% de cobertura de esgoto e o compromisso deles é chegar a 90% nos primeiros anos da concessão.


“Cuidamos da rede de esgoto, que fica debaixo da terra e interliga as casas ao sistema de escoamento, sendo direcionado para Estação de Tratamento de Esgoto. A CSA tomou posse no dia 13 de julho de 2022, com prazos contratuais a serem cumpridos em determinados anos. O trabalho é recuperar a infraestrutura recebida e as expansões estão em planejamento para iniciar em 2023”, diz a nota.


Conscientização

O lixo acumulado no local causa enchentes, pois impede a passagem do fluxo de água. Além disso, a falta de manutenção frequente dos canais, por parte do poder público, prejudica o escoamento das águas. Em novembro de 2022, a Prefeitura de Macapá fez reforma em alguns pontos.


“A população também não colabora tanto, jogando muitas vezes lixo no próprio canal, se você for fazer uma caminhada por perto, vai poder ver, sofás, cadeiras, até um forno eu já vi jogado, além de lixos do dia a dia mesmo, fazendo a situação piorar”, denuncia Luiz Henrique.


Costa reforça que, para amenizar os problemas ambientais e de saúde, é necessário que a poluição seja interrompida no local. Dessa forma, deve ter ações de educação ambiental aos moradores do entorno de canais, a fim de evitar o depósito exagerado de lixo no local.


Canal em céu aberto, Beirol. Foto: David Felipe e Matheus Antônio

Enquanto as políticas públicas não resolvem o problema, podemos adotar medidas para combater a poluição, como separar lixos recicláveis e orgânicos, distribuir postos de coleta apropriados para resíduos, substituir sacolas plásticas por biodegradáveis. Uma outra saída eficaz é a educação ambiental nas escolas e nos meios de comunicação.


Ponto de esgoto no canal em céu aberto, Beirol. Foto: David Felipe e Matheus Antônio


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