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Entre rios e palavras: cinco livros amapaenses para conhecer a Amazônia

  • Foto do escritor: AGCom
    AGCom
  • 5 de nov. de 2025
  • 6 min de leitura

Da poesia ao romance histórico, cinco autores do Amapá que transformam vivências da floresta em literatura que ecoa identidade, memória e resistência.

 

Por Bruno Ribeiro e Yasmim Oliveira*

 


A Amazônia não cabe apenas na floresta: ela se espalha em rios, vozes e páginas que transbordam para o mundo. No mês de agosto de 2025, a Netflix estreou Pssica, série inspirada no livro homônimo de Edyr Augusto, mostrando como a literatura amazônica pode atravessar fronteiras e ganhar as telas. Mas não é apenas o Pará que tem vozes literárias ecoando da floresta, o Amapá também guarda narradores que escrevem com a matéria-prima da vida cotidiana: as memórias da infância, as dores e encantos da terra, a luta por identidade e a celebração das tradições. Selecionamos cinco livros amapaenses que revelam essas vivências e merecem a sua leitura, pois traduzem a Amazônia em palavras.

 

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Salva-vidas, de Thiago Soeiro

 

Salva-vidas, de Thiago Soeiro, é um mergulho poético nas marés da existência. Entre versos que oscilam entre delicadeza e intensidade, o autor fala de afetos, despedidas e da necessidade de se manter à tona em meio às turbulências emocionais. Mais que poemas, a obra oferece respiros — pequenas bússolas para quem se sente, como ele mesmo diz, “afogado em sentimentos”.

 

O livro reúne textos escritos entre 2013 e 2019, período em que o poeta transitava das prosas poéticas para uma linguagem mais livre. “Foi um processo de encontro de mim com a poesia”, relembra Soeiro. “Antes eu escrevia cartas, textos corridos. Quando descobri autores como Adélia Prado e Manoel de Barros, percebi que a poesia podia ser livre. Foi aí que perdi o medo de escrever”, completa.

 

Nascido no Pará e radicado no Amapá desde 2008, Soeiro é jornalista, poeta e cantor, com 15 anos de trajetória artística. Seu primeiro livro impresso surgiu no contexto da Lei Aldir Blanc, que, segundo ele, foi essencial para tornar possível a publicação de muitos artistas locais. “Publicar um livro não é barato. Esse apoio público foi fundamental para que eu pudesse escolher o livro que queria e colocá-lo no mundo”.

 

Atualmente, Salva-vidas não possui exemplares físicos disponíveis — a primeira edição de 200 cópias esgotou rapidamente —, mas segue acessível em plataformas digitais, tanto em e-book quanto em audiolivro. Para Soeiro, que também é declamador, essa versão sonora amplia ainda mais o alcance da obra: “A poesia não é só para ser lida, é para ser ouvida, sentida”.

 

Mais que uma estreia impressa, Salva-vidas confirma a marca do autor: transformar poesia em partilha, resistência emocional e encontro. Um convite para se deixar levar pelas palavras e encontrar, na poesia, um colete contra os naufrágios do cotidiano.


 📖 Livro: Salva-vidas / 52 páginas 

✍️ Autor: Thiago Soeiro (@tgsoeiro) 

🔊 Audiolivro: disponível gratuitamente em https://onerpm.link/2514900900


O sonho de uma menina, de Esmeraldina dos Santos

 

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A escritora quilombola Esmeraldina dos Santos apresenta ao público infantil uma obra delicada e inspiradora: “O sonho de uma menina”. O livro narra a trajetória de uma criança sonhadora que, entre descobertas e desafios, aprende a acreditar em si mesma e a valorizar suas origens. Com uma linguagem simples e envolvente, Esmeraldina conduz o leitor por um universo de afetos, memórias e esperança, no qual a imaginação se torna ferramenta de transformação da realidade.

 

Mais do que uma história para crianças, a obra traz mensagens universais sobre perseverança, identidade cultural e o poder dos sonhos. Com referências à cultura amazônica e à ancestralidade quilombola, a autora constrói uma narrativa que emociona leitores de todas as idades e reforça a importância da representatividade na literatura infantil.

 

Indicado para pais, educadores e todos que acreditam no papel da leitura como caminho para formar valores e fortalecer raízes, “O sonho de uma menina” é um convite para mergulhar na infância com poesia e pertencimento.

 

📖 Livro: O sonho de uma menina / 16 páginas 

✍️ Autora: Esmeraldina dos Santos (@escritora_esmeraldina_of)

🛒 Onde comprar: Loja física da escritora (Maloca da Tia Chiquinha, no Centro Cultural Raízes do Bolão, Rodovia do Curiaú, 3.600, Jardim Felicidade, Macapá)

💲Valor: R$ 20,00


Marabaixo, dança afrodescendente, de Piedade Lino Videira

 

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Marabaixo, dança afrodescendente: significando a identidade étnica do negro amapaense é uma obra indispensável para quem deseja compreender a riqueza cultural do Amapá por meio de uma perspectiva acadêmica e sensível. O livro investiga a dança dramático-religiosa do marabaixo — ritual em forma de cortejo que expressa fé, resistência e pertencimento. A obra também revela traços profundos da história e da identidade afroamapaense.

