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Trabalho social na periferia do Congós já atendeu mais de 300 famílias e aguarda doações em junho

O Centro de Atividades Sociais da Periferia enfrenta o Coronavírus nas pontes desde março e permanece recebendo doações para atender as famílias das pontes


Por Lylian Rodrigues


Desde março, escolas e comércio fecharam, em Macapá. O Governo do Estado do Amapá já emitiu novo Decreto que prorroga até 30 de junho a suspensão. Desde o primeiro anúncio do Governador do Estado, imediatamente, o CASP – Centro de Atividades Sociais da Periferia – se organizou para auxiliar as famílias que moram nas áreas de ressaca, nas pontes do Congós. O Centro suspendeu sua programação regular de aulas de capoeira, violão, reforço escolar, cursos de corte e os coordenadores se viram diante de um desafio novo e desconhecido, o enfrentamento a uma pandemia e uma crise na saúde pública. Assim, iniciaram a campanha para arrecadar alimentos e material de limpeza, a fim de distribuir para as famílias em vulnerabilidade econômica, especialmente atingidos pelas paralisações do comércio ambulante, das diaristas e outros trabalhos autônomos.


A presidente Carmem Maria Duarte lembra que no início da campanha “a prioridade eram as mães, sem renda fixa, diaristas, vendedoras de rua e outras. Quando iniciamos, não tínhamos muita noção como seria. Mas, temos a sorte de ter em nosso grupo pessoas muito importantes, que nos deram apoio. Logo, surgiram doações grandes e nos organizamos fazendo o cadastro para conhecer o perfil sócio econômico das famílias moradoras das áreas de ressaca, as famílias em vulnerabilidade social”.

Esse cadastro tem sido fundamental para auxiliar as famílias e saber as necessidades de cada casa, assim como regular a distribuição dos materiais e buscar atender a maior parte dos moradores das pontes. Começou pela Décima do Congós, mas as doações aumentaram e deram condições ao CASP de atender outras ruas e avenidas, beneficiando o bairro. “Hoje, estamos mais ou menos com 300 famílias cadastradas na rua e no bairro, já doamos mais de 300 cestas básicas, 250 bolsas no valor de R$ 120,00 pelo projeto Mães da Favela, da CUFA-RJ, já distribuímos mais de 80 kits de material de higiene para as crianças, incluindo fraldas, material para grávidas”.



Izam Cabreiro, da coordenação do CASP, enumera as diversas atividades em que a equipe tem trabalhado, com um grupo de whatsapp para moradores divulgando notícias e informações sobre prevenção, políticas públicas e diversas orientações. “Hoje, a gente tem uma equipe de saúde, psicólogos, comunicadores, uma equipe operacional para receber as arrecadações e a gente faz distribuição de cestas básicas, máscaras, material de limpeza, fraldas, higiene pessoal. A gente faz parte de uma rede de apoio aqui no estado, o Amapá Solidário e também nos tornamos representantes da CUFA, que é a Central Única das Favelas, aqui no estado do Amapá”. A rede é de voluntários e com a pandemia e o trabalho responsável do CASP vem crescendo com a representação de uma organização nacional. “A gente dá condições para as pessoas ficarem dentro de casa, lavarem as mãos, usarem máscaras. Ganhamos da CUFA 5 mil máscaras e 15 mil frascos de álcool em gel, tudo já distribuído entre as famílias e os trabalhadores voluntários para garantir a saúde de todos”, conta Izam.


O CASP também tem atuado na conscientização da quarentena sobre o isolamento social através de orientações com panfletos, faixas, e no encaminhamento das famílias em situação de violência de vários tipos. Nos últimos dias, aumentou o caso das pessoas com sintomas do COVID-19 e também a violência doméstica.


“É muito importante pra mim e pra minha família. Às vezes a gente não tem condição de comprar uma máscara, material de higiene, alimentos. Só tenho a agradecer ao CASP. Toda a equipe trabalha voluntariamente. Não tem um dinheiro, não ganham nada. Muito obrigada”, agradece a moradora Uriane. “Porque com essa pandemia a nossa renda diminuiu muito. A maioria não tem carteira assinada. Com essa ajuda que o CASP tá dando, poxa, a gente não precisou passar fome, não precisou ver nossos filhos chorando pedindo comida”, explica a gratidão que sente a moradora Ana Paula.

O trabalho do CASP não parou e não vai parar. As doações precisam continuar pois o fechamento do comércio continua, o auxílio dos governos federal e estadual não dão conta de todas as despesas que uma família com média de 5 pessoas precisam com alimentação, medicação, higiene. Além disso, nem todos são beneficiados. A rede permanece ativa, recebendo doações no local ou via transferência bancária.


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