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Amapá não dispõe de tratamento para câncer infantil e pacientes precisam ir para outros estados

Só em 2021, conforme dados do governo, 50 crianças amapaenses estavam em tratamento contra o câncer.


Por Neurizete Duarte e Sandra Castro


Os tumores mais frequentes na infância são as leucemias e os linfomas. Foto: Albenir Sousa

O câncer infantojuvenil é definido como o conjunto de doenças que têm em comum a proliferação descontrolada de células anormais e que pode ocorrer em qualquer local do organismo. Essas doenças geralmente afetam as células do sistema sanguíneo e os tecidos de sustentação. Só em 2021, conforme dados do Governo do Amapá, 50 crianças amapaenses estavam em tratamento contra o câncer. E o mais grave, todas no Programa de Tratamento Fora de Domicílio (TFD), pois o estado ainda não dispõe de tratamento para este público.


Quem precisa de tratamento precisa sair do estado, como aconteceu com dona Maria Joana Sobrinho, 32 anos, mãe de Mariele Sobrinho, 4 anos, e diagnosticada com leucemia. Elas precisaram ir para Belém, no Estado do Pará, para fazer tratamento no Hospital Otávio Lobo. A mãe conta que foram dois anos de luta pela saúde da filha, que infelizmente não resistiu ao tratamento.


“Foram dois anos de luta e muito sofrimento pelo fato de estar longe da minha terra natal. Tive que dispor de muitos recursos, visto que a ajuda de custo prevista em lei para pacientes que estão em tratamento fora do Amapá não era depositada no prazo, além de tratar de um valor mínimo frente aos constantes gastos que tínhamos diariamente. Apesar de estarmos em tratamento em um hospital, infelizmente minha filha não aguentou o tratamento e faleceu em setembro”, relata a mãe.


Com relação ao atendimento de crianças e adolescentes, o Amapá dispõe do Pronto Atendimento Infantil (PAI) e do Hospital da Criança e do Adolescente (HCA), que é referência no atendimento a crianças e adolescentes diagnosticadas ou com suspeitas de câncer. Conforme a assistente social e responsável técnica pelo Setor Psicossocial do HCA/PAI, Edith Cavalcante, o acesso de crianças e adolescentes nos serviços de saúde ocorre de duas formas: pacientes internados e pacientes da comunidade.


“Os pacientes internados acessam o hospital através do PAI, posteriormente são internados e transferidos para o HCA dando prosseguimento a investigação da patologia através do acompanhamento por médicos especialistas. Em caso sugestivo ou confirmado diagnóstico de câncer, eles expedem laudo com indicação para o Tratamento Fora de Domicílio”, destaca a assistente social.


O PAI e o HCA são as referências no Amapá para atendimento público de crianças e adolescentes. Foto: Ascom/MP-AP

Após esses procedimentos, o Serviço Social faz o acolhimento do núcleo familiar e paciente, presta orientações sobre o TFD, além de orientá-los sobre outros direitos sociais. Também é disponibilizado cartilha explicativa sobre os direitos e deveres dos pacientes e acompanhante/responsável legal pelo paciente no TFD.


Quando questionada sobre o que indicaria como estrutura ideal para melhorar o atendimento desses pacientes, a profissional de saúde disse que “a brevidade no fechamento do diagnóstico é o ponto de partida, visto que a estrutura laboratorial (sobretudo quanto a exames específicos) nem sempre são ofertados pelo sistema, sendo necessário muitas vezes os próprios familiares custearem esses exames com recursos próprios, que na maioria das vezes não dispõem. Esses entraves inviabilizam o sucesso no tratamento”, afirma Edith Cavalcante.


Além disso, os pacientes diagnosticados precisam enfrentar outra dificuldade, que é encontrar uma vaga em hospital de outro estado. De acordo com o diretor clínico do HCA e PAI, pediatra Aristeu Lima de Araújo, as crianças e adolescentes diagnosticadas com câncer ficam dependendo de outros hospitais do Brasil que possam receber a demanda do Amapá e completar o tratamento.


“Sendo os pacientes internados os mais difíceis de transferir, onde se observa uma espera por vaga bem maior, pois esses, em sua maioria, necessitam de vaga em leito, aqui nominados de vagas leito para leito, as quais quase sempre necessitam de locomoção, via Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) aérea. Nesse sentido, quanto maior a complexidade do tratamento, mais difícil a transferência”, ressalta o pediatra.

Questionado sobre as perspectivas para implantação e implementação dos serviços de alta complexidade no Amapá, Aristeu Lima disse que o principal desafio está na estrutura física e material, pois os equipamentos sempre são apontados como inviabilizadores de procedimentos de alta complexidade na rede pública de Macapá.


As crianças internadas ficam no aguardo de um leito em outro estado para fazer o tratamento contra o câncer. Foto: Ascom/MP-AP

Dados

O Instituto Nacional do Câncer (INCA) estima que 8.460 casos de câncer infantojuvenil devem ser diagnosticados no Brasil em 2022. Os tumores mais frequentes na infância e na adolescência são as leucemias (que afetam os glóbulos brancos), os que atingem o sistema nervoso central e os linfomas (sistema linfático).


Não foram encontrados dados específicos sobre este tipo de câncer no Amapá, mas o INCA estima que, no geral, quase 1.000 novos casos de câncer devem ser diagnosticados no estado em 2023.


*Reportagem produzida na disciplina de Redação e Reportagem II, ministrada pelo professor Alan Milhomem.



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