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Diabetes: com controle, é possível viver bem

Entenda como o tratamento e a rotina alimentar saudável podem ajudar a controlar a diabetes, uma das doenças crônicas que mais atingem brasileiros.


Por Etienice Silva

O controle da alimentação é um dos principais pontos para a qualidade de vida da pessoa com diabetes. Fonte: Reprodução /Freepik.

Receber o diagnóstico de diabetes definitivamente não é algo fácil. Por se tratar de uma doença ainda sem cura confirmada, muitos pacientes acabam perdendo as esperanças após o resultado e até mesmo dispensando maiores cuidados. No entanto, com o acompanhamento médico, tratamento adequado e, principalmente, com o controle da alimentação, muitos pacientes hoje conseguem viver com qualidade e sem grandes preocupações.


A Agente Comunitária de Saúde (ACS) Tatiane Castro da Silva, 46 anos, recebeu diagnóstico de diabetes há 14 anos e entende bem o sentimento. "Foi uma surpresa pra mim na época, não tinha nenhum outro caso na minha família", relembra. Tatiane que trabalha na Policlínica Maria Tadeu, em Santana, há 19 anos, conta que convive com a diabetes durante a maior parte dessa caminhada. Em 2007, a ACS adquiriu Diabetes Gestacional. “A gente sabe que geralmente a diabetes gestacional desaparece depois de um tempo, mas no meu caso persistiu e até hoje eu realizo o acompanhamento aqui mesmo pelo Maria Tadeu”, diz.


Segundo o Atlas da Diabetes divulgado em 2021, atualmente a doença atinge pelo menos 537 milhões de pessoas no mundo todo. Atualmente, no Brasil, são cerca de 15,7 milhões de pacientes adultos com diabetes, o que coloca o país no 6° lugar do ranking mundial de países com maior incidência da doença. O Atlas apresenta ainda uma estimativa de que esse número chegue a 23,2 milhões até o ano de 2045.

Rank com os 10 países ou territórios em número de adultos (20 a 79 anos) com diabetes em 2021 e 2045. Fonte: Atlas da Diabetes / 2021.

De acordo com o Ministério da Saúde, a Diabetes Mellitus (DM) é uma doença causada pela produção insuficiente ou má absorção de insulina, hormônio responsável por realizar o controle da glicose no sangue, além de aumentar a captação da mesma nos tecidos adiposo e muscular, garantindo assim energia para o organismo. A não-atuação da insulina no corpo humano pode causar a hiperglicemia, condição na qual os índices de açúcar no sangue se apresentam muito acima do normal e que “abre portas” para inúmeras outras complicações como infecções, infarto do miocárdio e o pé diabético.


Entenda como funciona a insulina no corpo humano


Principais classificações da diabetes


Tipo 1

Segundo o Ministério da Saúde, o tipo 1 da Diabete Mellitus atinge entre 5 e 10% dos pacientes considerados diabéticos no Brasil. Geralmente é diagnosticada na infância ou adolescência, mas há diagnósticos em adultos também. Trata-se de uma doença crônica não transmissível e hereditária, que exige o uso diário da insulina, além de outros medicamentos para o controle da glicose no sangue. Pode levar também à cetoacidose (condição grave resultante de taxas muito elevadas de açúcar no sangue) e em alguns casos, a necessidade de hospitalização.


Tipo 2

Atingindo pelo menos 90% da população brasileira, de acordo com o Ministério da Saúde, a condição adquirida da diabetes ocorre devido ao mau funcionamento do pâncreas, quando este produz insulina em quantidade insuficiente. Geralmente é identificada em adultos com obesidade e depois dos 40 anos. Um dos principais fatores é o sedentarismo e a alimentação não saudável. O tratamento é realizado com mudança controle alimentar e, em alguns casos, com medicamentos chamados de hipoglicemiantes (comprimidos que reduzem o excesso de açúcar no sangue).


Gestacional

Condição temporária causada pelo desequilíbrio hormonal durante a gravidez e que, segundo a Federação Internacional de Diabetes, atinge pelo menos 18% da população feminina gestante. Na forma gestacional da doença, as taxas de glicose no sangue são observadas acima do normal, mas não possuindo valor suficiente para ser classificada como diabetes tipo 2.


