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Estudantes mães: o dilema de engravidar durante a graduação e o ensino médio

Atualizado: 28 de out.

Histórias de gravidez durante o processo de estudos, suas dificuldades e vitórias.

Por Loiana Matos

Concluir os estudos para muitos já é bastante difícil. Para mulheres que engravidam nesse processo, torna-se mais difícil ainda. São tantas tarefas a serem concluídas dentro e fora do ambiente escolar/acadêmico que faz com que muitas desistam dos estudos. Porém, para a grande maioria dessas mães, desistir não é uma opção.

Aos 20 anos, Aline Teixeira engravidou de sua filha Emilly Fernanda. Ela estava matriculada em duas graduações. Pela manhã, estudava psicologia na FAMA e, à noite, pedagogia na UNIFAP. Para ela, aquele não era o momento de se tornar mãe. “Quando engravidei, fiquei surpresa porque eu fazia duas faculdades. No momento eu não estava pensando em ser mãe ainda, eu queria ser mãe, mas não naquele período com duas graduações a serem concluídas. Então, foi um susto!”, relembra Aline.

Hoje, ela tem 27 anos e não desistiu de nenhuma das suas graduações. Nunca duvidou que poderia sim concluir os dois cursos, mas revela que foi bastante cansativo conciliar a vida acadêmica e a gravidez. Alguns amigos de Aline a aconselhavam a desistir dos cursos ou então deixar ao menos um por acreditarem que ela não conseguiria.


Foto: Arquivo Pessoal


"Na minha cabeça, agora mais do que nunca eu tinha que me formar. E eu não queria me formar só em uma, eu queria me formar nas duas. Então foi muito complicado esse processo de aceitação nos primeiros meses, mas depois eu aceitei e coloquei como propósito que eu iria terminar por conta do amor que eu estava construindo pela minha filha”, disse.

Hoje, Aline conta que valeu muito a pena se dedicar às duas faculdades. Logo que ela concluiu os cursos já teve oportunidades para trabalhar e, atualmente, atua na área da psicologia, “valeu muito a pena, pois eu tive a oportunidade de atuar nas minhas duas áreas de atuação, o mercado sempre esteve aberto e quando eu saí já fui logo trabalhar, trabalhei como pedagoga e atualmente trabalho como psicóloga. Consigo proporcionar uma vida boa para minha filha”, conta.

O apoio familiar é de extrema importância para estas mulheres. Em muitos casos, elas não possuem qualquer tipo de assistência do pai da criança para a maternidade ocorrer de forma mais leve ao compartilhar tarefas e custos. Algumas optam por não concluir os estudos naquele primeiro momento, já que as demandas da maternidade são muito maiores. É o caso de Gabriela Martins, de 25 anos, que descobriu sua gravidez quando estava concluindo o ensino médio.


Foto: Arquivo Pessoal


Na época, ela não recebeu apoio da família e conta que foi bem difícil conciliar os estudos e a maternidade. Gabriela parou a escola para conseguir criar e sustentar seu filho, que hoje tem 9 anos. “Quando meu filho nasceu estávamos no período das férias de julho Quando retornamos às aulas eu o levei ainda algumas vezes e uma amiga me trouxe em casa porque a logística de ir e vir no ônibus lotado com um recém-nascido era péssima, acabei não concluindo ali o ensino médio parei de frequentar a escola ainda no início de agosto, justamente pela falta de uma rede de apoio em casa”, conta Gabriela.

Depois de alguns anos, Gabriela conseguiu concluir o ensino médio através do ENEM, quando completou 18 anos. Hoje, ela tem seu próprio negócio, conseguiu abrir um estúdio de beleza. Apesar de várias tentativas em dar continuidade em seus estudos - já procurou começar um curso técnico em enfermagem ou uma faculdade de pedagogia - não vê outra opção que não o trabalho autônomo pela necessidade do sustento imediato, “mas graças a Deus hoje nossa renda vem do meu empreendimento e parece que consegui ser aceita de novo na sociedade porque no final ‘deu certo’. Mas foram anos muito difíceis”, relata.

Já Nicole Lemos, de 27 anos, quando engravidou de seu primeiro filho, há quatro anos atrás, ela estava no último semestre do curso de jornalismo. Foi concomitante ao processo de pesquisa do TCC e sentiu dificuldades pois passava várias noites em claro, tendo que conciliar os cuidados com o seu bebê e o trabalho de conclusão de curso.


Foto: Arquivo Pessoal


“Foi bem difícil. Quando meu filho tinha 3 meses eu comecei a fazer meu TCC e como eu fiz tudo sozinha, passei muitas noites em claro para poder concluir a tempo e não perder o prazo da formatura. Mas eu consegui concluir o curso no tempo certo sendo que o único atraso foi por consequências das greves que tiveram na Unifap no período em que eu estudava”, explica. Hoje em dia, Nicole trabalha em assessoria de comunicação e se sente bastante realizada, trabalhando na área que ela sempre quis.

Brenda Gomes, de 21 anos, que é acadêmica de jornalismo descobriu sua gestação quando já estava de seis meses. Ela conta que levou um susto pois sabia que muitas mudanças iriam ocorrer em sua vida. “À princípio eu fiquei com muito medo. Tive receio de ter que abandonar a faculdade, o estágio até porque eu estava iniciando nesse estágio. Mas eu tive apoio dos meus familiares quanto a isso”, conta.


Foto: Arquivo Pessoal

Atualmente, seu bebê está com 4 meses e ela conta com o apoio de colegas e professores da graduação para conseguir vencer as etapas da vida acadêmica, “até hoje eu ainda tenho muita ajuda de meus colegas porque o neném é bem novinho, principalmente quando eu tenho que faltar (...) eu sempre peço pra algum amigo, ou mando mensagem para o professor pra explicar o que tá acontecendo, o porque eu faltei e sempre pego o assunto que o professor passou no dia, com os colegas”, explica ela.

Brenda faz de tudo para conciliar a maternidade, vida acadêmica e ainda o seu estágio, porém às vezes se sente frustrada por pensar que não está conseguindo fazer tudo, mesmo tendo ajuda de outras pessoas, “eu tenho rede de apoio em casa, mas às vezes eu me sinto também muito sobrecarregada, porque eu concilio a vida de dona de casa, a vida de mãe, a vida de estudante e também a vida de estagiária. Não é tão simples como algumas pessoas acabam pensando, é muito complicado às vezes ter que deixar a criança em casa é muito doloroso pra mim e para meu filho. Muitas vezes eu não consigo fazer tudo que eu deveria ter feito, tanto na universidade, quanto no estágio por conta de que minha prioridade é ele, mas a gente sempre dá um jeitinho né?”, finaliza Brenda.

Sem dúvidas a maternidade é uma parte da vida de uma mulher que exige tempo e dedicação. Algumas, acabam adiando os estudos para se tornarem mães, ainda assim, outras conseguem conciliar a maternidade e os estudos, com muito sacrifício. A maioria das pessoas não tem noção de quantos desafios uma mãe precisa superar para dar conta da criação de seus filhos. Se pudéssemos viver em um mundo onde pais e mães fossem responsáveis pela criação dos filhos da mesma forma, a maternidade não seria algo tão desafiador para a maioria das mulheres.


















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