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Grupo de pacientes oncológicos se unem e formam rede de apoio para buscar assistência no tratamento

A ideia do grupo surgiu nos corredores do Hospital das Clinicas Dr. Alberto Lima e, atualmente, garante o apoio a pacientes que estão enfrentando a batalha contra o câncer.

Por: Loiana Matos e Daniele Fernandes


(Foto: Arquivo digital do Pouva)


Receber um diagnóstico de câncer é algo extremamente difícil e desafiador. Por isso, ter apoio de familiares e amigos ajuda pacientes oncológicos a ter mais força para seguir com o tratamento e com uma vida mais saudável e prazerosa.


Pensando nisso, no ano de 2016, um grupo de mulheres se conheceram no Hospital de Clínicas Dr. Alberto Lima (HCAL), na Unidade de Tratamento de Alta Complexidade em Oncologia (UNACON), de Macapá, decidiram criar um grupo no aplicativo Whatsapp. Escutando sobre o diagnóstico de câncer uma da outra, elas se aproximaram e nesse grupo, elas compartilhavam experiências e ofereciam apoio para seguirem o tratamento.


Em seguida, com a quantidade de participantes aumentando, batizaram o grupo como Pacientes Oncológicos Unidos pela Vida e pelo Amor – POUVA. Atualmente, 169 pessoas fazem parte desse grupo de acolhimento e, agora, reúnem semanalmente para debaterem os acontecimentos e buscarem por uma “voz” mais ativa no enfrentamento das dificuldades do dia a dia e nas conquistas dos direitos como cidadãos que dependem de um bom e eficiente tratamento do serviço público ou privado.


(Foto: Arquivo digital do POUVA)


Segundo as integrantes do grupo, essa troca de informações e o apoio de pessoas que também estão passando pelo mesmo problema se torna esperança em dias melhores.

Mara Monte, 64 anos, é técnica em enfermagem e atualmente faz tratamento de controle do câncer. Mara necessita tomar medicação a cada seis meses e enxerga no Pouva, um local de acolhimento. “No grupo, a gente adquire força pra enfrentar a doença e todos os seus obstáculos. O Pouva é como uma fortaleza para que cada um se sinta capaz de enfrentar os problemas que vivenciamos todos os dias”, relata a técnica em enfermagem.


Descobrir o câncer traz diversas inseguranças e incertezas. Para as mulheres, uma das primeiras coisas que vem à mente é a queda do cabelo. A autoestima fica bastante abalada quando isso começa a acontecer. Além de todas as questões que a doença implica, estas mulheres ainda sofrem este abalo.


Joseane Dantas, 37 anos, é pedagoga e enfrenta seu terceiro tratamento de câncer. Há 5 anos trava batalhas contra a doença. Ela não se deixa abater e com a ajuda do grupo recebe bastante força para superar. Além disso, no grupo ela conseguiu adquirir perucas para ajudar em sua autoestima. “Em 2016, fui diagnosticada e perdi o meu cabelo. Pra mim, essa foi a fase mais difícil porque eu não conseguia me imaginar sem cabelo, e eu não tinha conhecimento de como conseguir uma peruca.


Sair de casa sem cabelo e aceitar o olhar do outro sem pena era bem complicado, mas com o grupo Pouva eu ganhei uma peruca e melhorou 100%. Saio na rua sem problema nenhum. Há pacientes que optam em não usar peruca e a gente respeita isso, mas eu não consigo sair sem a minha, porque é como se eu tivesse perdido a minha identidade, eu não aceito o olhar de pena, quero que me olhem com o olhar de que sou corajosa e guerreira”, contou Joseane.


(Foto: Arquivo pessoal de Joseane)


Léa Learte é coordenadora e uma das primeiras integrantes do Pouva, ela destaca a importância que o grupo possui junto aos pacientes de câncer. “O grupo é pra recepcionar as pacientes quando fazem a descoberta do seu diagnóstico porque a gente sabe que a saúde no nosso estado é precária, então bate o desespero e o medo de morrer. Então, como nós já passamos por todas as etapas e ainda estamos em tratamento, o grupo vida é pra acolher e trazer autoestima pra essa mulher, fazer ela ter fé no tratamento e olhar pra doença de uma outra forma, como uma nova etapa na vida a ser superada”, diz Léa.


(Foto: Daniele Fernandes/ AGCOM)


O grupo conta com doações para arrecadação de materiais de higiene pessoal e também de cabelo humano para a confecção de perucas paras as pacientes que desejarem. Essas ações são feitas através de voluntários, pois o grupo não conta com nenhum tipo de apoio financeiro do poder público.


Através dessas inciativas, o grupo ganhou uma voluntária muito importante. É Maria Trindade Gomes, de 54 anos, vítima de escalpelamento que trabalha confeccionando perucas e apliques desde 2012. Em 2019, conheceu as mulheres do Pouva e tornou-se voluntária. Cerca de 100 perucas já foram entregues, somando as suas doações para as vítimas de escalpelamento e pacientes oncológicos.

(Foto: Arquivo pessoal de Maria Trindade)


“Gosto de ajudar, acho muito legal ver a autoestima das pessoas quando eu faço as entregas. Não recebo nada, não tenho um salário, o dinheiro que eu vendo um cabelo ou uma peruca para outras pessoas, eu compro o material para continuar trabalhando, apenas recebo o cabelo como doação e como sou vítima de escalpelamento e aprendi a fazer perucas, eu decidi que iria fazer doações para outras vítimas de escalpelamento e de câncer”, contou a voluntária.

Maria também recebe encomendas de perucas para comercialização. Porém, todo cabelo que é entregue para fins de doação, ela transforma em perucas e as entrega para projetos, como é o caso do Pouva.


(Foto: Arquivo digital do POUVA em uma entrega de perucas para pacientes da UNACON)


Elas lutam diariamente para que seus direitos sejam respeitados e cumpridos. Além disso, precisam da solidariedade das pessoas. O grupo conta com a colaboração da sociedade em geral e se disponibiliza para buscar as doações dos produtos de higiene pessoal e dos cabelos, ressaltando que todos os tipos de cabelo são aceitos, até mesmo os que possuem química. Basta entrar em contato através das redes sociais abaixo:


Instagram: @pouva5

Facebook: Pouva Pacientes Oncológicos

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