• Lorena Lima

Arborização urbana não se sustenta com a falta de planejamento político

Atualizado: 15 de mai. de 2021

Especialista explica os benefícios para a população em uma cidade com Arborização Urbana consolidada.

Árvore caída na Escola Estadual Azevedo. Foto: Lorena Lima

A plantação de árvores, nas cidades, auxilia no bem-estar da população tanto fisicamente quanto mentalmente, diminui a incidência solar, aumenta a biodiversidade visitante e a presença de pássaros e abelhas. O impedimento da arborização urbana eficaz traz consequências negativas no desenvolvimento da população e, principalmente, prejuízos ao ecossistema.

Segundo o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), o Amapá é responsável por desmatar menos de 1% da Amazônia durante um ano. Apesar disso, “a arborização urbana no estado é difusa”, explica Patrick Cantuária, pesquisador no Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado. Ele trabalha no Laboratório de Taxonomia Vegetal, vinculado ao Núcleo de Biodiversidade do IEPA. “No meio de uma floresta tropical, Macapá é uma cidade com menos arborização comparada a outras capitais. Significa que a cidade foi crescendo e a arborização não foi acompanhando o processo de formação e crescimento da cidade”, afirma.

Praça do Paraíso em Santana. Foto: Lorena Lima

Cantuária, com doutorado em biodiversidade e conservação, pós-doutorado em desenvolvimento regional, relata sobre como “a arborização de Macapá é mais percebida nos bairros centrais. No início do crescimento da cidade, se pensava em arborizar. No entanto, as escolhas das espécies não foram bem sucedidas. Hoje, se dá preferência às espécies nativas, das regiões mais fáceis. É uma tendência no mundo todo, de utilizar espécies exóticas ou espécies de fácil crescimento, e com o tempo isso foi repensado e reanalisado que não é a melhor estratégia”.

Para o especialista, a melhor estratégia seria escolher um rol de espécies nativas como mangueiras, buritis, açaizeiros, e palmeiras, em que apresente todas as características importantes para a arborização urbana - não formação de raízes tabulares, mas preferencialmente fasciculadas, as quais apresentam um crescimento mediano. Depende da situação para o local onde a árvore será plantada. “Macapá tem um plano de arborização, mas ele não é obedecido pela população, então as pessoas fazem arborização de forma difusa. Não consultam especialistas para realizar a arborização urbana de forma correta, fazem sua parte, mas nem sempre é o ideal”.

Praça do Paraíso em Santana. Foto: Lorena Lima

A presença de árvores, tanto no passeio público como no conjunto de formação de uma cidade, forma ilha de microclimas e diminuem a temperatura local. “Quando coloca isso isoladamente, a gente já percebe a diferença de temperatura de quem tá no sol e quem está na sombra de uma árvore, por exemplo. Quando escala isso pro todo, dá um percentual de temperatura muito importante que aumenta a qualidade de vida das pessoas, e não é só isso. A presença de árvores também inibe a quantidade de decibéis que chegam até as casas. Então temos um conjunto de características favoráveis à arborização urbana que são muito importantes, e não são consideradas no planejamento da arborização urbana. Pensa-se nos passeios, nas calçadas, enquanto a arborização fica em último lugar e muitas vezes nem é empregada da forma que deveria ser”, conclui o especialista.

O Secretário do Meio Ambiente no município de Santana, Helder Ferreira, explica que a arborização urbana precisa ser eficiente e eficaz em manter equilíbrio ambiental e climático. “Não é a realidade do município hoje, inclusive a gente vem tentando trabalhar agora na elaboração do novo plano de arborização de Santana”. Para Helder é um projeto que deve envolver outros órgãos como o Ministério Público Câmara de Vereadores. “Vou ouvir também a população. E, se trata exatamente de nós tentarmos através desse plano estabelecer estratégias que venham a desenvolver o município nesse sentido ambiental-ecológico para garantir a harmonia e equilíbrio climático”.

Helder Ferreira na Secretaria do Meio Ambiente de Santana. Foto: Lorena Lima

Além da importância da integração e compromisso das instituições governamentais responsáveis, como Secretarias de Meio Ambiente, Urbanização e Prefeituras, a conscientização da população se faz necessária. O secretário ressalta a “forma educativa para passar para a população absorver a ideia de que nós precisamos cuidar. Nesse sentido, e arborizando de uma forma eficiente na região e no local certos, com monitoramento dessas plantas e mudas a serem plantadas na cidade. É um projeto a médio-longo prazo, precisa ser bem elaborado, estudado. A gente já começa a vislumbrar para fazer ainda na nossa gestão”, explica sobre os estudos do projeto de arborização do município de Santana.

Segundo o jornal CNN Brasil, em março de 2021, a Amazônia Legal registrou recorde de desmatamento. O G1 reportou que no mesmo mês a região teve maior taxa de desmatamento em 10 anos. Helder Ferreira comenta como “é lamentável. A gente precisa criar dentro da cidade não só uma cultura de educação ambiental, mas também políticas públicas eficazes e aplicáveis na prática para garantir a preservação do meio ambiente. Estamos dentro da Amazônia, em um dos estados mais preservados da Federação. Entretanto, não entendemos como suficiente, porque não funcionar ou sustentável. Precisamos absorver essa responsabilidade sobre o ambiente que a gente vive”.

O decreto nº 809, de 2017, que regulamenta a Lei Municipal de Santana nº 831/2009 instituiu o código Municipal de Meio Ambiente e dá outras providências dentro dessa regulamentação. Há a base legal para supressão de vegetação e licenciamento sobre autorizações ambientais e também sobre a sobre as autuações de punições e multas.

Assim como é responsabilidade das instituições governamentais garantirem a arborização urbana e a preservação ambiental para o bem estar da população, a mesma deve obedecer as leis que criminalizam o desmatamento de árvores sem fiscalização ou autorização de retirada.


Decreto nº 809, de 2017. Parte 1
Decreto nº 809, de 2017. Parte 2






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