• Moema Cambraia

Projeto Akari: atendimento à população indígena do Amapá

Voluntários se unem em meio à pandemia da Covid-19 para auxiliar e cuidar de quem precisa no Oiapoque.


Dr. Alceu Karipuna em atendimento na Aldeia Kumenê. | Foto: Divulgação Instagram @projetoakari

O “Projeto Akari - Saúde e identidade indígena”, surgiu em abril deste ano e consiste em levar saúde e melhores condições de vida aos moradores do município de Oiapoque, com visitas mensais que duram cerca de uma semana. Para este trabalho, são realizadas arrecadações de doações como livros, materiais escolares infantis, vestimentas e calçados, alimentos não perecíveis, medicamentos básicos, entre outros.

“Como eu sou indígena de uma comunidade do Oiapoque, uma das minhas inspirações pra fazer medicina foi poder cuidar do meu povo, tanto da parte indígena, quanto da população do Oiapoque mesmo", afirma o fundador do projeto, médico e professor da Universidade Federal do Amapá (UNIFAP), Alceu Karipuna.

Equipe Akari no Rio Oiapoque. | Foto: Divulgação Instagram @projetoakari

Alceu é da etnia Karipuna do Amapá e comenta sobre o surgimento do projeto, que em suas diversas idas ao seu local de origem, através de eventos da Universidade ou a passeio, percebia que poderia ajudar a aldeia de alguma maneira. Surgiu então, a ideia de criar o projeto de forma independente para contribuir com as comunidades em vulnerabilidade social da região fronteiriça.

Com a chegada da atual pandemia, o desejo de fazer a diferença ficou ainda maior, levando-o a implantar o projeto com o auxílio de colaboradores e voluntários. O médico aborda que a proposta é ser somente complemento de um cuidado que é de responsabilidade pública, e, muitas vezes, não é suficiente. Relata também que, pela sua identidade indígena, seus parentes da aldeia confiam muito nele e possuem, nas palavras do médico: "uma conexão valiosa entre si”.

Medicamentos naturais. | Foto: Divulgação Instagram @projetoakari

Além dos atendimentos medicinais tradicionais, a equipe também busca fornecer alternativas de fácil acesso às aldeias como uma forma de prevenção ao Coronavírus e demais doenças. Os especialistas ensinam como podem ser preparados e usadas os medicamentos naturais, chás, ervas medicinas, entre outros.

A Associação das Mulheres Indígenas em Mutirão (AMIN), é uma colaboração de extrema importância para o projeto. A junção surgiu como uma iniciativa de enfrentamento a Covid-19, onde a equipe da Associação convidou o médico para ministrar oficinas destinadas às parteiras indígenas. A parceria mútua com a AMIN tem diminuído certas dificuldades, como o deslocamento até as comunidades.

Equipe Akari em Aldeia Kamarumã/Terra Indígena Uaça. | Foto: Divulgação Instagram @projetoakari

Mas, o maior obstáculo acaba sendo a incompatibilidade de horários, devido a grande quantidade de voluntários que vão às viagens. O projeto possui também um coordenador, Jonathan Soares, e conta com cerca de 20 colaboradores fixos, além dos voluntários que vão ocasionalmente, como por exemplo, muitos acadêmicos de medicina.

Médicos, psicólogos, enfermeiros, dentistas e professores, são alguns dos profissionais que também fazem parte do grupo, e, conciliar as agendas nem sempre é fácil. Os trabalhos começam ainda no trajeto, os especialistas vão prestando assistência desde os que moram na estrada e município do Oiapoque, até os que residem à beira do rio e nas aldeias.

“O que fazemos ali, são necessidades que podem implicar na vida e na saúde daquelas pessoas, porque de alguma maneira, amenizamos os problemas. (...) O principal para mim, é fortalecer a identidade do nosso povo.” Alceu Karipuna

Alunos da Aldeia Ahumã recebendo kits escolares doados. | Foto: Divulgação Instagram @projetoakari

Para doar, fazer parte ou conhecer as ações, acesse o Instagram: @projetoakari. As doações materiais são recolhidas pelos colaboradores e as financeiras, através do PIX fornecido pelo direct.

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