Pré-diabetes

Os pacientes classificados como pré-diabéticos apresentam níveis de glicose acima do considerado normal, mas que não estejam altos o suficiente para serem considerados como diabetes tipo 1 e 2. Esse grupo é considerado também como grupo de atenção, uma vez que a condição ainda pode ser revertida. Dados do Ministério da Saúde mostram que destes, pelo menos 50% chegam a desenvolver a diabetes propriamente dita.


A alimentação como fator alarmante

Enfermeira Mayara Keicyane. Fonte: Acervo pessoal.

A enfermeira Mayara Keicyane, 30 anos, que atua há 3 anos na Equipe de Saúde da Família (ESF) da Policlínica Maria Tadeu em Santana, conta que a maioria dos casos atendidos em sua área de abrangência são de pacientes acometidos de diabetes e hipertensão.


“De uns tempos pra cá a gente percebeu de perto esse aumento na incidência de doenças crônicas como a diabetes e a hipertensão. A gente percebe também que há muito o consumo de industrializados por parte desses pacientes, principalmente os mais novos que acabam consumindo muitos alimentos ricos em gordura e açúcar”, observa a enfermeira.


Assim como Mayara, Neide Arruda, que é nutricionista há 15 anos e atualmente realiza uma especialização em doenças crônicas, orienta e acompanha inúmeras patologias, incluindo casos de pessoas diabéticas. A nutricionista que atende nas Unidades Básicas de Saúde Iacy Alcântara, Antônio Serieiro e na comunidade do Anauerapucu, aponta sobre os hábitos alimentares da população.


“Esse é um dos principais fatores que são porta de entrada para essas doenças crônicas não transmissíveis e infelizmente a gente consegue observar uma maior prevalência entre a população de mais baixa renda, que por não ter condição de comprar alimentos mais ricos em nutrientes, acaba consumindo muitos alimentos embutidos e enlatados ricos em sal, lipídios (gorduras) e carboidratos”, destaca.

Nutricionista Neide Arruda destaca um conjunto de fatores que leva aos casos de diabetes. Fonte: Acervo pessoal.

A nutricionista ressalta ainda o fator cultural no nosso estado. “Aqui no Amapá nós consumimos muito o açaí, que por um lado é uma coisa boa por se tratar de uma gordura vegetal, porém em excesso até uma coisa boa pode se tornar negativa, principalmente se for consumido com a farinha de mandioca em excesso também”.


Neide Arruda aponta que, em geral, o maior número de pacientes faz parte da população idosa. No entanto, nos últimos anos, principalmente após a pandemia de Covid-19, tem aumentado bastante o número de crianças e adolescentes apresentando obesidade, hipertensão e diabetes. “Eu converso muito com os pais também para se atentarem a isso, pois muitas vezes há um consumo alto de frituras, pela praticidade mesmo, dentre outros fatores”, afirma.


Com a observação da desigualdade socioeconômica em conjunto com a falta da educação alimentar e ao acesso facilitado da população a alimentos ricos em nutrientes, a nutricionista realiza constantemente palestras sobre educação alimentar, repassando informações básicas sobre quais alimentos são necessários termos à mesa, por quais substituir os que são prejudiciais e por que fazê-los.


“A gente tenta ajudar como pode, além do nosso trabalho mesmo por quê vemos de perto a realidade das pessoas. Meu sonho seria que tivéssemos uma Horta Comunitária que tornasse esse acesso por parte da comunidade a esses alimentos mais facilitada”, conta a nutricionista.


Quando devo me atentar sobre a possibilidade do diagnóstico?

Arte: Etienice Silva / Jornalismo Unifap.

Segundo a enfermeira Mayara Keicyane, é importante atentar-se aos sintomas e procurar um médico assim que notar algo errado, além de evitar tomar medicação não receitadas pelo profissional. “Infelizmente um fator que a gente observa que dificulta muito o diagnóstico é a automedicação. Os pacientes, em geral os mais novos, tomam alguma medicação para tratar os sintomas, então muitas vezes o real motivo acaba passando despercebido”, complementa.


