• Thales Lima

Mulheres da região do Beira Amazonas inauguram cozinha coletiva

De Fishburguer a maionese de açaí, a cozinha produz alimentos com ingredientes retirados da própria floresta.

(Foto: Thales Lima/AGCOM)

“Com a cozinha podemos dar mais alimentos, nutrição e bons rendimentos. Sendo que não tem industrializados. Tudo vem da natureza e não contém agrotóxico. Produzindo para as famílias comidas mais saudáveis”, diz Hélida Costa, uma das coordenadoras da Cozinha Coletiva do Beira Amazonas. O empreendimento comandado totalmente por mulheres vem beneficiando várias comunidades próximas e busca expandir sua produção até a capital. A região do Beira Amazonas compreende o conjunto de várias comunidades ribeirinhas e faz parte do município de Itaubal, no Amapá.

Hélida mora na comunidade de Ipixuna Miranda e diz que já cozinhava antes de fazer parte do projeto da Cozinha Coletiva. Ela acredita que com a cozinha o processo da produção dos alimentos ficará melhor. Além de Hélida, outras 37 mulheres ribeirinhas fazem parte diretamente do projeto. São mulheres de várias comunidades vizinhas à sede da cozinha, que fica no Rio Macacoari.

A cozinha busca fortalecer a organização feminina nas comunidades. (Foto: Thales Lima/AGCOM)

Na cozinha são produzidos alimentos onde os ingredientes são encontrados ali no próprio quintal, a floresta. Para complementar o sabor e o recheio dos alimentos, são cultivados pelas próprias mulheres hortaliças e pés de frutas, como a graviola e o cupuaçu.

Dos alimentos produzidos na cozinha, destacam-se o Fishburguer (hambúrguer de peixe); empadão de camarão com massa de pupunha; brigadeiro de açaí, maionese de açaí, geleias de açaí, abacaxi e jenipapo; bolos de açaí, macaxeira; pão de tapioca; farofa de camarão; pamonha da banana; pudim de açaí; biscoito de açaí e a salsicha de peixe.

O carro chefe da cozinha é o açaí, mas também utilizará outras matérias primas durante o período de entressafra. Fotos: Thales Lima


Deurizete Araújo, moradora da comunidade do Rio Bacaba, também é uma das coordenadoras da Cozinha Coletiva do Beira Amazonas. Conta que o projeto surgiu em 2014, nesse período de estudo do empreendimento a ser implementado na região percebia a presença de muitos homens. Foi então que com a articulação da Escola Família Agroecológica do Macacoari (EFAM) e do Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB) foi possível atrair mais mulheres para dentro do processo.

“Com o IEB agora, a gente conseguiu captar o recurso juntamente com a Associação Agrobacaba. A Agrobacaba fez a gestão do recurso para poder construir a cozinha. A cozinha teve aí todo um processo de dificuldade, mas a gente tá caminhando. Cozinha inaugurada, estamos prontas para abrir para o mercado”, conta a coordenadora.

Deurizete conta que o açaí é o foco principal da cozinha e que os trabalhos irão acontecer principalmente no período da entressafra. Quando acabar a safra do açaí, outra matéria prima será utilizada, como o taperebá, o cupuaçu, etc. Dessa forma a cozinha consegue respeitar o ciclo natural das frutas e garantir uma diversidade nos produtos.

“A cozinha vai trazer muita renda para todas as mulheres. Vai agregar valor em todas as comunidades, pois são várias comunidades que estão dentro desse processo. A cozinha vem como uma fonte de renda para todo mundo. As mulheres são as mais beneficiadas em todo esse processo” diz Deurizete.

Segundo Andréa Bavaresco, coordenadora executiva do IEB, o projeto da cozinha coletiva busca trabalhar com a economia e a sociobiodiversidade, fortalecendo as organizações e a autonomia feminina por meio dos seus empreendimentos.

“A Cozinha Comunitária foi uma ferramenta que o IEB encontrou para juntar esse grupo de mulheres, para que elas se organizem como rede e essas redes possam estar promovendo autonomia financeira, além de promover a autoestima e tirar essas mulheres da invisibilidade. Principalmente no que se refere ao trabalho que elas promovem na gestão de seus próprios territórios”, comenta Andréa.

Após a inauguração da cozinha, o próximo passo é introduzir esses alimentos no mercado. Um objetivo que as mulheres do Beira Amazonas estão correndo atrás. Deurizete fala que o grupo está em contato para fazer uma degustação dos alimentos em Macapá, para a população da capital conhecer o trabalho dessas mulheres e abrir o mercado para esses produtos mais saudáveis.

“O destino próprio a gente não tem, a gente tá querendo colocar no mercado. Além disso, a nossa iniciativa é poder entregar para o PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar). O PNAE está aí como uma porta que abriu, um leque, que entrega produtos para todas as escolas”, fala Deurizete.



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