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Além do placar: a jornada dos atletas que encontraram força no apoio mútuo

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    AGCom
  • há 1 dia
  • 4 min de leitura

Kárita Palheta*


Julia Soares e Jorge Carvalho encontram um no outro a confiança necessária para enfrentar os desafios do esporte e da vida.


Jorge e Julia comemoram o desempenho um do outro. Foto: Kárita Palheta.
Jorge e Julia comemoram o desempenho um do outro. Foto: Kárita Palheta.

Cola nas mãos, suor, gritos da torcida e o som da bola quicando fazem parte da rotina de quem vive o handebol. Para Julia Soares e Jorge Carvalho, atletas do time Handunifap, esses elementos representam muito mais do que uma competição. Amigos desde 2021 e namorados há 11 meses, eles encontraram no esporte um espaço para fortalecer a confiança e compartilhar as dificuldades da vida. Durante a Copa Unifapiana, os dois chegaram à final levando para a quadra algo mais importante do que qualquer medalha: o apoio um do outro.


A história dos dois com o handebol começou de formas diferentes. Antes, Julia praticava vôlei e o interesse pela nova modalidade surgiu ao acompanhar amigas nos treinos de handebol, em 2021. O convite para participar de uma atividade foi suficiente para despertar a curiosidade, que anos depois, se tornaria uma parte importante da sua vida.


"Eu sempre gostei de esporte coletivo. Percebi algumas semelhanças com os fundamentos do vôlei e tive facilidade. Aí me interessei em conhecer melhor o esporte e fiquei desde então", conta Julia.


A atleta ainda fala como o handebol foi além de competições e treinos. Hoje, o esporte serve hoje como uma ferramenta de equilíbrio para enfrentar a rotina.  "O esporte para mim é uma terapia. Eu preciso do esporte para me regular. Consigo lidar melhor com os estudos, com o trabalho e com todos os âmbitos da minha vida por causa dele", afirma.

 

Jorge conheceu o handebol ainda no ensino médio, em 2013. Depois de passar por diferentes equipes, ficou um período afastado das quadras. O retorno aconteceu com o objetivo de voltar a treinar e recuperar o condicionamento físico. A convocação para a Copa Unifapiana veio de forma inesperada. Então ele decidiu aproveitar a oportunidade. "Eu acredito que nasci para jogar. Quando entro em quadra, é como se estivesse em casa", conta.


Julia e Jorge se conheceram em 2021, quando ela iniciou sua trajetória no clube de handebol, o Clube Universitário. Antes do namoro, a amizade foi construída entre conversas sobre treinos, adversários,  estratégias de jogo e vida pessoal. Com o tempo, Jorge se tornou confidente de Julia  e essa troca continuou fazendo parte da rotina depois de se tornarem um casal.


"A gente sempre conversou bastante sobre os adversários, sobre o nosso individual e sobre o que é possível fazer em cada partida. Cada equipe tem uma característica diferente, então precisamos nos adaptar", relata Julia. A parceria criada fora da quadra acabou fortalecendo também o desempenho dos dois.


Jorge e os outros atletas da Handunifap fazem o grito de guerra antes do jogo. Foto: Kárita Palheta
Jorge e os outros atletas da Handunifap fazem o grito de guerra antes do jogo. Foto: Kárita Palheta

Apoio vem antes, durante e depois da partida 


Agora, atuando na mesma equipe, os dois fazem questão de acompanhar a trajetória um do outro de forma incisiva. "É muito importante para mim que ele esteja presente nos meus jogos. Se não puder estar fisicamente, que esteja assistindo", afirma Julia.


Depois das partidas, a tradição de conversar sobre os erros, os acertos e o que pode ser aperfeiçoado nos próximos treinos permanece. Para Julia, se no início da sua trajetória a ansiedade falava mais alto, agora ela entra em quadra com uma confiança por ter participado de mais de 10 campeonatos e copas.


Jorge destaca que essa troca também exigiu aprendizado: "Eu sempre enxerguei um potencial muito grande nela e, às vezes, acabava cobrando antes de oferecer apoio. Hoje percebo que o certo é primeiro dar suporte, carinho e confiança. Depois a gente conversa sobre aquilo que precisa melhorar".


E nos momentos de insegurança, é Julia quem costuma lembrar Jorge da própria capacidade. "Ela sempre acreditou em mim mais do que eu mesmo acredito", afirma.


Julia apoiando o Jorge após a derrota. Foto: Kárita Palheta.
Julia apoiando o Jorge após a derrota. Foto: Kárita Palheta.

Além do resultado


Na final da Copa Unifapiana, o casal viveu sentimentos diferentes. Jorge terminou a competição com o segundo lugar após a derrota para o time AABB. Julia, por sua vez, conquistou o título com a equipe que entrou recentemente e mostrou satisfação ao entrar na equipe com o pé direito. Apesar dos resultados opostos, o orgulho pela trajetória do outro falou mais alto.


Jorge conta que disputar essa final representou a realização de um objetivo construído ao longo de mais de uma década no handebol. "Foram muitos anos vendo as finais da arquibancada. Estar dentro da quadra vivendo esse momento foi algo muito importante para o meu crescimento como atleta".


O time de Julia conquistou o primeiro lugar na Copa Unifapiana. Foto: Kárita Palheta.
O time de Julia conquistou o primeiro lugar na Copa Unifapiana. Foto: Kárita Palheta.

Quando o assunto é futuro no handebol, a Julia sonha um dia viver exclusivamente do esporte. Mesmo ciente das dificuldades enfrentadas pelos atletas no Amapá e de o handebol ainda estar em processo de consolidação no Brasil, ela acredita que a modalidade pode abrir portas para novas oportunidades e que a dedicação diária será fundamental para alcançar esse objetivo.


Jorge, por outro lado, enxerga o futuro sob outra perspectiva. Próximo de completar 30 anos, ele acredita que o handebol continuará ocupando um espaço importante em sua vida, mas conciliando com a carreira profissional. Para ele, a realidade do esporte no estado faz com que muitos precisem equilibrar a paixão pelas quadras com as responsabilidades do trabalho e da vida adulta.


Entre a vida pessoal e a vida profissional, os dois seguem compartilhando sonhos e aprendizados. Para um casal que também é parceiro de handebol, o maior triunfo é encontrar a força, confiança e apoio para continuar evoluindo para os próximos campeonatos e construir um relacionamento duradouro e saudável. 


*Este conteúdo foi produzido na disciplina de Jornalismo Esportivo, ministrada pelo professor doutor Alan Milhomem.

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