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Além da linha de chegada: as equipes de corrida de rua em Macapá (AP)

  • Foto do escritor: AGCom
    AGCom
  • 31 de out. de 2025
  • 6 min de leitura

Atletas amadores mostram como o esporte coletivo motiva, transforma e aproxima pessoas.


Por Luca do V. Penha*

Corrida de 256 anos de Macapá. Foto: Rogério Lameira (Secom/PMM).
Corrida de 256 anos de Macapá. Foto: Rogério Lameira (Secom/PMM).

Se você é macapaense, tenho certeza de que já viu essa cena: fim de tarde, às margens do Rio Amazonas e sob o olhar de São José, padroeiro da cidade, centenas de pessoas passam de um lado para o outro praticando aquele que tem se tornado um dos esportes mais populares na cidade: a corrida de rua.


Esta modalidade de atletismo, que se difere daquela praticada em pistas de corrida tradicionais como as que assistimos nas Olimpíadas, é praticada em ambientes urbanos que possibilitam explorar a cidade. E pode ter certeza: sem deixar de ser uma prática esportiva desafiadora.


As corridas de rua em Macapá já estão se tornando tradicionais, realizadas tanto pela iniciativa privada quanto pela pública. Eventos como a Corrida do Aniversário da Cidade, realizada em fevereiro, e a Corrida do Dia do Trabalhador são clássicos do calendário anual, angariando milhares de participantes na cidade e em outros municípios do estado. Um exemplo é a Corrida do Dia da Mulher, ocorrida em abril deste ano em Laranjal do Jari, município distante 287 quilômetros da capital amapaense, que contou com mais de 7,5 mil inscritas.


9°Corrida do Dia da Mulher em Laranjal do Jari. Foto: Max Renê/GEA.
9°Corrida do Dia da Mulher em Laranjal do Jari. Foto: Max Renê/GEA.

As corridas são variadas: vão de percursos urbanos entre cinco e dez quilômetros até trilhas na mata e corridas com obstáculos — um universo esportivo que vem sendo cada vez mais explorado pelos amapaenses. E aqui pergunto: você já correu cinco quilômetros sem interrupção? Para corredores experientes essa distância é como um passeio; para iniciantes como este repórter que lhes escreve e já tentou correr é como escalar uma montanha, entretanto, montanhas podem se tornar menos imponentes quando não estamos sozinhos.


União que transforma o desafio da corrida em superação coletiva

Treino da equipe FL Team. Foto: Instagram (@fl.team.mcp).
Treino da equipe FL Team. Foto: Instagram (@fl.team.mcp).

Um dos principais motivos do crescimento e do comprometimento com a corrida de rua no estado está nas equipes de corrida. Apesar de ser um esporte individual, o apoio coletivo faz diferença. A corredora Lene Foro, 45 anos, membra da equipe FL Team (@fl.team.mcp), pratica a modalidade há quase dois anos e já participou de mais de 30 corridas.


“Dependendo da equipe, as pessoas te incentivam, você faz novas amizades que te botam pra cima e te ajudam a superar os teus limites. Quando tu corres sozinho, tem que brigar tu e a tua mente e às vezes você não está legal para vencer sua própria mente, então quando você tem incentivo da equipe é muito mais fácil porque, além de corredor, nós temos uma vida externa com trabalho, filhos, problemas diários; com o apoio da equipe, você esquece o cansaço do dia a dia”, observa a corredora.


As equipes de corrida podem se formar de várias maneiras e diversos motivos: formação de uma equipe profissional, equipes de familiares e amigos amantes da modalidade para socialização ou o sonho de um corredor de longa estrada na modalidade.


“Eu já corro há praticamente 12 anos e sempre tive um sonho de ter minha equipe de corrida e, nisso, a minha esposa começou a correr também. Nós já participamos de uma equipe de corrida que eu tinha com um colega de trabalho e, após algumas desavenças, acabamos desmembrando e acabei criando essa equipe que estamos agora há quase um ano. É algo que eu gosto de fazer, até mais do que a própria musculação”, afirma o educador físico Fábio Lúcio Feitoza, 42 anos, fundador da equipe FL Team.

Lene Foro e Fábio Lúcio Feitoza, fundadores da equipe FL Team.. Foto: Instagram (@fl.team.mcp).
Lene Foro e Fábio Lúcio Feitoza, fundadores da equipe FL Team.. Foto: Instagram (@fl.team.mcp).

A superação é uma experiência comum entre os corredores. Muitos encontram na corrida uma forma de mitigar problemas de saúde. É o caso do técnico de enfermagem Railson Borges, 49 anos, que iniciou na corrida em 2012. Após enfrentar problemas cardíacos e colesterol alto, buscava uma forma de aliviar o estresse e cuidar da saúde mental e física. Começou com caminhadas curtas pela beira-rio, depois passou a trotar (uma corrida leve e ritmada, mais lenta que a tradicional) e, quando se deu conta, já estava encantado pelo esporte e participando de provas longas.


