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A EDUCAÇÃO ESTÁ DOENTE: Relatos sobre a precariedade do ensino remoto nas escolas públicas do Amapá

Atualizado: 16 de abr. de 2021

Por: Hendrew Rodrigues

Imagem: internet

O Brasil vive um dos seus períodos mais complicados da história. Trata-se da evidência do despreparo, da falta de liderança e do planejamento dos seus gestores administrativos públicos, que refletem de forma grave essa crise humanitária na vida do povo brasileiro, especialmente nas áreas de saúde, trabalho e educação.

Em meio a pandemia do Coronavírus, as instituições de ensino estão com suas atividades escolares suspensas há cerca de 7 meses. E, há incertezas de quando os alunos poderão voltar para as salas de aula, presencialmente, com a paralisação das atividades. O governo e as prefeituras adotaram à continuidade do ensino à distância de forma on-line, remota, Ead, Whatsapp entre outras ferramentas.

Tal modelo de ensino desencadeou uma mudança brusca na rotina de estudantes, pais e, sobretudo, dos professores que tiveram que se adaptar com essas tecnologias, que dificilmente eram utilizadas nas redes de ensino público. Assim, este é o meio para repassar seus conhecimentos às crianças – essa mudança impactou a organização do trabalho docente, deixando evidente a precariedade das ferramentas de ensino disponível para os professores e a falta de condições e subsídios para que os profissionais pudessem trabalhar de forma profissional digna.

Segundo relata a professora Kátia Silva, 38, de uma instituição de ensino público de Macapá, é difícil de exercer a profissão, “Eu sinto que trabalho mais em casa do que quando estou dando aula na escola em que trabalho, é muito difícil exercer minha profissão dessa forma, porque ninguém está preparado para isso, nem os alunos e nem os pais. Trabalho com o que tenho e minhas condições são precárias por conta da internet e ferramentas para dar aula”.

Segundo dados da pesquisa TIC Educação 2019, 39% dos estudantes de escolas públicas urbanas não possuem computador ou tablet, sendo que a maioria acessa internet por celulares e dependem de pacotes limitados das operadoras de telefonia, que não são suficientes para 30 dias de aulas com 4 horas de duração, através de vídeos no YouTube e também aulas por videoconferência.

O professor Raimundo Santos, 46, menciona que as crianças não conseguem aprender com essa desigualdade de condições, “é difícil dar aula dessa forma, porque tem muitos alunos que não possuem condições básicas para assistir uma aula se quer, o que sempre percebo é que às vezes os alunos não entram nos grupos de estudo pelo motivo de falta de internet ou que os tiveram que trabalhar e não puderam deixar o celular em casa. Posso dizer com convicção que de 30 alunos apenas uns 14 aprendem alguma coisa e vão bem nas provas. A falta de contato com as crianças em sala de aula dificulta o aprendizado delas porque não tem como fazer acompanhamento e trabalhar em cima de suas dificuldades”.

As desigualdades do ensino que já existiam ficam mais evidentes quando você percebe a lacuna que há entre os alunos que possuem condições, comparado aos que não possuem, sendo dessa maneira o resultado do ensino remoto realizado de forma à distância, sem um planejamento prévio, consulta de condições socioeconômicas, apenas um faz-de-conta para que as crianças não percam o ano letivo de 2020. Sem condições de aprendizagem, o ensino fica cada vez mais frágil.

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