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Animais silvestres recebem cuidados e ações de bem-estar no maior parque em área urbana do Amapá

Bioparque da Amazônia é lar de diversas espécies em recuperação.


Por Iana Amoras

Anta aos cuidados do biólogo do Bioparque e da veterinária do Hospital Veterinário de Macapá. Fonte: Acervo Pessoal / Geraldo Biondi.

A integração entre seres humanos, fauna e flora é essencial para a sustentabilidade e preservação do nosso planeta. Neste cenário, em que todos precisam se relacionar harmoniosamente, o Bioparque da Amazônia se destaca no Estado do Amapá com trabalhos de recuperação e cuidados de animais silvestres.


Com 107 hectares de área verde, o Bioparque abriga 58 animais em logradouros, como: jacaré, antas, onça, macacas-aranha, macacos-prego, araras, tartarugas e mais. Outros diversos vivem em vida livre, como: serpentes, quatis, capivaras, bichos-preguiça e tamanduás-bandeira. O parque abriga uma biodiversidade imensa e visa preservar a qualidade de vida, bem-estar e prestar atendimentos médicos, quando necessário, a todos os bichinhos.


Os atendimentos médicos prestados aos animais são realizados periodicamente e sob solicitação dos funcionários do parque, normalmente dos tratadores que convivem diretamente com os bichinhos. A partir da solicitação, o Hospital Veterinário é acionado e, de acordo com a necessidade, é enviado uma equipe para verificação.


Inaugurado em 8 de agosto de 2022, o Hospital Veterinário é parceiro do Bioparque e fornece assistência clínica, laboratorial e de imagens, além de medicamentos e insumos fundamentais para que haja todo um cuidado com os animais silvestres. A diretora do hospital, Luciane Menegolo, ressalta que a requisição e ministração de medicamentos é de responsabilidade do Bioparque. “A nossa parte é o fornecimento do profissional, dos exames e diagnósticos e, claro, montar toda a prescrição. O restante quem designa é a administração do parque”.


Bárbara Benincasa realizando acompanhamento de animal. Fonte: Prefeitura de Macapá.

Todo o processo de atendimento é planejado para que os procedimentos ocorram tranquilamente, garantindo a segurança tanto do animal quanto do profissional. “Na primeira avaliação, às vezes nem toco no paciente, eu observo o comportamento e faço todo um planejamento de atendimento para ser executado na prática. Ou seja, existem etapas para que a gente possa realizar somente o que é necessário para o paciente”, pontua a médica veterinária Bárbara Benincasa.


Vale destacar que todos os procedimentos são realizados no próprio Bioparque, nenhum animal é deslocado do recinto. “Varia muito de caso para caso, de qual é a espécie que a gente tá lidando, se é uma ave, se é um primata, inclusive tem questão de personalidade. A gente planeja o melhor momento pra tudo, diminuindo o fator stress”, explica a veterinária. A maioria dos exames são feitos dentro do parque após estudo de caso do paciente. Se necessário intervenções cirúrgicas, o Bioparque possui um ambulatório adaptado com maca para receber o animal.


Resgates e educação ambiental

As veterinárias Bárbara e Luciane visitam os animais periodicamente. Fonte: Prefeitura de Macapá.

Geraldo Biondi, biólogo e gerente geral do Bioparque, explica que todos os animais que estão no local são provenientes de resgates feitos pelo Instituo Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) ou outros órgãos que não possuíam espaço adequado para comportar tal animal. “É importante ressaltar que o Bioparque não é responsável por esse tipo de pedido, e sim o CETAS/IBAMA. Mas, a gente acabou recebendo alguns que estão há anos aqui”, destaca.


Os profissionais do parque realizam todo o trabalho de cuidados e reabilitação para que animais aptos possam ser reintroduzidos na natureza. “Tem animal que ficou tão domesticado que, quando abrimos o logradouro, ele não tem vontade de fugir. Nós tivemos um macaco-guariba que conseguiu viver livre aqui, já seu irmão tem medo de sair do espaço dele”, explica o biólogo. No momento, todos os animais abrigados em logradouros estão impossibilitados de retornar ao habitat natural.


“Fera”, onça abrigada no Bioparque. Fonte: Prefeitura de Macapá.

Fera, a onça, vive há dois anos no local. Ela foi resgatada no município de Porto Grande, de uma pessoa que a mantinha desde filhote. Após o resgate, ela foi abrigado no Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS/IBAMA), onde ficou por cinco anos. Lá acabou contraindo toxoplasmose e perdendo a visão. O animal também possui estereotipia - comportamentos motores repetitivos que podem ser causados por diferentes razões - devido a problemas com estresse e, por sua condição, o animal não poderá ser reintroduzido na natureza. No Bioparque, recebe todos os cuidados e tratamentos necessários.


