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Para além das barreiras: a inspiradora trajetória do paratleta amapaense Alessandro Brito

Nascido para superar os desafios, o desportista transformou os obstáculos em trampolins para o sucesso, construindo uma trajetória notável que vai muito além da deficiência que tem.

Por Breno Pantoja

Alessandro Brito competindo no arremesso de peso. Fonte: Arquivo pessoal.

Em um mundo onde as barreiras muitas vezes parecem impossíveis, a história inspirada de Alessandro Brito, um paratleta amapaense com deficiência visual, brilha como um exemplo vivo de resiliência, determinação e superação.


Uma trajetória que vai muito além das vitórias esportivas, mas sim sobre a vitória da resiliência e da esperança sobre suas limitações. Sua jornada é uma verdadeira lembrança de que o triunfo vai além da visão física, abrindo caminho para novas perspectivas de grandes conquistas.


A jornada do paratleta não foi pavimentada apenas por vitórias, mas sim moldada pelos desafios que superou. Os primeiros dias após a descoberta da deficiência visual foram tristes e desafiadores. Uma mistura de sentimentos como frustrações e tristeza.


“Sou deficiente visual há 17 anos, eu perdi a visão aos 19 anos por glaucoma, pressão ocular. Passei sete anos da minha vida com depressão, sem fazer nada, só em casa, tinha medo de sair, de andar”, afirma o Alessandro.


No entanto, após um período abraçou a ideia de que as limitações físicas não devem definir os limites de suas conquistas na vida. Foi que em 2013 conheceu o professor Marlon Gomes, que hoje é seu técnico.


“Liguei para ele em agosto de 2013 e disse que eu tinha primeiro que estudar para poder entrar na equipe, fazia dez anos que não estudava. Aí ele me indicou o CAP [Centro de Apoio Pedagógico à pessoa com Deficiência Visual], a instituição ensino braile e a orientação à mobilidade para o cego ter sua independência”, conta.


Após fazer o teste, Marlon Gomes, que viria a ser seu técnico, disse ao atleta que tinha como dar certo, porém precisava melhorar algumas coisas no desempenho. Em 2014, foi a sua primeira competição, ocorrida em Natal (RN). Segundo o paratleta, não foi muito bem por ser a primeira competição e teve problemas com nervosismo.

Alessandro Brito e Marlon Gomes no pódio. Fonte: Marlon Gomes/ Arquivo pessoal.

Passado um ano com muitas dedicação e treino, foi para competição e conseguiu melhorar a marca no lançamento de dardo, de 22 metros para 33. “Foi o que me fez melhorar bastante e até hoje estou aqui, completei 10 anos ano passado”, lembra o paratleta.


Enfrentando momentos difíceis, ele encontrou no esporte adaptado não apenas uma saída, mas sim uma paixão que o impulsionou a níveis de excelência. Ao longo de sua carreira como paratleta, Alessandro Brito desafiou as expectativas, limites e quebrou recordes, demonstrando que a verdadeira grandeza reside na capacidade de transcender as adversidades.


“Depois que eu competi a primeira vez, vi que tinha como melhorar, então, me dediquei cada vez mais. Eu tinha que estar no treino sempre, para mim eu tinha que estar. E isso já faz parte da rotina e me acostumei bem, graças a Deus”, ressalta.

Alessandro Brito em treino. Fonte: Erick Even.


Seus feitos não são apenas medalhas conquistadas, mas testemunhos vivos de resiliência, força mental e dedicação inabalável. Sua história é uma mensagem poderosa de superação e inspiração.


“É difícil por falta de apoio, patrocínio, essas coisas, mas a gente não pode desistir e isso foi meu incentivo para continuar a vida. Tudo é um propósito de Deus, nada é por acaso. Então, eu estou muito feliz, graças a Deus, com a ajuda do atletismo”, celebra.


Ele não apenas conquistou pódios, mas também cortou barreiras sociais, desafiando as dificuldades e abrindo caminhos para os outros competidores: “A nossa dificuldade é se locomover para o treino. Problemas como de transporte, não tem calçada acessível, essas que são as maiores dificuldades,” complementa.


Sua trajetória também ressalta a importância dos direitos humanos para atletas com deficiência. A acessibilidade e a inclusão contribuíram para as batalhas diárias e seu engajamento nesse contexto não apenas melhora seu desempenho, mas eleva a consciência sobre a necessidade de uma sociedade mais inclusiva.


“Minha principal inspiração para continuar é tentar bater o recorde brasileiro. Estou atrás, porque cheguei próximo e ainda não consegui bater. Mas o objetivo é esse. Se Deus quiser, eu vou alcançar. Eu fui campeão brasileiro, já competi no Open Internacional, já ganhei o bronze disputando com outras pessoas. Bastante conquista que tenho nos campeonatos nacionais, regionais, MIT, jogos universitários”, conclui o desportista.


A emocionante história de Alessandro é um lembrete de que a verdadeira grandeza não está ausente na adversidade, mas se enfloresce nela. Seu comprometimento, sua persistência frente às dificuldades e sua paixão pelo paratletismo não apenas o define como um atleta de elite, mas como um modelo a ser seguido, inspirando outros paratletas a acreditarem no poder transformador da superação, que vai além de qualquer dificuldade física ou intelectual.

Alessandro Brito treinando posicionamento com o seu treinador Marlon Gomes. Fonte: Erick Even

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