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"DA LUTA EU NÃO FUJO": Margaridas a caminho de Brasília

Atualizado: 8 de abr. de 2023

Macapá estará presente na Marcha das Margaridas, uma ação conduzida e

protagonizada por mulheres trabalhadoras rurais do campo, florestas e das águas.


Por Crinsna Martins


Marchas das Margaridas de 2019 em Brasília: milhares de mulheres reunidas na defesa dos direitos das trabalhadoras ruais, das pautas femininas e do meio ambiente. Foto: CONTAG

A 7ª edição da Marcha das Margaridas será realizada dias 15 e 16 de agosto de 2023, em Brasília (DF), com o lema “Margaridas em Marcha pela Reconstrução do Brasil e do Bem Viver.

Cartaz oficial da Marcha das Margaridas 2023. Foto: Reprodução/CONTAG

Esse é um movimento para construir visibilidade pública e reconhecimento social e político para as trabalhadoras pertencentes aos mais diversos territórios, que ocorre de 04 em 04 anos, e sua última edição foi em 2019.


Desde seu surgimento, nos anos 2000, a marcha tem grande capacidade de mobilização, tornando-se referência nacional de organização e luta das mulheres trabalhadoras rurais. Hoje, é a maior e mais efetiva no Brasil e em toda a América Latina, sendo organizada pela Confederação Nacional de Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares (CONTAG) e suas 27 Federações e sindicados filiados, movimentos feministas e centrais sindicais.


A inserção dessa marcha nas dinâmicas locais é importante para que as mulheres consigam levar esse debate e informações do campo até as capitais do país, mobilizando ações políticas que estão enraizadas em cada local. Cada margarida, mulher do campo, tem sua particularidade, e com esse movimento todas viram uma só em prol da resistência e experiencias tecidas em comum na vida.


LANÇAMENTO DA MARCHA EM MACAPÁ

Roda do Bem Viver, Lançamento da Marcha das Margaridas 2023 em Macapá no Comitê do Partido Trabalhista. Foto: Crinsna Martins

Em Macapá, na última sexta-feira (17), ocorreu a Roda do Bem Viver, uma programação alusiva ao dia das mulheres, onde houve o lançamento da Marcha das Margaridas no Amapá, realizado no Comitê do Partido Trabalhista (PT) no centro da cidade. A Vice-presidente Estadual do Partido Trabalhista (PT) Ivanéia Souza Alves ressalta a importância da participação das mulheres amapaenses nesse evento, pelo protagonismo feminino na luta por seus direitos após os últimos anos de um governo difícil.


“O papel do partido é mobilizar as mulheres tanto do partido, quanto da cidade e do Brasil inteiro a participar, e trazer uma visão que as trabalhadoras rurais necessitam”, comenta Ivanéia.


As mulheres do campo seguem um feminismo a partir de sua vivência, enfrentam dificuldades, lutam contra a violência em suas diversas faces para defender sua agroecologia, territórios e principalmente a vida. A desigualdade de classe que as afeta é maior que a da cidade, garantir esses direitos é o mínimo para promover o bem viver em defesa de suas terras.

Ivanéia Souza Alves, Vice-presidente Estadual do Partido Trabalho Trabalhista. Foto: Crinsna Martins

Segundo a Secretária de Formação da Federação dos Trabalhadores Rurais do Amapá (FETAGRAP), Elisangela dos Santos Aragão “fazer essa mobilização é difícil, pois demanda recursos, ainda precisamos de patrocinadores para trazer essas mulheres do campo até a capital, e levá-las até Brasília, onde ocorre o evento em agosto”.


Elisangela dos Santos Aragão, agricultora. Foto: Reprodução/Acervo pessoal

“O governo anterior dificultou nossas ações, na última marcha em 2019 pouco suporte nos foi oferecido, tivemos nossos direitos violadas, foi bastante difícil. Passamos o ano preparando e estudando todas as pautas, verificando qual deu certo e nem conseguimos ser atendidas”, lamenta Elisangela.


As expectativas, segundo a organização, são altas e a Elisangela também como agricultura em Tartarugalzinho está entusiasmada, mas reforça a importância de parceiros

para que isso ocorra. A Federação dos Trabalhadores pede a colaboração de todos para fazer desse evento a magnitude que ele necessita.


Pela democratização do poder e pela garantia do direito às mulheres a vida política, as margaridas marcham até Brasília, debatendo suas realidades, mobilizando desde seu território, comunidades, bairros, sindicatos, federações, comitês do Lula, entidades entre outros movimentos, para anunciar um novo Brasil, que abra caminho para a sociedade do Bem Viver.


A GRANDE MARGARIDA ALVES

Margarida Maria Alves Arquivo resgatado pela Comissão Nacional da Verdade. Foto: Reprodução

O nome da marcha é uma homenagem a sindicalista e defensora dos direitos humanos, a brasileira Margarida Maria Alves, que morreu em 1983, em Alagoa Grande, Paraíba. Sua morte causou enorme comoção e revolta, pois Margarida foi assassinada com um tiro no rosto na porta da sua casa, disparado por um matador, a mando de um proprietário rural da região. Este crime nunca foi solucionado pela Justiça e teve grande repercussão nacional e internacional, chegou a ser denunciado à Comissão Interamericana de Direitos Humanos.


Seu impacto no cenário brasileiro fez com que, sua antiga casa fosse comprada pela Prefeitura Municipal de Alagoa Grande e virasse museu, em 26 de agosto de 2001 ele foi inaugurado. Na fachada do local está escrito sua frase mais famosa, que virou símbolo da luta sindical no Brasil: Da luta não fujo. É melhor morrer na luta do que morrer de fome.

Desde então, pautas de reivindicações especificas das mulheres são unidas e levadas ao governo federal, tornando se a maior e mais efetiva ação das mulheres da América Latina.


Saiba mais sobre a marcha das margaridas no site da CONTAG ou no Instagram da Marcha das Margaridas.

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