Outro trabalho de manejo de animais é realizado pelos guardas-parque. Os profissionais fazem varreduras na área liberada para visitantes a fim de verificar se nenhum animal peçonhento está no local. “Se eles encontram, nós retiramos o animal daquele local, fazemos a limpeza, retirada de parasitas, e a gente realoca bem mais pra dentro do Bioparque, onde o público não passeia", explica Biondi.


Curso de contenção de animais peçonhentos para acadêmicos de Ciências Biológicas da Unifap. Fonte: Reprodução / Instagram @geraldobiondi.

Além desses trabalhos, o Bioparque tem parceria com instituições para pesquisas acadêmicas. “Sempre temos estagiários da Unifap, normalmente do curso de Biologia. Eles fazem pesquisas de insetos, coleta de materiais para análise em laboratório e tudo mais”, diz Biondi. Outros órgãos, como o Instituto de Pesquisa Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (IEPA), fazem registros de animais e insetos, como o barbeiro. “O Bioparque é um laboratório a céu aberto, então a gente está sempre disponível para todas essas instituições”, complementa.


Geraldo Biondi, biólogo do Bioparque. Fonte: Acervo pessoal / Geraldo Biondi.

Outros projetos são voltados à educação ambiental para os visitantes. Os biólogos conversam com o público explicando as características de cada animal, tanto com os que estão em logradouros como os que são de vida livre. "Às vezes a gente faz a quinta-feira dos biólogos, por exemplo. Eu sou o responsável pelas serpentes, então eu faço a contenção delas, mostro pro público como identificar, a forma de tirar da residência sem machucar ou tirar a vida do animal e depois devolvo ao habitat”, diz Biondi.


Recomendação

A ação do MP-AP buscou preservar a segurança dos animais e pessoas. Fonte: Divulgação / MP-AP.

Em 2020, o Ministério Público do Amapá emitiu recomendação para que o Bioparque não abrigasse mais animais silvestres. O documento tem como base informações de que alguns animais estariam sendo exibidos em espaços inapropriados. "O objetivo é preservar a segurança dos animais e pessoas, visto que o recinto não é apropriado para ser habitação destes seres, mesmo que sua estadia resulte de maus tratos e crimes ambientais”, divulgou o MP.


O Bioparque acatou a recomendação, não está recebendo novos animais e o biólogo esclarece: “nossos logradouros são registrados pelas normas do IBAMA, os espaços são autorizados de acordo com o tipo de animal. O Fera, por exemplo, muita gente acha que o local é pequeno, mas está tudo dentro das normas do IBAMA e seguindo elas. Ele está em um local que cabem quatro felinos”, afirma.


A veterinária Bárbara acredita que, apesar de o Bioparque oferecer um suporte, é necessário melhorias. “O crescimento ainda é necessário, então é orientado para que se tenha os insumos médicos fundamentais e que haja a capacitação dos tratadores, e esse está sendo um projeto do Bioparque, eles estão se organizando para que se tenha uma rotina médica”, explica.


Biondi também acredita em melhorias. “A gente queria ter um logradouro maior? Sim! Sem dúvidas, mas o importante é que nós conseguimos oferecer o que os animais que já estão aqui necessitam”. Ainda de acordo com o biólogo, o Bioparque é equipado para emergências, dispondo de materiais básicos.


Os recursos destinados ao local são provenientes do Tesouro Municipal, a partir de licitações de despesa. “É feito um orçamento, repassado à prefeitura e depois realizado o pagamento das despesas, que inclui desde o alimentos dos animais até produtos de limpeza, enfim tudo que é gasto dentro do Bioparque”, explica Biondi. A única outra fonte de recurso é a bilheteria, os valores arrecadados são destinados à manutenção básica e de emergência.


O Bioparque da Amazônia Arinaldo Gomes Barreto

O Bioparque da Amazônia tem seu espaço idealizado desde 1973, quando Raimundo dos Santos Souza, o saudoso Sacaca, arquitetou o Parque Florestal da Cidade com o intuito de abrigar animais silvestres enquanto a estrada que une Macapá ao porto de Santana estava sendo construída. Mais tarde, o local foi adaptado para um Jardim Zoobotânico, tendo sido fechado para o público por não cumprir com requisitos de órgãos fiscalizadores do meio ambiente, como o IBAMA.


Após 20 anos de portas fechadas, a Prefeitura de Macapá realizou obras e adequações no local possibilitando sua reinauguração. Assim, em 25 de outubro de 2019, o Bioparque foi reaberto para visitação, com espaços próprios e adequados para exposição de diversas espécies de plantas e animais.


O parque conta também com atividades como: tirolesa, trilha suspensa, trilhas terrestres, parque infantil, arvorismo, entre outras. Além de projetos voltados à educação ambiental, com o propósito de conscientizar e educar quem passa pelo local. Todas as informações sobre o funcionamento podem ser consultadas no site do Bioparque.



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