 

A autora, Piedade Lino Videira, é pesquisadora, professora e uma das principais vozes nos estudos sobre cultura popular e identidade negra no Amapá. Seu trabalho valoriza a tradição do marabaixo não apenas como expressão artística, mas como patrimônio imaterial que atravessa gerações e reafirma a luta de um povo por memória e reconhecimento.

 

Na obra, Piedade Videira reúne reflexões baseadas em experiências históricas, observações de campo e análises socioculturais, resgatando elementos que dão voz à ancestralidade e à resistência. A segunda edição, publicada em 2020 pela Brazil Publishing, reúne 176 páginas de análises que dialogam com música, religiosidade, dança e identidade coletiva. A edição original, lançada em 2009 pela Editora UFC, faz parte da coleção Diálogos Intempestivos e se consolidou como referência nos estudos sobre o tema.

 

📖 Livro: Marabaixo, dança afrodescendente / 176 páginas 

✍️ Autora: Piedade Lino Videira (@piedadevideira)

🛒 Onde comprar: Amazon (https://encurtador.com.br/0TZsq)

💲Valor: R$ 64.61

 

Aluvional, de Tiago Quingosta

 

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O escritor amapaense Tiago Quingosta apresenta em “Aluvional” uma obra poética que mergulha nas águas da Amazônia, explorando as nuances do cotidiano e da identidade amazônida. Lançado em 2022 pela Scortecci Editora, o livro é o segundo volume da Trilogia das Águas, sucedendo Foz Florescente. Composto por seis capítulos, “Aluvional” reúne poesias que abordam temas como pertencimento, memória e resistência cultural, utilizando a linguagem como ferramenta de expressão e reflexão sobre a realidade amazônica.

 

Quingosta, além de escritor, é servidor público e atua como produtor cultural. Seu trabalho literário é reconhecido por sua profundidade e conexão com as raízes da região norte do Brasil. Em “Aluvional”, ele convida o leitor a uma viagem sensorial e emocional, no qual as palavras fluem como os rios da Amazônia, carregando histórias e sentimentos que refletem a vivência e a cultura do povo amapaense.

 

📖 Livro: Aluvional / 112 páginas

✍️ Autor: Tiago Quingosta (@tiagoquingosta)

💲Valor: R$ 30,00


Cabanagem, de Gian Danton

 

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Cabanagem, de Gian Danton, traz à tona um aspecto pouco explorado da história regional: a presença da revolta cabana no Amapá. O livro surgiu após o autor descobrir, a partir de uma sugestão de um amigo chamado Smith, que o movimento não se limitou a Belém, mas alcançou localidades como Santana, Mazagão e Macapá. 

 

“Ele (amigo) chegou e disse: por que que você não escreve um livro sobre Cabanagem no Amapá? Eu falei: Cabanagem no Amapá? Não teve Cabanagem no Amapá?. Ele disse: não, teve sim! Dá uma pesquisada que você vai descobrir. Teve Cabanagem no Amapá! No mesmo dia, quando eu cheguei em casa, eu fiz uma busca rápida na internet e descobri que realmente tinha tido Cabanagem no Amapá”, relembra Danton.

 

Essa lacuna histórica motivou a escrita de uma obra que mistura pesquisa, ficção e elementos do folclore amazônico. A narrativa utiliza linguagem acessível, fruto da experiência do autor no jornalismo, mas trata de um conteúdo denso, com descrições de massacres e perseguições, o que a torna indicada para leitores a partir do ensino médio e adultos. Integrante da Academia Amapaense de Letras, Gian vê a literatura como uma forma de recuperar memórias e valorizar a cultura local. 

 

Ele também destaca a importância da Lei Aldir Blanc, que possibilitou que muitos escritores, inclusive ele, conseguissem publicar e difundir suas obras no estado. “Eu tenho visto muita gente produzindo, lançando livros, fazendo, escrevendo. Você tem muita produção. A Aldir Blanc também ajudou bastante, muita gente que não tinha condições acabou lançando pela Lei”, finaliza o autor.

 

📖 Livro: Cabangem / 120 páginas

✍️ Autor: Gian Danton (@dantongian)

🛒 Onde comprar: Amazon (https://encurtador.com.br/3W1Od) ou direto com o autor.

💲Valor: R$ 33,12


*Matéria produzida na disciplina de Redação e Reportagem III, ministrada pelo professor Doutor Alan Milhomem.


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