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Cadê as revistas? Bancas enfrentam dificuldades em meio à ausência de produtos

Hoje, as bancas precisam oferecer itens de papelaria, lanches, cosméticos e serviços de xerox pra se manter.


Por Agnes Matilde

Luiz Celito Melo, dono da Banca do Luiz. Foto: Agnes Matilde

Eram momentos de euforia. Diferentes públicos das mais diversas idades se reuniam em um único lugar. Crianças, acompanhadas por seus pais, procuravam pelos gibis e pelas últimas edições de revistas de passatempo. Adolescentes buscavam por novidades em quadrinhos e de lançamentos de revistas teen. Os adultos, além dos jornais, se perdiam em meio às palavras cruzadas e edições dos mais variados tipos de temática. Às sextas-feiras eram muito mais do que apenas o último dia útil da semana, mas também eram marcadas pelo momento em que as últimas tendências eram colocadas no formato impresso.


Luiz Celito Melo, dono de banca há 27 anos, lembra desses tempos com nostalgia. Oferecendo itens de papelaria, lanches e serviços de xerox, ele conta sobre os desafios de manter a banca em meio ao pouco movimento. “Não tem mais isso, o pessoal hoje só procura revista pra recorte de trabalho escolar e jornal pra cachorro mijar em cima”, expõe Luiz.


As bancas não mais se mantém pelas revistas, todas recorreram à venda de outros tipos de itens e ao oferecimento de outros serviços. Algumas, com o passar do tempo, passaram a vender somente palavras cruzadas, procuradas majoritariamente pelo público mais velho. Também começaram a disponibilizar outros utensílios para compra.

A falência da Editora Abril, o advento da internet e a migração para os meios digitais levaram às bancas de revista a adotarem uma nova roupagem. Hoje, as revistas a serem vendidas são de edições antigas, tendo como itens mais recentes apostilas e editais para concursos públicos. No decorrer dos anos, as bancas que permanecem ativas já buscavam por outros meios de manutenção.


Nos últimos três anos, com o fim do fornecimento de lançamentos em decorrência do fechamento de distribuidoras, passaram a enfrentar mais dificuldades. O número desses estabelecimentos existentes em Macapá, segundo Rosa Furtado, proprietária da segunda banca mais antiga da cidade, Banca da Rosinha, não deve chegar a dez. “Vamos resistindo ainda… Tentando”, declara Rosa.


Dispondo de vendas de cosméticos, lanches, sandálias e entre outros itens, a Banca da Rosinha é mantida | Foto: Agnes Matilde

O acesso a edições mais recentes de quadrinhos é realizado nas livrarias, que possuem fornecedores próprios. Matheus Xavier, estudante de Artes Visuais e leitor de quadrinhos, costumava frequentar as bancas. A preferência pela leitura pelo meio digital ocorre por nem todas as histórias estarem disponíveis no Brasil em edição física e traduzida, mas as edições disponíveis que possui e busca adquirir são para fins de coleção.


Eu não paro [em bancas] porque não chegam novidades lá, são mais algumas revistas que tão um pouco paradas”, esclarece Matheus a respeito de não ir mais nas bancas tradicionais. O estudante, ainda, falou sobre como a grande maioria das bancas viraram pontos de lanchonete para conseguirem se manter.


Atualmente, o único jornal impresso que circula nas bancas é o Diário do Amapá, sendo fornecido apenas duas vezes na semana, nas quartas e nos domingos, por também ser um veículo de comunicação que aderiu aos meios digitais. Todas as bancas possuem o mesmo fornecedor, pertencente ao Francisco Leite. Há mais de 70 anos em atividade, ele foi o primeiro distribuidor de revistas em Macapá e pôde acompanhar as mudanças da cidade e do estilo de vida das pessoas de perto. Hoje, Francisco mantém a distribuidora comprando edições já existentes e restaurando as que retornam quando não são atendidas.


“O jornaleiro não é mais jornaleiro só da revista, porque dificilmente ele vai viver disso. As editoras fecharam. O que nós estamos editando hoje são caça-palavras, gibis, alguns itens… Mas a revista mesmo desapareceu. Aquelas sobre televisão, esportes… Aquilo tudo desapareceu”, afirma Francisco. O proprietário da distribuidora também constata que no estado o hábito de leitura não é muito presente e que todas as edições antigas guardadas no depósito eram ainda do tempo em que acreditava nas bancas de revista. Em se tratando do futuro, ele não sabe o que pode acontecer com o acervo, uma vez que a fornecedora se mantém enquanto ele estiver em atividade.


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