A diabetes, assim como qualquer outra doença, sempre vem com sintomas. Confira no quadro ao lado alguns dos sintomas que identificam e diferenciam a diabetes 1 e 2.


Acompanhamento

As Equipes de Saúde da Família (ESF) são equipes multiprofissionais que realizam o acompanhamento primário dos pacientes. São compostas por enfermeiro, médico, técnico em enfermagem e agentes de saúde que atuam na prevenção e identificação das doenças. Em casos mais complexos e quando necessário, os pacientes são encaminhados para o Núcleo de Assistência à Saúde da Família (NASF), composto por fonoaudiólogo, psicólogo, fisioterapeuta e nutricionista. Em casos mais graves da doença, o paciente é encaminhado também ao endocrinologista, profissional responsável por analisar as especificidades de cada paciente.


Lidar com o diagnóstico e entender o que era a doença foi algo com o que Tatiane Castro precisou lidar logo no início do processo. “No início foi muito difícil ter que lidar com isso, principalmente a parte da alimentação, mas com o acompanhamento eu consegui entender que me cuidar era preciso”, relembra.


A nutricionista Neide Arruda também ressalta a questão do autocuidado. “Se o paciente se descuidar, a tendência é que a situação só piore, agora fazendo o uso da medicação direitinho, além do acompanhamento e controle da ingestão de carboidratos, é possível viver tranquilamente”, afirma. A Agente de Saúde afirma que atualmente faz o controle alimentar e usa o hipoglicemiante apenas, mas que está saudável então de vez em quando se permite comer um docinho, “não pode exagerar claro, mas com controle hoje consigo me permitir uma vez ou outra”, diz Tatiane.


A enfermeira Mayara faz também um apelo à população. “A gente pede para que todos realizem um check-up de seis em seis meses, ou pelo menos uma vez ao ano. Todos os dias nós realizamos aqui na UBS Maria Tadeu a coleta de material para exame das 7h30 às 9h, então fica o convite à população”, finaliza.


O medicamento

Segundo o Ministério da Saúde, em março de 2017, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (CONITEC) incorporou ao Sistema USÚnico de Saúde (SUS) duas novas tecnologias para o tratamento do diabetes:

  • A caneta para injeção de insulina, para proporcionar a melhor comodidade na aplicação, facilidade de transporte, armazenamento e manuseio e maior assertividade no ajuste da dosagem;

  • Insulina análoga de ação rápida, que são insulinas semelhantes às insulinas humanas, porém com pequenas alterações nas moléculas, que foram feitas para modificar a maneira como as insulinas agem no organismo humano, especialmente em relação ao tempo para início de ação e duração do efeito.

Arte: Etienice Silva / Jornalismo Unifap.

Os medicamentos e tratamentos da diabetes são garantidos aos pacientes por lei. Em Santana, as Insulinas Protamina Neutra de Hagedorn – NPH e Insulina Regular, na versão caneta e frasco utilizadas no controle da diabetes, estão disponíveis desde setembro de 2022 em três unidades de saúde no município:

  • Policlínica Alberto Lima. Endereço: Travessa Manoel Moura de Carvalho, bairro Daniel;

  • Policlínica Maria Tadeu. Endereço: Avenida Castelo Branco, nº 530, bairro Paraíso;

  • UBS Antônio Serieiro. Endereço: Avenida Maria Colares, bairro Nova Brasília.

As unidades funcionam de segunda a sexta-feira no horário das 8h às 12h e das 14h às 17h.

Dicas de conteúdos sobre o tema

A Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), é uma associação multiprofissional que atua na conscientização, prevenção e tratamento da doença, através da produção e disponibilização gratuita de conteúdos voltados para o público geral e profissionais da saúde. Além de podcasts, a SBD produz também ebooks educativos sobre a doença.


*Reportagem produzida na disciplina de Webjornalismo ministrada pelo professor Alan Milhomem

2 comentários

2 Comments


Roberth Santos
Mar 23, 2023

Uma matéria muito legal sobre os tipos, causas e sintomas da diabetes, com certeza muito instrutiva e informativa, meus parabéns.

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ingrid gomes
ingrid gomes
Mar 23, 2023

Uma reportagem de qualidade que nos ensina como lidar com a diabetes, obrigado

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