• Léo Nilo

Energia elétrica gerada por biogás pode energizar 16 mil residências no Amapá

Atualizado: 23 de set. de 2021

O biogás é um produto gerado pela decomposição da matéria orgânica. No Brasil, já representa 9% de toda energia produzida.


Aterro Sanitário de Macapá (Foto: Ministério Público do Amapá)

Quase um ano após o apagão que deixou 13 dos 16 municípios do Amapá no escuro, o estado enfrenta outra crise energética, resultado do sétimo ano seguido de chuvas abaixo do esperado nas hidrelétricas do Brasil. Para solucionar a dependência do país nas usinas hidráulicas, torna-se urgente o investimento em fontes de energia alternativas - como o biogás, que, segundo estudos, pode beneficiar até 66 mil amapaenses caso implantado.

De acordo com um estudo idealizado pelo Instituto Escolhas em parceria com o Centro Internacional de Energias Renováveis (CIBiogás), a Amazônia tem um enorme potencial inexplorado de geração de energia através do biogás. Apenas no Amapá, é possível produzir 15 milhões de metros cúbicos de biogás por ano, sendo a maioria destes a partir dos resíduos sólidos urbanos. Esta quantidade é capaz de gerar até 31 GWh de energia elétrica e alcançar 16 mil residências do estado.

O biogás consiste no gás gerado por toda matéria orgânica - lenha, bagaço de cana-de-açúcar, restos de alimentos - após sua decomposição. No Brasil, já representam 9,1% da energia gerada, de acordo com um relatório realizado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) em parceria com o Ministério de Minas e Energia. Este gás, se solto na atmosfera, contribui para a poluição e o efeito estufa.

Resíduos orgânicos. (Foto: Léo Nilo)

Larissa Rodrigues, coordenadora do estudo, ressalta os benefícios da implantação dessa fonte de energia. “[A energia produzida pelo biogás no Amapá] Daria para beneficiar mais de 60 mil pessoas todos os anos, e usando como combustível o lixo. Algo que é um resíduo, que não tem custo, e que além disso poderia ter uma destinação correta. [...] É uma fonte de energia limpa, porque ele aproveita os gases de efeito estufa que estariam sendo emitidos naturalmente para a atmosfera e acaba fazendo a geração de energia com isso.”

Larissa Rodrigues, coordenadora do Instituto Escolhas (Foto: Leonardo Rodrigues)

Macapá possui um aterro sanitário desde 2013 e, portanto, já capta e drena esse gás produzido por resíduos orgânicos. Para a transformação do biogás em energia elétrica, seria necessário apenas o investimento da implantação do motogerador. Para os municípios que ainda descartam seus resíduos em lixões a céu aberto - prática que deveria ter sido erradicada até 2014, de acordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) - o retorno financeiro provocado pelo aproveitamento do biogás pode ser um incentivo para a convertê-los em aterros sanitários.

Mesmo fora do âmbito governamental, o biogás pode ser aproveitado pela população. Com biodigestores em menor escala, cooperativas ou comunidades conseguem drenar e captar o biogás dos resíduos que produzem, e utilizá-lo para suprir suas próprias necessidades de energia. Ainda, este gás pode ser usado como substituto do gás de cozinha.

De acordo com a EPE, 65,2% da energia consumida pelo Brasil, em 2020, vem de usinas hidráulicas, que hoje enfrentam a pior crise hidrológica em 91 anos. Nesse cenário, o investimento em fontes de energia alternativas se torna urgente. Como ressalta Larissa Rodrigues, “é importante ter uma diversificação de fontes de energia, justamente porque elas têm características complementares. Então quando uma energia falta, ou em determinado momento do ano aquela energia tem menos, o biogás entra para complementar”.

Usina Hidrelétrica Santo Antônio do Jari. (Foto: Reprodução)

Ao ser procurada pela AGCOM, a Prefeitura de Macapá, responsável pelo aterro sanitário da cidade, respondeu que está analisando as informações e ainda não possui um estudo conclusivo sobre a situação.



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