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A chef internacional da cozinha de rua

Alessandra de Lagnese já comandou cozinhas internacionais e conta como todas as suas experiências a levaram até o seu negócio atual.


Por Gabrielly dos Santos, Léo Nilo e Lucas Gabriel de Oliveira


A chef Alessandra com sua tradicional roupa de trabalho. Foto: Lucas Gabriel.

Na Praça do Barão, em Macapá, um tradicional lugar para passeio e lazer, encontramos um trailer amarelo que vende hot dog. O lugar, que em pouco tempo já conquistou fama e clientes fiéis, está costumeiramente bem frequentado, com os interessados em um lanche bom e rápido. O que poucos imaginam, no entanto, é que o hot dog em suas mesas é o resultado de uma história que já percorreu até outros países, e agora estacionou no meio do mundo.


O “Dogão da Chef” é comandado por Alessandra de Lagnese, que idealizou o projeto com seu sotaque diverso e bom humor. A cozinheira nasceu em uma colônia italiana no Estado do Rio Grande do Sul, e conta que foi lá mesmo que sua trajetória com a gastronomia começou.


De acordo com Alessandra, é costume gaúcho crescer ao redor do forno e com ela não foi diferente. Pães, massas e preparos complexos eram eventos que reuniam a vizinhança inteira para aproveitar a lenha dos fogões rústicos, o que trouxe essa familiaridade pela cozinha desde cedo. Tendo essa influência, ela acabou se interessando pela gastronomia, tendo paixão pelos ingredientes e preparações.


Mas se engana quem acredita que o repertório culinário de Alessandra se encerra no sul do país. Ainda em seus 14 anos, ela e a família Lagnese desembarcaram nas terras de João Pessoa. O que seguiu foi um verdadeiro choque culinário das influências gaúchas com o tempero e ingredientes nordestinos. E foi nesta mistura que a carreira profissional de Alessandra começou.


Ela começou a trabalhar como auxiliar de cozinha em João Pessoa, pois era algo que já tinha conhecimento. Eventualmente, Alessandra acabou se mudando para Portugal, depois de se casar com um português, o que abriu ainda mais um leque de sabores e experiências.


Vivendo em um local desconhecido e praticamente sozinha, ela decidiu que era a hora de se dedicar totalmente à gastronomia. Foi lá que Alessandra acabou ganhando o seu título de chef, e após muito esforço conseguiu administrar uma cozinha em Portugal.


Após se divorciar do seu marido português, Alessandra voltou para João Pessoa como Chef Alessandra de Lagnese. E assim conseguiu, como faz questão de frisar, a melhor experiência gastronômica da sua vida: a chefia da cozinha de um hospital.


Mais uma vez, a chef precisou reaprender tudo o que sabia sobre cozinha, tratando de comidas com especificidades para pacientes que desafiam até os mais experientes na área hospitalar.


A jornada da chef chega ao meio do mundo em 2021, após receber um convite para chefiar um famoso restaurante de Macapá. A essa altura, o desafio não era nenhum pouco estranho à Alessandra, que aceitou a oportunidade e veio para o município com sua família.


Desta vez, no entanto, a experiência não se provou tão agradável. Sobrecarregada, a chef se viu engolida pela rotina e esquecendo o que a fizera se apaixonar pela comida, o que a motivou a dar mais um salto na carreira, e talvez o mais ousado.


O empreendimento já tem público cativo. Foto: Reprodução Instagram.

Desempregada, Alessandra lembrou que nunca teve nada seu, sempre mudando de emprego e vivendo no presente. Então surgiu a decisão de criar seu próprio negócio, um que sintetizasse toda sua trajetória gastronômica e se destacasse no panorama gastronômico da cidade. Neste momento surgiu o Dogão da Chef.


Isto porque, antes de abrir o negócio, Alessandra pesquisou seus concorrentes e se deparou com ambientes totalmente precários na área da alimentação do hot-dog. Com o olhar de quem já teve extensa experiência em restaurantes credenciados, Alessandra encontrou estabelecimentos com pouca higiene, ingredientes de baixa qualidade, cardápios caóticos e pouca criatividade. Vendo esta oportunidade de mercado, ela ficou ainda mais convicta em transicionar para o ramo de lanches de rua.


“O lanche de rua é democrático. Aqui recebemos clientes de todas as classes sociais, e esse é um dos diferenciais de Macapá. Enquanto nos outros estados o lanche de rua é visto como comida de menor escalão, aqui todos frequentam”, conta a chef, que já mora na capital do Amapá há dois anos.


Decidida a entregar o melhor para os amapaenses, ela abriu o seu carrinho de lanches no porta-malas do carro. Em apenas três meses, ela conta que faturou além do imaginado só vendendo o hot dog tradicional, com carne moída e salsicha.


Assim, ela e sua família resolveram aumentar a estrutura e o cardápio do empreendimento. Inspirada em suas influências, o novo cardápio incluiu lanches de inspiração portuguesa, italiana e gaúcha, como a linguiça defumada e a salada primavera.


Depois do crescimento do seu negócio, Alessandra recebeu a proposta de um novo desafio: voltar para João Pessoa e chefiar uma seção do Nui 360, um dos restaurantes do renomado Chef Erick Jacquin. No entanto, Alessandra e sua família escolheram permanecer em Macapá e continuar com o Dogão da Chef.


Com a trajetória de Alessandra, é impossível dizer qual o limite do Dogão da Chef, que continua ganhando clientes e se estabelecendo no roteiro gastronômico da cidade. Por ora, é seguro dizer que, assim como as outras localidades, agora Macapá vai sempre acompanhar as influências da chef.


“Estou explorando os sabores amapaenses. Uma cliente comentou que gostava de um hot dog com camarão, e isso me fez refletir como incluir o ingrediente no nosso cardápio. Tive ideias em um restaurante local, e agora estamos desenvolvendo a receita para incluir no próximo cardápio”, finaliza a chef.


*Perfil produzido na disciplina de Redação e Reportagem II, ministrada pelo professor Alan Milhomem.




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