Há seis anos, já com experiência na modalidade, surgiu a vontade de criar uma equipe com o propósito de unir pessoas com o mesmo desejo de superação, saúde e transformação pelo esporte. Surgiu, assim, a Equipe RB Ensina & Forma (@equiperbamapa01), que também ajuda atletas carentes.


“Com o tempo, o grupo foi crescendo e ganhando força, identidade e propósito. Aquilo que começou como um encontro informal se tornou uma verdadeira equipe, com laços de amizade, disciplina e objetivos em comum. Mais do que correr, a missão sempre foi inspirar (...). Todos são capazes de ir mais longe na corrida e na vida”, destaca Borges.


Treino da Equipe RB Ensina & Forma. Foto: Instagram (@equiperbamapa01).
Treino da Equipe RB Ensina & Forma. Foto: Instagram (@equiperbamapa01).

Motivação e incentivo é o que mantém os corredores em movimento


Todos os entrevistados foram categóricos em afirmar a grande vantagem em treinar e correr em equipe: a motivação. Muitas vezes somos traídos pela própria cabeça e cedemos à falta de vontade; em grupo, o senso do coletivo já faz uma grande diferença no estímulo para correr. O compromisso deixa de ser apenas com você e passa a ser também com o grupo, com a equipe.


“A grande diferença entre correr sozinho e correr em grupo está na motivação e no espírito de comunidade. Sozinhos, muitas vezes dependemos apenas da nossa própria força de vontade de sair de casa, manter o ritmo e completar os treinos. Já no grupo existe um incentivo natural (...)”, afirma Railson Borges.


Esta motivação é exercida não só em atletas iniciantes, mas também em atletas de renome como Fábio Lúcio, que, além de gerir e treinar o FL Team com corredores iniciantes e experientes, treina com outra equipe de corridas de atletas com um nível avançado e encontra na companhia desses atletas a expansão de seus limites.


“Quando eu treino sozinho há uma grande diferença, não consigo evoluir da mesma forma como quando estou treinando em grupo com eles. Há uma total diferença, principalmente na questão de ritmos, por exemplo, às vezes já tentei fazer uma quilometragem entre dez e 12 quilômetros e não rendi na mesma proporção de que quando estou com eles lá... Dois, três correndo, um puxando o outro, um incentivando o outro”, avalia o atleta.


Tome cuidado: correr exige preparo e atenção à saúde


Apesar de ser um esporte democrático e de baixo custo, não basta apenas calçar um par de tênis e sair correndo sem medir as consequências. A corrida de rua melhora a qualidade de vida e é eficaz em introduzir pessoas sedentárias aos benefícios da atividade física; porém, é um esporte de alto impacto e exige cuidados e atenção, como afirma o fisioterapeuta Harrison César Moreira, que atua em uma clínica especializada no tratamento de atletas em Macapá.


“Correr de imediato, sem ter os cuidados necessários, pode gerar lesões físicas, como canelite, tendinite patelar e fascite plantar. Além de gerar arritmias ou até infarto, principalmente em pessoas sedentárias. O corpo tem limites que precisam ser respeitados e trabalhados”, pontua César.


O fisioterapeuta dá algumas dicas para a prática da corrida com alto desempenho, sem perder de vista a prevenção de lesões:

Acompanhamento fisioterapêutico aumenta desempenho esportivo. Fonte: Instagram (@harrison.csr).
Acompanhamento fisioterapêutico aumenta desempenho esportivo. Fonte: Instagram (@harrison.csr).

  • Alongamento do corpo deve ser realizado uma hora antes da corrida. Momentos que precedem a corrida devem ser dedicados apenas ao aquecimento da estrutura (caminhada, corridinha, etc.);


  • Iniciar a trajetória com caminhadas aumentando gradativamente o tempo e a intensidade é um dos principais fatores para um bom resultado;


  • Para atletas com condição física mais trabalhada, associar os tempos de corrida com o fortalecimento muscular é essencial para um melhor desempenho;


  • Após longo período de corrida, o adequado é descansar as pernas em um balde de gelo e água por cinco minutos. Esse é um método anti-inflamatório e analgésico “natural”;


Após essas dicas percebemos que correr, apesar de ser algo simples, exige cuidados. No entanto, isso não deve ser encarado como um impedimento para a prática esportiva: calce um tênis adequado, consulte um médico e experimente caminhar, trotar ou correr sob a brisa de Macapá, teste seu corpo, desafie-o. Se estiver muito difícil, encontre companhia. Como diz um velho ditado: “Se quiser ir rápido, vá sozinho. Mas, se quiser ir longe, vá acompanhado” — ou melhor, vá em equipe.


*Matéria produzida na disciplina “Laboratório de Produção Jornalística”, ministrada pela professora Ma. Jacqueline Araújo.

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