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Corpos putrefatos, o filho nobre e o mar | Fala, Tu!

AGCOM: Saudações! Essa é a coluna “Fala, Tu!”, um espaço pensado para leitores da AGCOM expressarem suas opiniões, compartilharem obras e comentários. Podem ser cartas, crônicas, poesias, charges, fotografias, ilustrações, desenhos ou qualquer outro gênero textual. Esta semana, a coluna foi dividida em duas partes: uma lançada quarta-feira (12/05), e essa. Hoje, contamos com textos de Guilherme Correia, Rafael Santos e Renan Corrêa:


CORPOS PUTREFATOS

Por: Guilherme Correia

O mundo está com corpos putrefato.

Vísceras antigas de dor e violência ressoa em um crânio oco.

Diziam que haviam uma mente dentro de lá.

Mas a inteligência sucumbiu.

Andando vejo os corpos de iludidos em putrefação

Sem rumo.

Sem vida.

Abastecem veias com álcool.

Inflam os pulmões com cigarro.

Riem ironicamente.

Tão idiotas...

Tais desiludidos,

terão em sua necropsia,

a mais certa resposta,

se havia ou não alma ali.


O FILHO NOBRE

Por: Rafael Santos

No silêncio deste ato Eu começo a prosear Sobre um homem afamado Que vai te emocionar.

Não é sobre Silvio Romero, Nem sobre Augusto Leite É sobre um guerreiro Que fez da vida um deleite E nessa insanidade de ficar alienado Me perdi do meu passado. Pois me contaram de grande conquista, Mas não falaram que perdemos cedo um grande jurista. Meio século passou por aqui, Entre rimas e versos, Críticas e progressos Ele sempre lutou por sí. Fora de listas negras Sem deixar para nós ônus Fez parte da academia de letras Sendo um dos grandes patronos. Vem de um povo sapiente De coração cor gente Povo de muitos cuidados Tecem versos, como tecem bordados. Então, fazendo o favor, por obséquio e gentileza. Não tire a nobreza, nem a pureza desse povo sonhador. Termino de prosear Com uma verdade a falar Aqui tem costura, mas também tem cultura. Vem sem medo, aqui é Tobias Barreto.


O MAR

Por: Renan Corrêa

Lembro-me dos roncos do mar, antes de se aparecer, escondido: anunciante, ameaçante. Me vinha um tremor de o que se é isso que ronca, feito bicho; um bobinar do meu coração de menino, uma curiosidade, um cheiro de sal e umidade que me levantava, nas imaginações, uma névoa feia, certas formas silhuetadas dum sonho que se repete, de sempre em sempre, nas madrugadas. São ferozes certas memórias, de quando voltam — re-voltam!

O caminho, o mesmo e outro, muitos; sempre os caminhos insurgentes, a modo de que quase me nomeiam — tu vais andar, vagante! O caminho do mar dos meus sonhos, nunca o vi, e mais já, quase, o verei: o vi.

O mar era um alvoroço de vozes diluídas em salmoura, uma sinfonia de mortes reais, imaginadas, arquitetadas, acidentais. Meu coração parou. Era imensidão muita. — não existe. Existia. O real, no tempo ontem, meu, interno, íntimo, é também metafísica. Eu desapareceria naquele simbolismo, além dos meus raciocínios. É de causar delirâncias o que não cabe nos olhos. Eu não queria, qual fosse o tempo, ver o mar, outra vez?, nunca mais.

Agora, ancorado na minha existência, à frente, adiante, os assobios velozes, o absurdo infinito do horizonte verde-azul — o mar. Revisito-o, ano-em-ano, para ter medo, e assim redescobrir a coragem.

 

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