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Revista digital Égua Literária destaca produção de autores nortistas

Atualizado: 11 de abr.

A revista tem quatro edições publicadas e conta com autores do Amapá, Pará, Amazonas e Rondônia.


Por Ana Yared


A revista já publicou quatro edições com temáticas diferentes. Foto: Égua Literária.


A Revista Égua Literária é uma produção digital elaborada por uma equipe de seis escritores nortistas: Giu Yukari Murakami (Pará), Gabriel Yared (Amapá), Felipe Cavalcante (Amazonas), Lucas Lorran (Pará) , Giann Carlos Monteiro (Amapá) e Júlio Ardaia (Rondônia). O objetivo da revista é dar destaque aos autores nortistas, do gênero ficção especulativa, saindo do eixo Sul-Sudeste. 


O pontapé para a origem da revista veio de uma reflexão do escritor amapaense Gabriel Yared. O artista observou que a região norte era a menos presente nas editoras e revistas. “Eu pensei: a região norte é envolta de misticismo, a Floresta Amazônica, os indígenas, os atrasos, a ‘falta de civilização’. Como seria se tivesse um movimento fantástico, futurista e de horror que existisse de uma forma centralizada? Uma revista que essas autorias nortistas pudessem se mostrar pro resto do país”, relata o escritor.


Os contos presentes nas edições são histórias fantásticas passadas no norte do Brasil ou com elementos nortistas, que exploram características culturais e naturais da região. Os enredos trazem a quebra de estereótipos e enaltecem tudo o que compõe cada estado e suas individualidades locais. “A gente sempre é colocado num resumo estereotipado do que é o norte, inclusive em novelas, e não é por aí. Nós temos uma diversidade de pessoas, diversidades culturais e cada um dos estados tem suas similaridades e particularidades”, aponta a escritora paraense Giu Yukari Murakami.


As seleções dos contos para as revistas são abertas a cada trimestre, quando é informado o tema e qual o gênero das histórias.


“A cada seletiva temos recebido um bom número de submissões, o que é muito positivo. Mostra que estamos alcançando os autores da região e causando neles o interesse em serem publicados na revista”, destaca o editor-chefe Gabriel. As edições contam com autores de variados estados, sempre procurando ter o máximo de representatividade e realidade. “A gente tem trabalhado com autores muito incríveis, pessoas muito incríveis. Nessa questão de alcance, eu tô muito feliz com o que a gente conseguiu”, conta o editor amazonense Felipe Cavalcante.



As primeiras quatro edições podem ser lidas gratuitamente. Foto: Égua Literária.


Edições


A Edição – 0, primeira edição, é uma apresentação da equipe e dos objetivos da Égua Literária. A Edição - 1 traz o tema “Causos de Visagem” com três contos arrepiantes. A Edição – 2 tem como tema “Tocas as Marcantes Maninha”, que conta com a participação de cinco autores e entrevistas com os artistas Patrícia Bastos, Alan Yared e Aqno. A Edição – 3, com o tema “Asa de Cupim pra Todo Lado”, retrata de forma resoluta nos contos publicados o inverno amazônico tão esperado.


A escritora paraense Luana Cruz foi uma doas autoras selecionados para a Edição 2, seu primeiro contato com a Égua foi através do Twitter e acompanha a revista desde seu início. “Quando eu vi a proposta da Égua, vi que tem muitas pessoas do norte interessadas em escrever sobre o norte e eu me senti menos solitária”, afirma. Luana ainda destaca que o tema “Toca As Marcantes Maninha!” foi decisivo para a incentivar a submeter seu conto para a revista.


A autora selecionada frisa o quanto foi importante finalmente ter referências de sua região e de que isso define a sua escrita atualmente. “Você ganha um senso de liberdade muito bonito, que você pode escrever o que quiser que vai ser literatura do mesmo jeito”, diz a escritora.


O escritor amapaense Gabriel Espíndola, selecionado para a Edição 1, também teve grande identificação ao ver a proposta da Égua Literária. “Eu nem imaginava que tinha projetos com escritores do norte, a gente sente falta de ter destaque no gênero literário”, ressalta. O escritor diz que o tema foi desafiador, mas que gostou de usar elementos que são comuns na sua vivência e das pessoas ao seu redor. Luana e Gabriel relatam terem tido maior visibilidade ao terem seus contos publicados na revista, de receberem mensagens elogiando suas histórias e de serem abordados na rua.


Cada vez mais a revista está ganhando público tanto pelo norte como pelo Brasil, segundo Gabriel Yared.


“Há muitos leitores que não conheciam nenhum escritor nortista até conhecer a revista, e a partir dela começou a entender como é a região e a riqueza cultural diversa que temos aqui. É gratificante não só pra mim como pra toda a equipe ver que, de pouco em pouco, estamos conseguindo criar um espaço pra divulgar e tornar mais conhecida a produção literária fantástica da nossa região”, afirma.


Todas as edições estão disponíveis no site da Égua Literária gratuitamente. É só acessar, baixar e aproveitar de uma maravilhosa leitura nortista. As primeiras publicações foram todas financiadas pela da Lei Aldir Blanc. A partir de agora eles entraram em financiamento coletivo no Catarse para poder produzir as próximas edições.



Financiamento coletivo: https://www.catarse.me/egualiteraria


*Reportagem produzida na disciplina de Redação e Reportagem II ministrada pelo professor Alan Milhomem.



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