• Léo Nilo

Comunidades do Amapá se encontram em evento para discutir organização comunitária

Evento foi organizado pela UEAP. Representantes do Bailique, Beira Amazonas e EFAC estavam presentes.

(Foto: Lylian Rodrigues/AGCOM)

Durante os dias 27 e 28 de novembro, comunidades do Amapá participaram de um curso de organização comunitária. O evento foi promovido pelo Núcleo de Desenvolvimento Territorial Sustentável (Nutex) da Universidade Estadual do Amapá (Ueap) e contou com membros dos territórios do Bailique, Beira Amazonas e da Escola Família Agroextrativista do Carvão (EFAC).

Janaina Freitas Calado, chefe da divisão de extensão da Ueap e uma das organizadoras do evento, afirma que o Núcleo de Desenvolvimento Territorial Sustentável visa otimizar os processos produtivos dos territórios e assim promover sua sustentabilidade financeira, além de trabalhar aspectos educativos. “[Bailique, Beira Amazonas e Carvão] têm em comum a visão de organização social para conseguir reivindicação de políticas públicas e do bem-viver deles mesmos”, afirma Janaina.

Durante o curso, os presentes participaram de diversas atividades para fomentar o intercâmbio de saberes entre as comunidades. À tarde, foram levados até a Escola Municipal Leonice Dias Borges, localizada na Ilha de Santana.

Sonhos dos participantes para as comunidades que integram. (Foto: Lylian Rodrigues/AGCOM)
Escola Municipal Leonice Dias Borges, localizada na Ilha de Santana. (Foto: Lylian Rodrigues/AGCOM)

Katiane Lopes dos Santos mora na comunidade Livramento do Bailique e participou do curso por ver na organização comunitária uma forma de buscar melhorias para as condições de vida do território. “A gente quer se organizar para tentar levar essas carências [água, saneamento básico, educação] que tem lá”, diz Katiane, e revela que atualmente a comunidade busca ajuda através de um grupo chamado Bailique Esperança, formado por várias organizações, principalmente atrás de água potável para as famílias carentes do território. Antônio Luís faz parte da Associação das Comunidades Tradicionais do Bailique (ACTB), organização que integra o Bailique Esperança, e espera que o curso influencie na base das comunidades ali presentes, a fim de fomentar a educação e a organização.

Também presente, Tamires da Silva integra a Associação de Mulheres Extrativistas do Limão do Curuá (AMELC), do Bailique, e afirma que tinham muita dificuldade com a parte burocrática da venda do óleo de pracaxi, e atualmente buscam ajuda para exportar o produto. Esta foi a primeira vez da AMELC em um evento da UEAP, e Tamires afirma que “é um ensinamento pra gente. [...] É uma oportunidade muito grande pra gente porque é uma troca de conhecimento.”

Membros das comunidades do Bailique, Beira Amazonas e EFAC. (Foto: Lylian Rodrigues/AGCOM)

Fábio Merladet, coordenador da Universidade Popular dos Movimentos Sociais e convidado do evento, já entrevistado pela AGCOM, espera que, a partir destes primeiros diálogos, seja possível planejar a realização de uma oficina da UPMS no Amapá. “É estratégico para a Universidade Popular dos Movimentos Sociais criar essas articulações no norte do Brasil também, especialmente na região amazônica”, afirma Fábio.

Fábio Merladet, coordenador da UPMS. (Foto: Martha Sophia/AGCOM)

Apesar do evento ser organizado pelo Núcleo de Desenvolvimento Territorial Sustentável da UEAP, a proposta era colocar as comunidades e seus saberes em protagonismo, como explica a pró-reitora de extensão da universidade Kelly Gomes. “Não cabe à universidade definir o que é prioritário, o que deve ser feito a partir do nosso olhar técnico. [...] A gente é que tem que se adaptar ao que é prioridade para eles. [...] Enquanto pesquisadores, extensionistas, a gente vem de uma ideia de que a universidade é a dona do conhecimento. E como dona do conhecimento, só cabe a ela dizer o que deve ser feito ou não dentro desses territórios. O que acaba sendo uma maneira de colonizar os saberes. [...] Chega da universidade se achar a dona do conhecimento. As populações tradicionais, extrativistas, e qualquer povo, eles têm saberes. E esses saberes têm que ser parte do nosso fazer”, afirma Kelly.

Quanto à implantação de polos da UEAP nos territórios, muito pedida pelas comunidades, Kelly Gomes afirma que é necessário cautela, por envolver vários fatores de infraestrutura e financiamento. “Pensar na expansão sem qualidade é muito complicado”, ela declara.

Trajeto até a Ilha de Santana. (Foto: Lylian Rodrigues/AGCOM)

Colaboração: Lylian Rodrigues

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