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Os diferentes significados da Páscoa

Atualizado: 19 de jun. de 2018

A religiosidade e a preparação para esta época de Páscoa possuem diferentes significados para as religiões cristãs e afrodescendentes


Maria Silveira/AGCom


A celebração da Páscoa vem de muito antes da ressurreição de Jesus, desde a época em que o povo hebreu ainda era escravo do povo egípcio. No processo de libertação desse povo com o faraó, as negociações eram sempre frustradas, pois cada vez que chegavam a um acordo, este era quebrado, já que o faraó acabava desistindo e seu povo arcava com as consequências.


Fonte: Domínio Público

Segundo a Bíblia (Êxodo 11:4 e 5), todos já estavam cansados das promessas infundadas e assim foi dado um ultimato ao faraó, se ele não libertasse o povo hebreu, todo primogênito seria sacrificado. O profeta chamado Moisés, representante de Deus, era guia do povo hebreu em sua libertação e os orientou, antes de sua partida eles deveriam sacrificar um cordeiro e com seu sangue desenhar um X na porta de suas casas, assim, Deus reconheceria a fé de seu povo.


Dai vem o significado do termo páscoa: pular além da marca, passar sobre ela ou poupar. A “noite de todas as noites” ou a “vigília das vigílias”, que aconteceu de sábado para domingo, foi essa passagem da escravidão do povo hebreu para sua libertação. A Páscoa é a comemoração da liberdade desse povo.


Muito tempo depois e, coincidentemente, na semana de celebração da Páscoa, Jesus visitou a cidade de Jerusalém, onde alguns dias depois foi crucificado. Sua ressurreição se deu no domingo de Páscoa e esta, para os cristãos, ganhou um novo significado em que não mais precisariam de sacrifícios animais porque reconheciam a penitência de Jesus como sua salvação.


Religiões, doutrinas e Páscoa


Por causa da influência do Cristianismo, principalmente no Brasil na época da catequização dos povos, algumas religiões, direta ou indiretamente, possuem manifestações no período da páscoa.


No Candomblé, há uma preparação na Semana Santa, mas nada tem a ver com a ressurreição de Jesus ou a libertação dos hebreus. Foi um período que, segundo Jomar Magalhães, há oito anos praticante do Candomblé e participante da Comunidade Religiosa Encanto de Yemanjá, que assim como para tantas outras atividades religiosas no Brasil na época da escravidão, se usou a data para encobrir a verdadeira tradição do Candomblé, já que os terreiros eram fechados pelas igrejas cristãs e por esse motivo, nessa semana, eles não abrem e tudo é coberto, para que ninguém veja nada e apenas no sábado se acorda com o Tambor de Aleluia.


Segundo a crença, depois dessa semana, um dos deuses trouxe o pão para a sua aldeia que passava fome. No ritual do Candomblé, os fiéis se preparam com banho de descarrego, que limpa a alma e o corpo, banho atrativo para atrair energias boas, amor e riquezas, colocam proteções nos braços chamadas Contra Egum e andam de branco.


Já a Páscoa para o Pastor Gabriel Boldt da Igreja Evangélica Luterana do Brasil, na cidade de Macapá, lembra, principalmente, a ressureição de Jesus, celebrando a vitória de Cristo sobre a morte. “A cada domingo é uma pequena Páscoa para a fé cristã”, disse o pastor. Em sua igreja, ela é comemorada com um culto no domingo, preferencialmente no primeiro horário da manhã, onde acontecem louvores, confissões e pregação da palavra.


Na doutrina Espírita, Jesus não é reconhecido como o salvador, mas sim como guia modelo, e a salvação vem da prática de seus ensinamentos, o que muda todo o significado do ritual da Páscoa, que é reconhecida como um simbolismo de religiosidade.


“Acreditamos que o sacrifício de Jesus veio para mostrar o amor, a paz e o perdão. O sacrifício tem que ser nosso, o espírita deve vigiar seus atos todos os dias para se tornar um ser melhor, assim como ele era, não precisamos de um dia específico para ter um momento de reflexão, mas também não o repudiamos, só não há um simbolismo. O sacrifício de Jesus não foi para nos livrar do pecado se não, não teríamos responsabilidades e os nossos erros tem que gerar responsabilidade”, esclareceu Ana Coeli, presidente da Federação Espírita do Amapá (FEAP).


Segundo o missionário da Comunidade Católica Shalom, Tássio Ramos, a igreja católica relembra, na Semana Santa, principalmente a ressurreição de Jesus, apesar de que em algumas de suas missas são lidos os textos do velho testamento, que falam sobre a libertação do povo hebreu. A Semana Santa é uma das datas mais importantes, pois relembra todo o caminhar de Cristo para a sua paixão, morte e ressurreição.


Sua preparação começa no Domingo de Ramos, onde é relembrado Jesus sendo aclamado na entrada em Jerusalém. Na segunda, terça e quarta-feira são realizadas missas relembrando os milagres de Jesus. Na quinta-feira, se inicia a Tríduo Pascal com a celebração da Eucaristia ou Sagrada Comunhão. Sexta-feira Santa é um dia de oração e silêncio porque Jesus está no túmulo. No sábado para o domingo acontece a Vigília Pascal onde é relembrada a ressurreição de Jesus e assim ser dada a benção final.


Se cada religião possui peculiaridades na Páscoa, num ponto, elas convergem: Páscoa é um momento de reflexão, perdão e renovação. Então, aproveitemos este domingo para refletir, perdoar e renovar nossos sentimentos. Feliz Páscoa a todos!

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