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Superintendência de Vigilância em Saúde divulga importantes dados sobre o coronavírus no estado

Atualizado: 12 de mai. de 2020

Desabastecimento das farmácias, colapso laboratorial e a vinda do Ministro da Saúde para Macapá também foram temas abordados.


Por Luiz Felype



Taxas de ocupação de leitos exclusivos para COVID-19 por tipo (público e privado) Gráfico: Superintendência de Vigilância em Saúde

Quase 85% dos leitos de UTI e 98% dos leitos clínicos estão ocupados, o que indica o início de um colapso na saúde do estado. Esta foi a principal notícia dada na manhã de hoje, sábado (09), pelo Superintendente de Vigilância em Saúde do Amapá, Dorinaldo Malafaia. Ele disponibilizou dados sobre o número de casos do novo coronavírus divididos por município, bairro e faixa etária, além de prestar contas sobre medidas tomadas pela Superintendência de Vigilância em Saúde (SVS) no combate à doença. A reunião virtual contou com presença de jornalistas e foi disponibilizado no Facebook do superintendente.


Neste sábado, o estado tem 2.493 casos confirmados e 4.453 em análise laboratorial. Mesmo que os números sejam grandes, a taxa de letalidade é de 2,84% e possui “certo equilíbrio”, comparado a outros estados. No momento, sete municípios não chegaram à marca de 100 casos confirmados: Amapá, Calçoene, Itaubal, Oiapoque, Porto Grande, Tartarugalzinho e Vitória do Jari.



Os outros municípios que ultrapassaram os 100 casos de covid-19, como Macapá, Santana e Laranjal do Jari, são considerados epicentro da doença no estado. Uma das preocupações da SVS é Oiapoque.

Macapá e Santana são considerados o epicentro no estado

Arte: Superintendência de Vigilância em Saúde


Com 50 casos confirmados, o município pode expandir a doença na fronteira com São Jorge, localizado na Guiana Francesa. Para Malafaia, esse local é considerado um “ponto crítico dentro da Guiana”. Além de Oiapoque, o Vale do Jari, que faz fronteira com Laranjal, também está em alerta para a Superintendência, por causa dos 105 casos confirmados. “Laranjal do Jari começou timidamente e, em pouco tempo, teve uma crescente muito alta. Iniciou antes de Oiapoque e acabou ultrapassando Oiapoque”, afirma.


Outra preocupação da Superintendência de Vigilância em Saúde diz respeito ao crescimento frenético do número de casos. “A nossa curva de crescimento está praticamente virando uma curva de 90 graus. Está em um processo de ascendência tão grande. Ela não está fazendo uma curva de achatamento. Está girando para praticamente uma curva reta de crescimento. Isso é algo que nos deixa muito preocupados”.


A incidência no número de casos positivos e óbitos crescem na faixa etária dos 20 aos 59 anos. A faixa de concentração entre infectados e óbitos está em 54,9% nessa faixa etária.

Casos confirmados por faixa etária

Arte: SVS


Em Macapá, a expansão do vírus ocorre do centro para a periferia, ou seja, para os outros bairros. O Centro lidera com maior número de casos: 150. Logo após, surge Santa Rita, Buritizal e Novo Buritizal. Nos últimos 7 dias, houve um crescimento de 108% no número de casos.


Números de casos por bairro

Arte: SVS


Ele destacou que o volume de amostras para examinar pacientes com covid-19 é grande. Consequentemente, o Laboratório Central (Lacen) pode entrar em colapso laboratorial a qualquer momento. Alguns funcionários estão contaminados. Mais de 600 amostras são enviadas e recebidas por semana. 70% delas dão resultado positivo, segundo o superintendente. Ainda há envio de materiais para o Instituto Evandro Chagas, no Pará. Mesmo com a parceria com o estado vizinho, o laboratório do Amapá não está dando conta da grande demanda dos municípios.


“Ninguém estava preparado para essa pandemia. A nossa capacidade laboratorial nunca foi preparada para atender a massa populacional. Sempre foi restrito para casos clínicos e não para pandemias. Quando estoura uma pandemia, nós ficamos com uma situação complicada”, relata. De acordo com Malafaia, 84,62% dos leitos de UTI e 98,28% dos leitos clínicos estão ocupados. As informações mostram que além do sistema laboratorial, o sistema de saúde do estado também pode entrar em colapso a qualquer momento, se não houver expansão. Informações divulgadas pelo Portal da Transparência revelam que investimentos estão sendo feitos para conter a propagação do novo coronavírus, como carros de som para veiculação de propaganda educativa sobre isolamento social, aquisição de material e sanitização do Lacen para evitar propagação do vírus entre funcionários, entre outros investimentos como mostra o quadro abaixo.


Prestação de contas: Valores investidos e empresas contratadas para fornecimento de equipamentos e outros serviços – Foto: SVS


Dorinaldo afirmou que a adesão ao isolamento social está baixa. Se continuar assim, a tendência é intensificar mais as medidas, com base nos dados divulgados. Comparando os Decretos de São Luís e Belém, as ações de isolamento, fiscalizações e restrições no Amapá são similares a esses dois estados, segundo o superintendente. Em ambos, já foi instalado situação de lockdown.


Portanto, não está descartada a hipótese de aderir ao lockdown para nossa cidade. Se for adotado esse tipo de isolamento, serviços essenciais como supermercados e farmácias continuarão funcionando normalmente. “Me parece, não posso garantir com toda certeza, que a tendência pelo próprio crescimento da epidemia é que nós podemos sim chegar a essas medidas. Então, o lockdown parece que será uma tendência, mas não estou fazendo uma afirmação sobre isso, pois essa medida deve ser avaliada pelos governantes”.


Para a SVS, a solução para diminuir o crescimento da pandemia é tomar medidas incisivas, como o isolamento controlado. “Lockdown não significa fechamento de tudo. Significa exatamente manter a restrição, o que é essencial e controlar o fluxo de pessoas na cidade. Não há sentido fechar os serviços essenciais”, conclui.


O superintendente comentou sobre a vinda do Ministro da Saúde, Nelson Teich, para Macapá. Marcado para semana que vem, Malafaia espera que a presença de Teich seja produtiva e que ele “não venha politizar e sim socorrer o Amapá”. “Espero que o ministro não traga conteúdo do presidente. Que venha desarmado e preste ajuda real. Ele minimiza o número de mortos”, relata Malafaia, que ainda continua. “[Bolsonaro] tem um desprezo pela democracia. Não se sente bem a democracia”, lamenta.


Uma das pautas que serão abordadas entre ele e Teich diz respeito ao desabastecimento de alguns medicamentos nas farmácias, como a hidroxicloroquina. Dorinaldo deixou claro que precisa desse remédio à venda no mercado para o tratamento de pessoas com lúpus e não com o covid-19.

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