• Moema Cambraia

Afinal, para que servem os CAPS?

Saiba mais sobre serviço que atende a população do Amapá e do Brasil.


Consultório do CAPS AD - Macapá. Foto: Moema Cambraia

Para entender o que é um CAPS, precisamos primeiro saber o porquê de sua existência. Em todo o Brasil existe a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), que promove a saúde e o bem estar mental de pessoas com transtornos mentais e/ou dependentes de psicoativos. A mesma prioriza o atendimento humanizado à população que necessita, quebrando assim, a ideia de cuidado somente medicinal, que era utilizada antes da Reforma Psiquiátrica.

Apesar da proposta da Reforma ter iniciado na década de 70, só apresentou resultados concretos em 2001. Foi decretado por lei que o Sistema Único de Saúde (SUS), deve não só cuidar de forma qualificada de pessoas com transtornos graves, como também, a população tem a obrigação de respeitá-las. Acesse a lei da Saúde Mental aqui.

A partir disso, foi instituída a RAPS e, consequentemente, seus diversos serviços. A intenção da Rede é não somente acolher, mas também acompanhar o atendimento do usuário, bem como, mostrar à sociedade que ele é digno de respeito. A RAPS divide-se em 3 partes:

- Atenção Primária - nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), Consultório na Rua, Centros de Convivência, Núcleo Ampliado de Saúde da Família, (NASF);

- Atenção Especializada - nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e Atenção Residencial de Caráter Transitório;

- Atenção Hospitalar - nos Hospitais para emergências.


CAPS EM MACAPÁ

CAPS Gentileza. Foto: Arquivo CAPS

Na capital do Amapá se concentram três CAPS: Gentileza - para transtornos mentais graves ou severos; i - infanto-juvenil, para crianças e adolescentes até 17 anos de idade; AD - para álcool e outras drogas. Estes CAPS são essenciais para a saúde mental dos amapaenses, pois são serviços totalmente gratuitos. Apesar de existir alguns Centros em Santana e outros poucos municípios, o Gentileza se localiza somente em Macapá, portanto, muitos moradores dos municípios distantes vêm à capital fazer o acompanhamento.

Um destaque dos Centros são os grupos terapêuticos para pacientes e para suas famílias, um atendimento em forma de rodas de conversa - mediadas pelos profissionais da instituição - para estimular a adesão do usuário do serviço no seu próprio tratamento. No começo da pandemia da COVID 19, os atendimentos em grupo estavam parados, mas, recentemente estão retornando com todos os protocolos de segurança. Ademais, os espaços também possuem sua própria farmácia com os medicamentos mais utilizados pelos pacientes.

“A gente propõe um atendimento democrático de cuidado, onde a pessoa possa participar do processo terapêutico dela, sugerindo, o que ela gosta de participar, como ela acha que vai ser melhor para ela (...) É necessário que ela esteja inserida nesse processo todo, para que ela se veja como coparticipante", explica o coordenador da saúde mental de Macapá e psicólogo dos CAPS AD, Jefferson Melo.

Jefferson Mello. Foto: Moema Cambraia

Apesar das diversas tentativas de quebrar as barreiras do preconceito com transtornos mentais e dependência química, o tema ainda é um tabu no Brasil, o que dificulta a quebra do preconceito. Segundo dados do Ministério da Saúde, ao final de 2020, o país contava com 2.657 CAPS espalhados pelo país, um quantitativo muito baixo, levando em consideração que 1 único CAPS, independente da modalidade, deve atender no máximo 200 mil pessoas.

Mesmo após anos de seu surgimento, a Luta Antimanicomial ainda é necessária e, os CAPS se fazem presentes nesse movimento. As propostas vão além de tratamento e acompanhamento adequado, mas também, de inclusão na sociedade. Mais do que práticas e técnicas curativas, os profissionais trabalham propostas de convivência e relacionamento, pautadas por valores saudáveis para a convivência em sociedade.

Mensagens motivacionais no CAPS AD. Foto: Moema Cambraia

Jefferson relata que as oficinas realizadas no CAPS articulam vários serviços, tanto os da saúde, quanto de outros setores, como assistência social, educação, esporte, lazer, cultura, arte, entre outros. Frisando assim, que o tratamento vai muito além do tradicional, medicamentoso e hospitalar.

“Antes de oferecermos cuidados para os outros, nós precisamos nos cuidar, nós precisamos nos fortalecer. É necessário que a gente se fortaleça enquanto pessoa, mas também, enquanto serviço.” Jefferson Melo

O psicólogo cita também a necessidade de um CAPS com funcionamento 24 horas, que até o momento, não existe no Estado. Exemplifica no caso do AD: “Grande parte do nosso público faz uso/abuso da substância à noite, ou no final de semana, quando eles mais precisam, estamos fechados. (...) Se de repente tivesse um serviço voltado para essas situações emergenciais aqui, por exemplo, a gente talvez minimizasse esses danos”.

Em Macapá, alguns dos equipamentos da RAPS municipal são as 12 UBS com psicólogos, 2 equipes de Consultório na Rua, o Serviço de Atendimento Domiciliar, o CAPS i, a Clínica de Especialidades Papaleu Paes, Centro Especializado de Reabilitação e a Unidade de Acolhimento Infanto-juvenil. Já do estado, são o CAPS AD, CAPS Gentileza, Clínica de Psiquiatria e ambulatório e o Hospital de Emergência (HE).

CAPS i - Macapá. Foto: Lylian Rodrigues

“Estar a frente pra mim hoje é retornar às raízes”, comenta o psicólogo sobre coordenar um serviço público tão importante. Afirma exigir muita responsabilidade, disponibilidade e conhecimento, mas, a real dificuldade são as limitações para avançar. “É desafiador, porque exige tentar motivar as pessoas que estão dentro da rede de cuidados e que, muitas vezes estão desacreditadas que possa ser feito algo de diferente, de novo, de transformador”.

Jefferson expõe que essa desmotivação não é sem motivo, pois de fato, várias propostas já foram abandonadas e/ou fracassaram no passado. Mas, ele brinca que é sonhador, acredita que é possível fazer a mudança aos poucos, começando com trabalho interno e em um processo de forma coletiva, para posteriormente atender com excelência o público externo. “O dia que eu desacreditar na possibilidade de mudança, eu deixo de ser psicólogo”, finaliza.

Para ver os CAPS de outros estados, acesse: Mapa RAPS Brasil.

Para agendar atendimento em Macapá, vá ao CAPS ideal para sua situação:

CAPS AD: Av. Profa. Cora de Carvalho, 1731 - Central.

CAPS Gentileza: Av. Mãe Luzia, 994 - Laguinho.

CAPS I: Rua Redenção, 200 - Jardim Marco Zero.


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