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Estudo sobre aumento de casos subnotificados no Amapá

Análise foi feita com base nos boletins divulgados diariamente e as subnotificações foram realizadas com base em artigos já existentes.


Por Luiz Felype


O Dr. Luis Maurício Abdon da Silva, do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá, realizou uma análise sobre crescimento dos casos de subnotificações em decorrência do Novo Coronavírus, no Amapá. A pesquisa foi elaborada com base nos dados do Ministério da Saúde e outros artigos. Objetivo é manter população informada sobre o número e evolução dos casos. O estudo foi baseado “em modelos matemáticos e que podem não representar a realidade. Em todo caso, pode servir de direcionamento de ações” para o Governo. “[A análise] engloba tanto os casos reais relatados quanto essas subnotificações”, alerta Abdon.


A subnotificação é uma ocorrência de casos que não entram nas estatísticas oficiais. Ocorrem nas situações em que aumentam os números de internações por doenças respiratórias, superlotação dos cemitérios, assintomáticos ou pacientes com síndromes leves. O crescimento dos casos acumulados, a falta de testes em massa e o tempo de verificação dos exames impedem as notificações oficiais de terem a noção real da contaminação.


Número de casos positivos diários e acumulados


Segundo o relatório, os resultados dos casos acumulados demonstram que na primeira quinzena de abril, tivemos uma média de 127 casos positivos, na segunda quinzena de abril esses números tiveram uma média de 635 casos, enquanto na primeira quinzena de maio (faltando os dias 14 e 15 de maio) temos em média 2132 casos. Observou-se que os casos se ampliaram para os arredores das cidades de Santana e Macapá. Nesse período começaram a ocorrer casos nos balneários indicando a locomoção da população para o interior durante o período de isolamento.


Os dados utilizados foram coletados nos meses de março, abril e maio. A pesquisa mostra gráficos que representam números de casos positivos e possíveis subnotificações dispararem. No dia 13 de maio, a região Norte do Brasil possuía 34.088 casos, representando 26,14% dos casos no Brasil e o Amapá possuía, no mesmo dia, 3.005 casos confirmados, representando 8,82% dos casos no país.


O trabalho se estendeu pelo período do dia 20 de março, quando o Estado registrou o primeiro caso positivo para o Coronavírus, e o dia 03 de maio. O pesquisador transformou os dados com a mudança na escala, que originalmente é absoluta, para uma escala logarítmica, para dar uma ideia de linha reta, como se vê no gráfico.


Os casos positivos acumulados tenderão sempre a subir, para mostrar a real evolução


“Calculamos a taxa de subnotificação de casos positivos para o Amapá, essa taxa está provavelmente entre 7 a 10 vezes, ou seja, ou números de positivos hoje pode estar de 7 a 10 vezes subnotificados. Então, se no dia 13/05/2020 temos 3.005 casos positivos, provavelmente esse valor está entre 21.000 a 30.000 casos”, afirma o relatório. De acordo com esses dados, há uma alta defasagem nos números de casos positivos.


“A taxa percentual de casos positivos, nos exames em investigação, é de 80%, ou seja, no dia 13/05/2020, tínhamos 5.418 exames em análise, então se no dia 13/05/2020 tínhamos 3005 casos positivos e que 80% dos 5.418 casos em investigação são positivos, teríamos então no dia 13/05/2020 aproximadamente 7340 casos positivos. Extrapolando para a taxa de subnotificação, teríamos então casos infectados entre 51.380 a 73.400”.


O estudo também mostrou uma possível projeção de mortes para o Amapá, com base no SIR (suscetível, infectado e recuperado), um modelo matemático que representa doenças de transmissão direta, proposto pelos autores Kermack e McKendrick.


"O modelo SIR não leva em consideração se tem medicamento, se tem ou não tem leito, se tem ou não tem quarentena. É um modelo bruto", diz Abdon.

O número máximo de infectados em um dia provavelmente será de 31.683 e o número de mortes chegará provavelmente a 554, em algum dia


Os suscetíveis são aqueles capazes de adquirir a doença. Nesse caso, envolve toda população amapaense. Os infectados são os que têm a doença. Já a classe dos recuperados/removidos são os curados ou os que chegaram a óbito. Para esta análise, foram considerados os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em que a população do Amapá era de 669.526, em 2010. O modelo usado foi o SIR 2010, que abrangeu as seguintes características:


  • Considerando que os suscetíveis são 600.000 pessoas;

  • Que a duração do vírus no corpo é de 15 dias;

  • Que a taxa de transmissibilidade é de 2 (uma pessoa transmite para outras duas);

  • Que a taxa de recuperados seja de 97%;

  • Que a taxa de mortalidade seja de 3% (calculada como a razão entre os óbitos reais e os números de casos positivos);

  • E que a probabilidade de contágio seja de 15%.

A conclusão da pesquisa por meio desses dados é que o pico de casos positivos ocorreu na última semana de maio. Existe, também, uma estimativa de mortes, recuperados e positivos por dia e para toda população. Assim como uma projeção de número de mortes por sexo e faixa etária da população amapaense. O pesquisador também estudou casos por categorias étnico-raciais. Toda pesquisa pode ser consultada aqui.


População negra


A análise da contaminação por Covid-19, no Amapá, é desenvolvida com base nos dados do IBGE de 2010 e de outros especialistas. O estudo foi elaborado a pedido de uma pesquisadora. A população negra, segundo o Instituto, representa 4,5%, no Amapá. A definição do IBGE considera a soma dos autodeclarados pretos e pardos como soma representativa da população negra no país. Neste caso, esse número é somado com a porcentagem de pardos (74,4%) e soma 78,9% para auxiliar na análise.


Segundo a projeção do gráfico abaixo, o pico dos casos positivos ocorreu na última semana de maio. Também foi analisada uma estimativa nos números de mortos, recuperados e casos positivos por dia para toda população. A conclusão desse gráfico foi que o máximo de infectados, em um dia, provavelmente chegou a 28.064 e o número de mortos foi 488 pessoas.


Modelo SIR para população negra do Amapá


O gráfico leva em consideração alguns dados: considera que os suscetíveis são 528.264 pessoas; que a duração do vírus no corpo é de 15 dias; que a taxa de transmissibilidade é de 2 (uma pessoa transmite para outras duas); que a taxa de recuperados seja de 97% e a de mortalidade seja de 3% (calculada como razão entre óbitos reais e números de casos positivos); e que a probabilidade de contágio seja de 15%. No que se refere a projeções por sexo e idade, os maiores números de mortes serão em homens negros, com mais de 60 anos.


Números de mortes por sexo e faixa etária da população negra do AP

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