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NÃO QUERO SER JUBILADO E VIRAR UM CACHORRO!

Crônica por Lucas Araújo, estudante de Jornalismo da Unifap


Tem uma frase... de um filme, The Bang Bang Club: “A grande foto é aquela que consegue fazer um questionamento, consegue fazer você pensar”, Ok. Depois de uma aula de terça à noite, desci do ônibus, chegando à ladeira, quando me deparo com aquela cena: uma matilha de cães de rua, um bando de cachorro velho;  e garoava. Fiquei inquieto e angustiado por não ter uma boa câmera para gravar aquele momento/movimento, que na minha mente era uma cena de cinema em câmera lenta, os pelos chacoalhavam água, eram tantas patas juntas que eu escutava o barulho de cada uma ao tocar o chão molhado. QUESTIONAMENTO: Para onde eles iam? Por que estavam juntos? Por acaso tinham fugido de um abrigo? Então, segundo o filme que eu acabara de assistir, essa era a grande foto. Isso abriu meus olhos para outro fato: Todos os dias, em idas e vindas, eles estão lá, paradinhos pelos arredores da universidade, às vezes, parece que estão conversando, enquanto todo mundo está terrivelmente afobado, eles estão quietinhos, calminhos, isso traz a nossa outra frase chave.



“A felicidade não está no topo de uma montanha, nem após uma linha de chegada, a felicidade não é uma coisa a ser conquistada, nem um prêmio a ser ganho, a felicidade está na caminhada, e na paisagem encontrada a cada dia”, sabe? Como a matilha de cães logo acima, a euforia de saber que eu podia registrar e dizer que eu vi o novo, isso tudo rega o prazer em existir. Isso são eles e nós somos os que vem e vão e invés de calminhos, nós estamos o tempo todo desejando. Querer não é pecado, mas querer demais o deixa doente, as mãos e pés suam, e quando você não consegue, fica frustrado; e se quer tudo, acaba agarrando o mundo até pelas unhas, arranhando a porta que doeria muito menos se nem fosse aberta, chora, dá dor de barriga. Ansiedade é pensar com pesar no futuro e por isso ficar paralisado no presente, e pensar com pesar no passado e sentir que não fez o bastante para ter um bom presente. A esse ponto da história, o acadêmico no TCC talvez diga, “isso é muito eu né”, e em seguida pode pensar “não quero ser jubilado e virar um cachorro”, calma...


Olha só os cachorros, já pensou se eles não chegaram lá por acaso? Tipo será que eles não estão lá para mostrar que se preocupar demais é besteira? Será que a grande foto da nossa vida não é o perfeito momento em que “do nada” todo mundo vai entender isso: desligar os motores dos carros, desligar os celulares, e “começar” a sorrir euforicamente e se abraçar? Poderia ser também uma grande guerra de balões d’água, né? Soa como e é utopia, mas “do nada” já surgiram muitas coisas incríveis, inclusive, o próprio universo no qual você está existindo agora, imagino que nesse meio tempo lendo isso você deve estar achando essas conexões sem sentido algum, eu também pensava a mesma coisa sobre a felicidade - surreal “vou ser tão feliz quando eu chegar lá”... E agora ? o agora ? qual grande foto a gente pode tirar?

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